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Alcino XIX...
A
satisfação da fada madrinha de Alcino era enorme;
ela sentia na mente daquela criança Prodígio, a compreensão
de que se todos usarem seu saquinho com amor a humanidade tem o
problema resolvido.
Trabalhar
e confiar no trabalho... ninguém, mesmo ninguém resolve
seu problema de mãos erguidas.
Aqueles
que querem que ergas as mãos, estendem-te o seu saco para
tu o as ergueres como paga de te lavar a cabeça e esperares
que teu pão caia do céu... pobre mentalidade.
Antes do Alcino e Balia abrirem seu saco de amor, aquela família
definhava com fome e mentalidade perdida...
Hoje
já não precisam de Alcino, seu caso está resolvido,
estes sabem que será preciso trabalhar e abrir seu saco para
haver um mundo melhor.
Carmina
estava abraçada a Ornelas e principiou a chorar... este aflito
procurou saber se fez alguma coisa de mal.
Carmina
respondeu; choro de felicidade, tenho pena de te deixar, mas tenho
um pressentimento que Anisa me chama... eu terei de a acompanhar
para todo o lado que ela tenha de ir, mas sempre que poder estarei
contigo meu salvador e meu grande amor.
Quero,
se poder, com meus filhos iniciar uma cruzada, para todos terem
água potável, pois mais de metade da humanidade ainda
não a tem, segundo me disse Alcino.
Creio
que Alcino vai partir para outras paragens, segundo o modo telepático
que esta entrando no meu pensar.
Anisa
precisa de mm e Xavier quer nos abraçar sempre que poder...
quer estar a nosso lado, e um dia, talvez, quem sabe; será
um guia mundial do bem...
Carmina...
minha vida, diz Ornelas; quero que sejas tu uma das alavancas a
remover a podridão do egoísmo, a mostrar que o trabalho
em liberdade e honestidade, vale mais que todos os deuses inventados
por todas as gerações. E que afinal, no fim tudo fica.
Todos os credos não são mais que o medo de morrer.
Precisamos
de vencer esse medo com o saquinho do amor; certeza que não
envenenamos a água; certeza que não poluímos
o ar, certeza que não matamos os microrganismos criadores
da terra.
E
certeza que todos os bens do universo sejam bem repartidos pela
humanidade...
A campainha da casa de Ornelas tocava sem parar...o protão
abriu-se e uma criança corria de encontro a sua mãe
que descia as escadas correndo também...
O
baraço foi demorado, quando se separam Anisa sorridente segredou
a sua mãe... foi maravilhoso, eu toquei guitarra e cantei
para muita gente, pegaram-me ao colo e não me deixavam vir
ao chão...eu queria ir fazer xixi...
Balia
veio e retirou-me e levou-me... de resto o Alcino e Balia são
anjos de que tu me falavas... com a diferença estes falam,
abraçam, beijam e dão coisas novas.
Os
outros ficaram com teu brincos e teu cordão de pedrinhas
brancas.
A
fada madrinha invisível, falou a Alcino... Balia precisa
de repouso para poder guardar uma outra fadinha em que tu pensavas
naquela noite...
Entrega
os contratos de Anisa a sua mãe e explica, a Anisa que o
Senhor Ornelas será o novo pai e amigo, eu do alto olharei
sempre por esta criança...
Teu
saquinho ficara só com valor para ti e Balia para poderes
dar descanso a Balia...
Mostra-lhes
que cada espectáculo que Anisa participe, não poderá
ter menos de 1.000 pessoas, 10% ira directo a abrir novos poços
de água, depois das despesas pagas, os lucros serão
divididos 50-50, desses 50% por cento de Anisa serão para
fabrico se placas solares, para que cada palhota; em princípio
possa ter pelo menos uma luz, que alumie dentro da miséria,
a caminho do progresso....
O
contrato cinematográfico lhes pagou em média o que
ganham os bons artistas.
Serás tu Carmina a dividir o que será feito com os
ordenados que serão bastante elevados.
Da
minha parte fiz o possível para dar início a esta
bola de neve que quanto mais rolar maior vira.
Carmina
Abraçou Balia e Alcino, dizendo farei todo o possível
para que nosso saquinho possa construir a açude entre as
montanhas; tornar fértil o vale das palhotas, e a água
na decida para o ancoradouro fazer mover turbinas para electrificar
todo o vale.
Por:
Armando C. Sousa
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