Com surpresa,
nada encontrei
Mas ouvia alguém a chamar
Era uma voz meio embargada
Um lamento, ou um sussurrar.
Cheguei defronte
a janela
Vi luzes na cidade, acesas
Procurei não olhar o relógio
P’ra não ter, outras surpresas.
As ruas estavam
desertas
Creio que o povo dormia
Tornando a noite mais longa
A impedir á chegada do dia.
Voltei para a cama e falei...
Não posso, e não devo pensar
Creio ter a mente confusa
Não há, como eu explicar.
O vento soprava
de leve
Exalando o aroma do mar
E dentro o silêncio da noite
Eu ouvia, a voz á chamar.
Decidida
então respondi
Aquela voz penetrante
Logo um gemido, eu ouvi
Pareceu-me estar já distante.
Voltei a
olhar da janela
Em direção para o mar
Um grande pássaro voava
Com as asas, pôs-se a acenar.
Segui, com o olhar o seu vôo
Quem sabe, onde iria pousar
Levava consigo a esperança
E atirou-a, ás ondas do mar.
O dia já
estava a chegar
Nublado, pois o sol se escondia
Cobrindo de frio o meu corpo
E a voz, eu não mais ouvia.
Deixou-me a mente confusa...
E a alma triste e vazia!

Autora: Pequenina