A cada canto que vou vejo um vulto e uma sombra, próximos a uma palmeira.

Árvore bonita, enfeitada por pássaros que cantam sem parar, e balançam as folhas, ao som dos seus cantos, ao sopro do vento, e as ondas do mar.

A cada canto que vou, vejo o vulto e a sombra cobertos pela neve...

Não se movem, sequer levantam o olhar, nem mesmo ao ver-me passar.

A cada canto que vou, levo-os comigo presos ao meu umbigo, aquele vulto e a sombra, creio ser o meu castigo a arrastar-me consigo, pensam ser eu seu abrigo.

A cada canto que vou, levo em meu peito a saudade e o amor.

Aquele sonho desfeito que floresceu no passado, e transformou-me em Dor.

A cada canto que vou, vejo o vulto a caminhar com a sombra, uno e inseparáveis, como as abelhas, da flor.

A cada canto que vou, carrego-os sempre comigo, unem-se á mim, sua Dor!

Sim! Sou eu sua Dor, seu abrigo!

Que a vida predestinou, e friamente, juntou.

Palmeira que não deu flor, e nem pássaros pousou, menos ainda, cantou!

E a cada, canto que vou...

Levo-os sempre comigo...

O amor, a saudade, e eu...

A Dor...


Autora: Pequenina
18/01/03