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Galhos e Curvas do Destino
É
mesmo destes galhos e curves do destino de minha esposa, a quem
eu me liguei por matrimonio, e nestes últimos 50 anos nos
temos enrodilhado tornando-se numa arvore galhoza e uma vida onde
os dois atravessamos muitos caudais, tendo de construir as pontes
por onde passamos.
Em
cada curva lá estava um marco de sofrimento que o destinos
nos reservou... mesmos assim ainda somos mais felizes que metade
da população do nosso universo.
Eu
o benjamim de seis irmãos, mas com duas irmãs que
mais pareciam filhas de uma madrasta... meus irmãos eram
anjos em comparação
Minha
esposa foi a oitava nascida duma família onde eram onze irmãos
e irmãs... quando a conheci, era a escrava da casa... mãe
doente, Felicidade é seu nome... esta principiava seus afazeres
de casa as 5 da manha e terminavam ao escurecer. Não sabia
ler... não via as letras no quadro e era batida pelos professores
e pais por não aprender.
As
duas irmãs mais velhas que a consideravam atrasada mental
por conveniência... era desprezada, mesmo no vestir... mantinham-na
trabalhando enquanto estas faziam renda para seu enxoval...mas nunca
chegaram a casar...
O
destino nunca encontrou galho para elas.
Só
chegaram a saber que a irmã era curta da vista, e não
sabia o que era ver bem, até que o destino a levou a emigrar
para junto de mim em Franca... eu, seu marido e pai de três
filhas a obrigou a ser examinada por um especialista... para se
juntar a mm, 46 anos atrás foi examinada e enviada a um oculista
que em duas horas tinha seus óculos prontos... então
minha esposa disse que viu um mundo diferente e lindo... tudo tão
lindo... cheio de cores, o que antes era um esboço de cores
negras e nevoeiros...
Aqui
principiou com mais alegria nossa travessia por este mundo fora...
lutamos juntos para manter nossa família de seis filhos em
modos exemplares... nunca compramos sem ter dinheiro, os filhos
seguem o exemplo, sabem que a escola funde as chaves que abrem todas
as portas... mas numa dessas travessias... minha esposa partiu um
joelho... sim amigos foram meses de sofrimento para os dois... uma
outra viagem de prazer nos nossos anos de ouro, mais uma queda que
teve minha esposa deixando-a com mais mazelas, e sempre os dois
batalhando para endireitar estas curvas a ela destinadas.
E
tornar mais macios os galhos agudos que estão no caminho
de nossa vida, e aparecem nas curvas do nosso destino nos levou
a mais abraços e beijos... e mais uma viagem mais perto do
equador, ir aquecer os membros desgastados perto destas neves que
diziam eternas... mas não o serão... as águas
se abriram no polo norte...
Foi
nas primeiras três horas que estávamos no Bahia ao
Príncipe Hotel em Porto Plata R. Dominicana que minha esposa
escorregou nas ultimas duas escadas, caiu e partiu o calcanhar...
esta curva a deixou sem movimentação e cheia de dores...
eu que tanto sonhava em voltar a encontrar minha grande amiga Tifá...
A sereia de meus contos... fiquei sempre ao lado de minha esposa
olhando o mar... ate que o sono profundo tomou minha esposa na sua
cadeira de rodas...
Sentei-me
então, meus olhos fecharam e Tifá apareceu cavalgando
no seu corcel onde se poderiam ver os mais lustrosos e potentes
cavalos marinhos... sem o desejar esta me enlaçou nos seus
longos cabelos, dizendo tua esposa fica guardada pelo sonho que
lhes dará momentos de alivio... teus desejos armando iram
comigo para veres as calamidades em que os homens transformam os
mares que vos dão vida...
As
águas abriram-se e o Armando desapareceu no seu sonho seguindo
a Sereia Tifá...
No
próximo capitulo... (A Revolta dos Mares)
Por:
Armando C. Sousa
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