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UMA NOITE DE JUNHO
DO MEIO DO SÉCULO PASSADO
Naquele
lugar, meio do monte de São Miguel “O Anjo” lugar
de Ores onde nasci, era ermo, apenas uns caminhos vinham desembuçar
ao largo da taberna; um encontro de cinco caminhos onde o povo das
aldeias se juntavam nas horas de bate-papo do beber uma caneca juntos,
do inicio de discussões, e quantas vezes uns sopapos trocados.
Naquele
tempo o Tavares Era o Barbeiro... homem risonho e amigo de paz e
ver a alegria junta. Toda a rapaziada o adorava e ele correspondia.
Alugava
auto falantes de quando em vez e a música entrava de graça
nas casas das aldeias eliminadas ainda a luz da candeia de petróleo.
Um
dia o Tavares comprou um gira-discos para haver musica mais econômica;
ali nas noites quente de junho se juntava muito rapaziada atraída
pelas danças e namoricos a que musica nos convidada; esse
foi o tempo mais alegre de minha vida, apesar de dias antes a junta
militar de me ter apurado para os serviços do exercito do
país.
Numa
dessas noites de junho encontrei a diferença de ter ficado
apurado para o serviço.
Havia uma só luz no lugar, instalada na banca da ramada da
esquina da barbearia.
Naquela
noite joanina mesmos as mulheres casadas tinham saído a rua
com seus regadores, tinham regado o terreno de terra batida para
este não fazer pó esperavam dança.
As
musicas eram dedicadas para se fazer alguns tostões para
as despesas.
Eu
a pedido do Tavares fazia de “disc jockei” e sempre
que não houvesse pedidos, dedicatórias eu os improvisa
com nomes das raparigas por quem me caia uma asinha, elas sempre
correspondiam com um sorriso, e com sorte, viria um convite de dança.
Estalava
condenado a não ter namoro afetivo, estava apodarão
e elas não queriam tanta espera.
Mas
esta musica era um fado lindo, sensual que falava da espera e do
amor... tive sorte a bafejada pela dedicatória veio pegar
em mm para dançar...
O
Tavares tomou contas do gira-discos.
Alegrei-me,
e a rapariga pegou em mm movendo por meio dos que estavam no terreiro
sempre a dançar fomos arrastados pelo instinto para o caminha
de minha casa coberto de ramadas... o luar filtrado pelas folhas
das videiras, era como fachos de amor a cobrir nossos corpos.
Esta
pousa a cabeça sobre meu ombro, dizendo... não posso
esperar por ti mas esta noite não a vais esquecer... agarrei
a sua orelha entre meus lábios senti que esta moça
esguia tremia toda e me apertava mais contra seus peitos que me
estavam a enlouquecer...
Ela
respondeu , nada encontras, os saltos de meus sapatos são
muito altos...mas seu corpo entrava no meio de minhas pernas; ela
sentia-me e disse, não te espero mas esta é pelo menos
uma vez na vida que nos amamos; dançamos abraçados...
Outros
pares se aproximavam... e a voz da mãe dela... vamos menina...
amanhã é dia de trabalho.
Outras
noites se seguiram, mas nenhuma das outras me marcou tanto na vida.
Por:
Armando C. Sousa
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