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Fé ou Realidade
Cerca
de centena e meia de anos se tinham passado que a febre do ouro
assolou aquela região, hoje um pouco deserta, mas onde continua
a existir bastante caça de pequenos e médios animais.
Franklin
estava em convalesça de uma doença promanar e de solidão...
esta solidão o vai levando a procurar andar sozinho e a meditar
na vida que lhes foi por uns tempos muito risonha e próspera...
A
esposa, uma amiga muito doce e querida morreu de câncer da
mama, em tão pouco tempo que o deixou alucinado e desnorteado,
ao ponto que passava dias e se esquecia de comer.
Um
dia um amigo passou de visita e ficou abismado ou ver-lho em semelhantes
condições que ele mesmo ficou doente.
Passou
uns dias com ele para o alimentar de corpo e espírito...
mas os pulmões precisavam de muito mais...este amigo disse-lhe,
terei de me ausentar, mas preciso que faças duas coisas,
cada manhã sobes ao monte, com um pão com queijo,
250 mililitros de vinho tinto... ao chegar ao alto sentasse num
penedo... tomas folgo, se poderes cantar, canta para abrires os
pulmões.
Seguidamente
comes a sanduíche e devagar desces o monte, não te
esqueças de contares as aves diferentes que encontrares;
já em casa fazes um relato de tudo que viste.... que animais
diferentes e qual sua maneira de agir...
Franklin
a cada dia se entusiasmava mais com seu estudo, a pontos que chegava
a perder bastantes horas a ver o trabalho da formiga, como elas
se comunicavam, e ajudavam, o tamanho das folhas por elas carregadas,
e como elas despedaçavam as folhas para as guardar no seu
celeiro.
Uma
semana depois seu amigo veio visitá-lo com sua esposa dois
filhos e uma cunhada solteirona que os ajudava na educação
das crianças.
Este
ficou pasmado com o estudo e estado de Franklin.
Estava
com aspecto muito mais saudável... e com uma vontade indomável
de conhecer mais, sobre as pequenas coisas que faziam mais vivo
e misterioso o nosso planeta...quis mostrar às crianças
tudo que aprendeu no seu estudo de passar o tempo.
As
crianças sentiam-se curiosas, mas curiosidade maior era de
sua tia Matilde; que de quando em vez trocava olhares de admiração
e talvez de ternura, que fazia corar Franklin e dar-lhe nova vida
e uma esperança de ainda poder ser feliz.
Depois
de passarem horas agradáveis Matilde sugeriu de fazer um
jantar para o meio da tarde e festejar juntos antes de voltarem
a cidade deixando Franklin entregue a sua meditação
e esperanças de conhecer mais sobre a vida do deserto que
ficava para alem da montanha que muitos anos atrás tinha
sido o palco e febre e loucura do ouro.
Centena
e meia de anos atrás os que chegavam registavam e abriam
seu poço com a fé de encontrar algumas pepitas de
ouro que os enriquecesse...
A
verdade e que não dava para as despesas, tornando-se num
lugar de fome e crime, até que o governo mandou fechar todos
os poços…
O
terreno ficou liso e poucas montas de erva crescia de tão
árido e seco.
Passando
esta parte onde nada se criava havia uma faixa como floresta; onde
se juntavam as chuvas que escorriam das montanhas.
Naquele
dia Franklin aparelhou o cavalo que a cada dia vinha-o visitar,
esperando uns graeiros de milho; mas pouco tempo parava, logo seguia
para o pasto selvagem...
Franklin e seu cavalo, devagar subiram e desceram a montanha para
o outro lado... antes do deserto Franklin deu palha a seu cavalo
e ele comeu sua sanduíche e seu vinho; os dois beberam água
límpida num regueiro que pouco à frente desaparecia
entre os rochedos.
A
passo de trote atravessaram o deserto num extensão de poucos
quilómetros; em frente encontrava-se o oásis floresta
curta, mas com sombras... onde Franklin esperava encontrar aves
e insectos diferentes.
Franklin
acelerou seu cavalo que num repente estacou, cuspindo-o, Franklin
caiu sobre uns arbustos, que se deram ao peso, e este caiu num poço
bastante fundo e impossível de escalar; ainda era um que
ficou da febre do ouro, agora talvez sua sepultura.
Franklin
procurou com todas as suas forças escalar o poço;
ao ver que lhes era impossível gritou por socorro durante
horas...
A
luz do dia já estava a desaparecer quando assumiu um homem
na boca do poço; este disse eu represento o deus de Moisés,
e eu te digo homem, tem fé, a fé te livrara deste
poço, e desapareceu... Franklin se prostrou de joelhos a
reza e a pedir socorro, ate que sem forcas adormeceu...
Ao
outro dia Franklin acordou de ossos machucados e continuou a pedir
socorro e a rezar... apareceu um outro homem, todo de branco e lhes
disse, sou eremita e represento o filho do homem... tem fé
homem e reza, ele te delibera desse poço...
Mais
uma noite passou e ninguém apareceu para o salvar: Franklin
já sem forcas, resignou-se a morrer sem mais resistir.
Estávamos
no fim-de-semana, Matilde disse a sua e Irmã e cunhado, se
vos quiseres e visitar Franklin eu assei um cabrito e todos poderemos
lhes dar uma tarde agradável...
O
carro entrou no terreiro de Franklin e o cavalo veio desenfreado
urrando a janela do carro, Matilde pressentiu que avia alguma coisa
errada ao ver o cavalo a querer agarrar o braço do cunhado
e o puxar... o cavalo urrava e assinava com a cabeça... estes
entram dentro de casa e ninguém...
Matilde
disse ao cunhado, o cavalo quer dizer-te alguma coisa, segue-o,
ele ainda esta arreado, certeza que Franklin caiu... foi aqui que
vi que a mulher tem mais um sentido se amar....Toinho montou o cavalo
e disse antes das duas horas estarei de volta...Matilde mais uma
vez, um bom cowboy nunca anda sem corda...
Este
agarrou uma corda mesmo de cima do cavalo e partiu deixando o cavalo
o levar no seu galope...
Chegaram...
o cavalo estacou, e urrou...Toinho desceu do cavalo ouvindo gritar
por socorro... Franklin juntou todas as forcas para gritar ao ouvir
o cavalo...
Uma corda caiu sobre Franklin, este se amarrou pelas ancas e deu
uma volta sobre o peito, usando as mãos para esta não
apertar...
O
cavalo principiou andando devagar... no cimo Franklin foi agarrado
pelas mãos fortes de seu amigo Toinho... ficou deitado sobre
a relva, cansado... ao fim de uns minutos disse... orei até
me cansar, e nada, dois ermitões que aqui passaram mandaram-me
ter fé que seria salvo...
Mas
na verdade e muito melhor ter um verdadeiro amigo que todos os deuses...
a fé não salva...a salvação chega sempre
com a realidade do amor.
Matilde
teve o seu dia de noivado, os dois foram muito felizes, formando
as duas irmãs uma aldeia de amigos...
Por:
Armando C. Sousa
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