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O Meu Ontem
O
meu ontem e os reflexos passageiros como pirilampos, ora acendem
aqui, mais longe, muito longe, ou voltam ao presente, procurando
mesmo levar-me a um futuro que não existe sem o presente,
sem o agora.
Dar
exercícios à memória e descreve-la é
salutar, quantas vezes vem acompanhada de terríveis dores
de um passado que não queria-mos que tivesse existido da
maneira que ainda hoje nos fere.
Avivar
a memória e recordar meu ontem e meus sonhos ou pesadelos
de menino, minha família da minha meninice foi e é
ainda alguém minto especial na minha vida, pela luta terrível
com que batalharam contra a escassez de tudo, mesmo do amor e protecção
de pai, que o perdi aos 6 anos, sucumbindo a um antraz, e queimaduras
causadas por ventosas, uma das coisas usadas para retiras fluidos
diziam dos pulmões.
Nesse
tempo os sonhos que dominavam a noite e escurecia o dia eram o ter
pão; se eu acordasse, e tivesse uns socos para os pés
não gretarem, uma côdea de pão, uma cebola e
sal, já me sentia realizado.
Nesse
tempo meus brinquedos? … Já tinha aprendido com meus
irmãos a fabricar uma (rela) ventoinha de casca ou fitas
de eucalipto, ainda um carrinho com casca de pinheiro manso, ou
mesmo fazer azenhas de bugalhos e fazer com que a água de
um regueiro a fizesse tornar, isto quase sempre na bolça
de Ô’res, ficava por de traz do nosso quintal.
Bombas de tirar água feitas com cabacinhas e os canos de
ramos de cabaça, isso era com meu irmão Joaquim, fazer
carros de arame, ele era um engenheiro…. Claro que fazia repuxos
com ramos de saboeiro, fisgas e relas barulhentas, isso era com
ele, mas não ficava por aí, fazer pistolas com balas
de pau accionadas por uma borracha, não havia mais bem feitas
que as do meu irmão, enfim tudo que ele cisma-se que devia
fazer estava feito.
Fazer
piões era com ele, de pau de laranjeira; o vendaval que passou
naqueles sítios nos anos 40 do outro milénio deitou
por terra parte de nosso laranjal deixando muito telhados com telhas
deslocadas, quando chovia, as pingas caíam na cama e era
preciso desloca-la para outra parte da sala.
O
leitor talvez vai perguntar porque escrever isto? … Bom, eu
sou dos poucos da época que tenho conhecimentos de coisas
assim, isto porque os que estudaram não sabem como se divertiam
os mais miseráveis, esses já tinham brinquedo que
se compravam.
Com
nós, os mais os pobres, era arrancar os botões das
camisas para jogar o tiple, também não era novidade
para pais pobres dessa época deixar as crianças assim
ou pregar outros, mesmo diferentes… o jogo do eixo, ou mosca
moscada, ou jogar à barreira, eram jogos de equipa; mas um
dos divertimentos maiores era fazer corridas com a roda e birita,
ou motas feitas de pau.
Jogar
o pião era dos jogos emocionantes, quando tinha-mos um pião
novo e logo lhe davam nicas de castigo, como forma da combina, até
apetecia chorar; depois os mais maldosos procuravam dar as nicas
no rabo do pião até o partirem.
Também
se jogava ao bicho com (patelas) de pedra, mas o jogo do eixo era
um dos melhores divertimento em grupo, havia ainda a bogalhinha
ou marbles, mas o jogar a bola de trapos era o melhor jogo em grupos
onde existia já a rivalidade e isto em nome de aldeias que
se batiam á pedrada depois do jogo, se o jogo chegasse a
acabar.
Todos
nós sabemos que o sonho do homem é do tamanho de si
mesmo; talvez… só que eu continuo a crescer, e comigo
cresce o meu sonho.
Gostaria
de ver ainda todos os jogos; mas desta vez, entre todas as raças
e cores, sem credos, porque esses é que são o motivo
das guerras, reparai no que se passa hoje no mundo, é um
cortar de cabeças para fazer medo a todos que acreditam na
ciência, na liberdade de pensamentos e de acção;
seguindo seus ideais.
Gostaria
muito mais de ver as gentes do mundo juntar seus esforços
para irem em busca do desconhecido, como os nossos próximos
planetas, com o mesmo arrojo que nossos antepassados foram em busca
de novas terras e outras gentes.
Gostaria
de ver repletos de gente os campos das nossas escolas, e das nossas
comunidades; mas com puro propósito de divertimento como
quando eu era criança e jogava o eixo, ou todos os jogos,
onde mesmo a fome fazia parte da alegria desse tempo.
Esta
semana alegrou-me enormemente a alegria da nossa gente, festejar
um acontecimento; já lá vão 500 anos que não
estamos entre os primeiro, depois das nossas caravelas sulcar os
mares em buscas de novas gentes e novos mundos; aqui neste canto
ricos e pobres encheram as ruas de alegria, mostrando o quanto ainda
amamos Portugal apesar de termos atravessado tantas necessidades,
os nosso valores e o nosso sangue fervilha, e sem medo ou vergonha,
demonstramos ao mundo o orgulho de ser Português...
Por:
Armando C. Sousa
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