Sou Um Simples Mortal

 

Nasci dos mesmos gemes dos grandes de outrora; gigantes que deixaram gravado quem eram, e monumentos espalhados por esse mundo fora.

Meus Avós eram gente de humor radiante; seriam pastores, soldados ou lavradores, mas dilataram seu torrão, levaram sua língua e a ensinaram, a todo que queria ser em cristo seu irmão.

Subiram os píncaros mais arenosos; atravessaram a turbulência de águas fluviais.

Encontraram gentes; umas que não acatavam a pacatez; outras de coração de alegria e hospitalares...

Quanto mais estúpidos, mais desconfiados... não queriam amizades, ou reconhecer alguém, traiçoeiras eram certas raças que o mundo tem.

Portugueses tinham um pedaço de sua pátria em muitos cantos do mundo; sempre faziam de seu cantinho o mais formoso, o mais aconchegável, o mais ditoso.

Venceram adamastores nas ondas gigantes e cruéis; os mares salgaram com suas lagrimas e suores; encontraram no céu a estrela que os havia de guiar; viram na lua prateada o calor do amor, a forca que poderia ter o trabalho que haveria de tornar plantas em espigas, estas em graeiros da cor do ouro.

As silvas de vagos vermelhinhos em coroas de noivados.

Nos navios seguiam poetas, estes se extasiavam com a cor de diferentes gentes, com pássaros de mil e uma cor, com o mavioso cantar do rouxinol; estes cantavam primaveras de lirismo e amor; no revoar e nas cambriolotas das andorinhas encontravam-se sonhos de saudades dos amigos familiares e do sino da capelinha da aldeia deixada.

Tantos que partiram acreditavam num deus altíssimo; nas cristas dos montes erguiam ermidas; pastoreavam gados nas colinas; estas cheias de urge e flores branquinhas, eram malmequeres ou mimosas Marias...

Eu como meus antepassados parti e por aqui ando... família grande.

Hoje se preocupam mais com suas famílias diretas; um pai ou mãe vai sendo um estorvo.

Ontem celebrou-se a ceia de natal, 24 de Dezembro 2008... estávamos presentes 24 com uma senhora vinda da Europa, sogra de meu filho... senti muita frialdade entre todos... eu estava cheio de dor, mas também nada dizia porque alguém me enviou um email pedindo para não falar, no como vai o mundo capitalista neste momento...eu sentia que era mesmo de como vai o mundo, que se avia de falar... sentia a família muda.

Dia de Natal, cerca das 7 da noite ceia com Peru; a frialdade continuava.

Poucas palavras entre genros e irmãs... os primos já não tinham aquele ar de camaradagem.

Senti que me sentiria mais ha vontade falando com as teclas de meu computador... anunciei a partida e o gelo quebrou-se em insultos para comigo da minha segunda filha... ela sentiu-se ferida, porque antes eu lhe tinha pedido para me encontrar uma viagem no P/C... ela me mandou que fosse eu a procurar.

Parti... mas a primeira filha me considerou insano... e telefonou para saber se tinha chegado bem...

Grande problema... quando as pessoas não desabafam, com honestidade... ja tenho 75 anos e 8 meses e meio... se chegares a minha idade sentireis o que eu senti hoje.



Por: Armando C. Sousa