Alcino XVIII...


O sol entrava pelas frestas da palhota, dentro, apenas o calor do brasido em extinção.

Aquelas palhas tinham sido testemunhas de uma noite de mil carinhos, tanto fulgor e loucura de um desejo por dias mal incutido.

Ornelas agora com o corpo meio partido dos movimentos de amor de todas as facções possíveis, satisfazendo-se assim como todos os impulsos de Carmina que o destino a fazia arder em desejo durante anos... tudo em dura esteira.

Deixamos os nossos amigos cheios de planos cor de rosa e de bem fazer e vamos ao encontro de Alcino, Balia e a nossa querida Anisa, que esta no salão cinematográfico para demonstrar suas aptidões para os papeis desejados para se tornar no flamingo do lago vazio.

Sua apresentação tornou-se num espectáculo maravilhoso... todos o artistas estavam extasiados de ver tão grande prodígio, em musica dança canto e apresentação.

Alcino teve muita dificuldade para conseguir um contrato digno para a menina e seus desejos.... Estes desejavam explorar a criança só por ser criança.

Mas esta desejava que parte de seus vencimentos fossem para o saquinho de beneficiação, água e electricidade para a pobreza.

Acompanhamento de sua mãe durante filmagens, com folgas nos fins de semana, tempo livre para a família, pois Xavier tinha o poder de repassar a sua mente tudo que aprendia, esta era menina sem direito a escola, mas era a mente gémea de Xavier...

Poder dado pela fada do penedo da Fraga ao saquinho de Alcino, que este transmitiu a Anisa.

Os estudos de Xavier iam de vento em popa... este também acreditou que todos temos um saquinho, mas este não deve ter fundo... este deve deixar cair o que tem, ensinado o caminho do bem, era assim que Xavier pensava; aprender, deixar cair na mente de sua irmã o seu saber, como o determinou a fada e o saquinho de Alcino.

Fazer de sua habilidade de jogar a bola, momentos de pura alegria para as multidões, um dia ajudar seu pais com seu saber, e com a mente pura, de que todos podemos distribuir o bem e ajudar...

Xavier acreditava que todos de mãos calejadas pelo trabalho poderiam ajudar o mais desventurado. Este acreditava que o universo poderia dar pão e alegria se todos usassem seu saquinho.

Xavier muito rezou de mãos erguidas naquela palhota fria e vazia em companhia de sua mãe e irmã... mas do céu nada caía, ate aprender que o amor e o acreditar no saber e a virtude que pode transformar pedras em pão.

Bem sei que enfrente de certos egoístas é muito melhor nada saber...mas nunca deixais assobalhar a verdade... esta virá sempre ao decima como o azeite vem a tona da água....mãos erguidas não criam pão... mas os calos deixam-te satisfeito do dever comprido.

Mesmo assim, apesar de nada faltar a Xavier; este sentia saudades dos momentos passados com sua mãe e irmã naquela palhota escura e fria.

Os louros eram depostos na pequena cabecinha de Anisa pela brilhante maneira como actuava; esta pensava no momento que poderia dar a toda a pobreza uma bomba como aquela que recebeu do saco mágico do Alcino e lavou seu corpo por dentro e por fora da sujidade criada pelo egoísmo.

Na sua mente estavam criados os alicerces do bem e da igualdade... no pensar!.. só temos um universo para viver, e todos deveríamos ter nossa parte em igualdade, com igual responsabilidade do o fazer girar sem o fazer quadrado de tanto minar, ou de o tornar num ovo vazio, e o ar carregado de alcatrão e enxofre de tanto petróleo extraído e queimado.

Talvez um dia sair dos eixos e se ir despedaçar, ou voar dentro do buraco negro do infinito.

Ornelas abraçava e beijava carmina dizendo-lhe; vais aprender, a ler e escrever comigo, depois que Anisa seja uma mocinha, percorreremos o mundo dando conferencias, demonstrando que o mundo será muito melhor quando todos usarmos o saquinho do bem... este cheio de amor será o verdadeiro Deus do universo.

Enquanto estas duas crianças definiam o quanto poderiam fazer de bem, a diferença que faria seu aprender, a alegria que dariam a sua mãe, a diferença será enorme se todos acreditarmos no nosso saquinho de amor e do bem.

A fada madrinha do Alcino sorria lá do alto por ver a diferença que iria fazer o saquinho.

Por: Armando C. Sousa