Alcino XVII...


Ornelas entrou pela primeira vez onde vivia a miséria… os olhos procuravam ver, mas a escuridão e a falta de haver, não o deixava ver uma cadeira, uma janela, uma arca com cobertores que os cobrisse do frio da noite...não existia uma janela, ou um petromaxe para alumiar o que existia dentro daquele casebre ou castigo de deus.

As lágrimas vieram aos olhos de Ornelas que perguntava... e então que fez de mal esta gente para ser assim tratada...

Ao mesmo tempo Carmina lhe deitou os barcos sobre os ombros e o beijou demoradamente, deixou sentir seus vãos, dizendo obrigado querido por dares mais pão aos moradores desta palhota, Hoje vou Fazer bolo na pedra e comer o peixe estimado que esta debaixo da cinza embrulhado em folha de bananeira.

Carmina acendeu a candeia que trabalhava a sebo de animal.

Mas Ornelas principiava a ver os reflexos da lua a entrar por fresta da palhota que lhe iam direitinhos ao coração, dando-lhe arrepios de amor e de medo.

Carmina disse, Ornelas, Amor; vamos nos sentar naquelas pedras para comer, cumprindo meu desejo, de te sentares onde me sento e comeres o que eu como.

Depois amor, dormir onde eu durmo. E olha se a ti, te faz falta uma mulher, assim podes ver que me faz falta muito mais falta um homem como tu...

Os bolinhos de milho e tapioca estavam uma delícia com o peixe pescado na lama do que foi lago, ensinamentos de Alcino.

Os dois saíram cá fora para ver a suavidade do luar, vinham agarradinhos, e Carmina sentiu alguma de encontro ao seu cruzilhar de vulcão... coisa que tanto desejava, a dias, loucura a caminhar para seus desejos e enlouqueceu puxando-o para dentro da palhota e enquanto ajudava Ornelas a se ver livre de suas vestes, deixou cair seu vestido ficando uma deusa invisível mas palpável onde as pontas dos dedos eram os olhos do coração.

Só os dois poderão explicar aquela noite, de sonhos realísticos de promessas e juras onde carmina prometia ser esposa sempre desejável, ser o sonho, ser aluna, e ser rainha desejada. Mas única do homem que a fez feliz, só tua Amor.

Os dois acordaram de corpo moído, membros doridos de a muito não terem feito uso.

Os dois desceram ver a bomba de água límpida para tomar banho.

Carmina passou por o poço das moscas e saramelas morta, água barrenta e cheia de ciscos, de trombeteiros e mosquitos mortos...

Era desta água que bebia-mos e cozinhávamos antes do saquinho de Alcino se abrir e ele depor aqui esta maravilha.

Alcino mostrou-nos que este vale agora todo deserto, poderia.

conter uma riqueza para a gente que aqui vivia; hoje quase deserto... Ornelas tremia só em pensar... abraçou Carmina e disse; nós poderemos ser deuses ou inferno do universo.

Mas tu Carmina estás destinada a seres a fada de salvação destes desertos.

Estou vendo o que Alcino via... As águas podem ser retidas entre as duas montanhas, na sua descida podem fazer tocar muitas turbinas simultâneas...

Nos montículos podem ser erguidas muitas aldeias, e os vales se encherem de verde ate ao lago, hoje ressequido: os cisnes e flamingos voltaram, a vida e alegria voltara a estas paragens.

Os carreiros dos animais selvagem voltaram a ser as pistas dos turistas... a alegria voltara a esta terra em que nós esta noite fizemos um pacto de amor.

Este lugar quer ver-nos com muitos mais momentos de alegria.

Carmina, nós os dois seremos o que a água é para a terra. Ou o que a terra é para a água... seremos o essencial um para o outro, nem demais nem de menos.

A água da bomba de bambu éra refrescante e como um folgo de energia que dava aqueles dois corpos não satisfeitos de seu desejos, de se amarem...

De volta entraram na palhota e caíram mais uma vez sobre as esteiras...

Vamos deixar estes dois louquinhos... para ver o que se passa entre Alcino Balia e Anisa, a nossa menina-prodígio... Anisa já tinha feito os testes preliminares... e foi considerada um anjo... um envio de deus para os projectos da companhia cinematográfica.

Será que Anisa usara seu saco de artista a favor da pobreza?...

Ornelas poderá movimentar o Parlamento para tornar num Oásis o vale ressequido?

Veremos no próximo Capítulo...

Por: Armando C. Sousa