Serei
eu uma pessoa normal? Creio que pouco conheço da
vida.
E com isto estou sempre a indagar-me, porque ou porque
não?
Bem, deixemos de interrogações?...
E assim, decidi-me em dar uma geral, nos meus bons e
maus costumes. Começando com meu visual. Ah,
este precisa de cuidados especiais, quero ser moderninha,
não serei antiquada.
Agora vamos a performance, cabelos, maquiagem, roupas
e principalmente o modo de andar. Enfim, serei uma nova
mulher, ou melhor, uma pessoa normal.
Sem preconceitos e sem preocupar-me com o que digam,
ou o que pensem a meu respeito. Afinal sou adulta e
sou mulher!
Foram-se horas de estudos, de como mudar sem cair no
ridículo!
Finalmente consegui, depois de tantas mudanças
pensei, e agora, como começar a viver, se nem
conheço os caminhos da vida!
Já me imaginava naquela ‘Danceteria’
aquele som estridente, jogos de luzes ofuscantes,
uma bebida forte, que me deixasse enlouquecida, pondo
a prova toda minha sensualidade, mas logo pensei!
Como farei para arranjar uma companhia, se nunca freqüentei
estes lugares?
Logo a seguir veio-me uma outra idéia! Imagine
que, depois de tanto preparo, eu deixei passar o principal,
a ‘sedução’ esta seria uma
boa arma para mergulhar de cabeça no mundo
dos sonhos e fantasias.
Fiz alguns ensaios diante do grande espelho, que havia
em meu quarto, tudo muito bem planejado, e assim lá
fui eu, resolvida a dar tudo de mim!
Afinal eu me predispus a mudar de vida.
Mas
seria por aí ? Comecei a interrogar-me novamente.
Mesmo assim enchi-me de coragem e prossegui meu caminho.
Ao chegar em frente a ‘Casa Noturna’ tal
foi minha surpresa, ao encontrar algumas amigas, que
olhavam, sem ao menos dizer um olá!
Eu estava irreconhecível.
Resolvi
chamá-la, estava ali a chance de não
me sentir, como um peixe fora da água. Após
o impacto por mim causado, conversamos um pouco e
resolvemos entrar na casa de Shows, disposta a desvendar
os mistérios da noite!
A euforia contagiante das pessoas que ali estavam,
deixou-me assustada. Senti que eu já estava
fraquejando em meus propósitos, e não
seria uma boa companhia para as amigas.
Que fazer? Interroguei-me novamente. Agora eu precisava
mais uma vez, de forças para dizer-lhes que
não me sentia bem. Mas foi o que fiz. E elas
entenderam-me, sabiam que aquele não era meu
‘mundo’ mas nada indagaram-me.
Retornei a casa frustrada, ou ‘aliviada’
com minha falta de coragem, como se algo mais forte
me impedisse de ser, o que nunca serei, uma mulher
normal, como tantas outras.
Ao entrar naquela casa vazia, fui ao meu pequeno barzinho,
tomei uma dose de Whisky (chá escocês)
como diz um ‘Amigo’ liguei o som, pensei
em ouvir algo romântico.
Que tal um tango? Perguntei-me. Sim este seria o ideal!
Despi-me daquelas vestes, que nada tinham a ver comigo,
prendi os cabelos, coloquei uma camisola leve e transparente,
longa como aquela noite.
E me pus a chorar e, com o rosto banhado em lágrimas,
peguei a tua foto, que sempre a tenho em minha cabeceira,
cantei e dancei abraçada a tua imagem.
E diante do mudo espelho, beijei-te com muito amor.
E
na penumbra do quarto dançamos ‘A Média
Luz’!
Autora:
Pequenina