Quantas luas eu olhei
Foram tantas, que nem sei
Quantas estrelas eu contei
Longos anos em que esperei
Quantas noites não dormi
Muitas lágrimas derramei
Quantos sonhos, eu sonhei.

Com os beijos que nunca dei

Muitas vezes eu clamei
Que a lua, ouvisse os meus ais
Meu tormento, a minha dor
Num quarto, onde um lamento
Quebra o som do silêncio
Mesclado ao uivo do vento.

Na mente de um sonhador.

Só a solidão adormece
Esta, de mim não esquece
Vive em meu leito sombrio
Junto a um coração vazio
Sozinho e sem esperanças
Entregue á nostalgia.

Vivendo duras lembranças

A pedir que a noite se vá
E que a lua, se perca no espaço
E se esconda em seu infinito
Já que não ouve os meus gritos
E logo volte a minguar.

Que mingúe com ela a dor...

A solidão e as lembranças
E se um dia voltar a entrar
Pelas frestas do telhado
Leve esta cruz, que é o meu fado
Que a mim, me foi destinado
Que eu tento em vão me livrar.

Esta cruz, é um pecado...
Injusto, e muito pesado
Mas tenho que o carregar!


Autora: Pequenina
Oceano: Na Voz do Ribatejano