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O Destino
E as Voltas que a Vida dá
Amigos
poetas leitores e escritores, ao escrever deveremos ter sempre a
verdade ma pontas dos dedos e depois verificar as voltas que a vida
da, e assim encontramos que temos evoluído muito no ponto
cientifico social e direito, mas muito longe ainda da igualdade
de tratamento.
Fez no dia 15 de novembro 49 anos que me uni no Altar da igreja
de Rebordões Santo Tirso, com a pessoa que ainda hoje adoro...
No
meu tempo de namoro existia o racismo nas gentes, que divergiam.
Entre
namoros, um rapas de diferente aldeia, era olhados pelos rapazes
da aldeia da rapariga com olhos de inveja.
Um
rapaz de aldeia diferente era tratado com ameaças, e brincadeiras
de insultos... eu cheguei a ser esperado algumas vezes, mas era
avisado e trocava de caminhos.
Por
vezes andava quilómetros para fugir de ser espancado; outras
vezes os irmãos de minha namorada, hoje minha esposa, me
acompanhavam até ao ponto em que a maluqueira de certos homens
me esperavam.
Cheguei
a ter arma de fogo... mas reconheci que não era a resposta
desejada para com a sociedade... vendi a arma e entreguei-me ao
destino.
Os
meses passaram, os rapazes mesmo de olhos de lado deixaram de me
ameaçar...
Depois de três anos de namoro, veio o casamento com a mulher
que ainda hoje dormimos juntos dando ao amor os carinhos e minutos
desejados.
O
certo e, que a discriminação e racismo principiava
no berço.
Se
a criança não se parecia com o pai, os carinhos rareavam...
crianças se guerreavam com pedras de Freguesia, para com
outra freguesia, ou mesmo aldeias.
No
caso de futebol era porrada de criar bicho.
Havia
rivalidade em quase tudo.
Hoje
continua quase na mesma mas mais ao nível regional...
Reparai
que aqui em Toronto existem cerca de 50 clubes de gente Portuguesa
e das ilhas, tudo diferença de regiões; não
crescem e tem dificuldade de se mantém, mas continuam demonstrando
certa rivalidade.
Quanto
a mim creio que e um grande erro que precisamos de reparar...
O
que quero dizer 49 anos atrás existia eu minha esposa e nosso
amor...
A
nossa volta campos de milho e couves donde principiava a germinar
uma família.
Principiou a crescer, armando e esposa matavam-se a trabalhar, mas
não chegava para lhes dar pão e as trazer agasalhadas
as três primeiras filhas...
Armando
dava voltas a cabeça, esticava o dinheiro; mas ficava-mos
os cinco cada vez mais finos.
Não havia solução debaixo dum regime ditador
e fascista... imigrei; França o meu destino de trabalho...
gente afável e carinhosa... minha esposa e filhas ficaram
vivendo 50 metro aparte dos pais e irmãos... Um amo depois,
roubei a minhas filhas sua pátria... mais uma filha nasceu
na franca, onde esse governo português ate o nome da criança
retirou devida a concordata com a igreja.
Elas
adoravam Franca; mas meu destino era o Canada... trabalhando em
mina de urânio, furando a montanha e retirando o que pode
fazer uma calamidade na humanidade e nestas selvas de ferro e cimento...
mas meus amigos era o meu destino.
Aqui
nasceram dois rapazes, hoje o mais novo com 38 anos...
No
dia seguinte ao nosso aniversario de casamento. Minha esposa acabara
de completar 72 anos no dia 14 eu mais de 75; resolvemos cozinhar
o almoço para a família... ali todos sentados 21...
duas enteadas dum filho estavam nos estudos.
Mesmo
assim olhei-os a todos e disse, menos de 50 amos o mundo
deu um enorme passo... reparai, ma minha mocidade as pessoas se
tornavam rivais por o nome de uma aldeia... hoje a minha família
nasceu em três países e dois continentes.
E
somo capazes de nos sentarmos a mesa e nos amarmos como família
com sangue dum passado Português, Italiano ou Calabrês,
Francês, Alemão e Escocês.
Todas
coisas me ensinaram que o amor e muito mais salutar que rivalidades
de raças, de cores ou religiões.
Foi
um passo grande, mas meus netos podem alargar muito mais o passo,
e um dia todo o mundo pode dar as mãos e melhor se compreender.
Por:
Armando C. Sousa
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