Alcino XVI...

 

 

Nem sempre nossos desejos vencem; o destino é muito mais forte e sabe bem ao lugar que nos deve conduzir... neste momento Carmina com o sangue fervendo retirou-se da vista dos dois homens para se poder serenar e dar aparências de respeito...

Carmina mesmo quase sem saber o que fazer, suas mãos pousaram sobre um ferro de brunir, primitivo eléctrico... pé-ante-pé foi pegar seu vestido ainda molhado e secou-o ao ferro... vinte minutos depois apareceu com café e umas bolachas que encontrou no jarro, uma garrafa de conhaque e dois cálices... dando os bons dias ao inspector da policia... este olhou-a de cima abaixo, depois de esta virar costas perante a perplexidade dos dois homens; Ornelas apenas disse, é a mulher que me vem fazer limpeza na casa e no jardim.

Fernando batendo no ombro do amigo disse: esta é uma deusa da mitologia negra; se ela tiver tanto de feiticeira como tem de encanto, esta te poderá fazer encontrar na vida um jardim paradisíaco, onde anjos te possam servir.

Amigo, não a deixes fugir dos teus encantos de homem mago do saber e amigo de repartir o saber, mas amigo, nunca uses forca para obter o que desejas, deixa que o destino vos junte e serás senhor da maior felicidade.

Fernando despediu-se de Ornelas. Passou pela cozinha e como doce galanteio disse muito obrigado senhora, o café estava delicioso.

Ornelas chamou... Carmina veio sorridente encolhendo os ombros disse; irias saltar ate ao teto, por agora morreu a ilusão, como sabes ainda sou casada...

Ornelas pediu para se sentar junto a si; deitou-lho o braço sobre o ombro dizendo, cada vez te adoro mais mas estes momentos são sagrados para todos os que por eles passam... este homem era meu amigo Fernando, veio me trazer os resultados sobre a pesquisa feita ao teu pedido de saber do paradeiro de teu marido...

Esta aqui...Lê... Carmina olhando para o papel, não sei ler; vós não deixais as mulheres aprender a ler... Ornelas apertou e disse se queres serei teu professor e poderás envergonhar parte dum governo de mentalidade corrupta machista.

Carmina teu marido desflorou uma criança; foi morto na cadeia pelo pai da criança que o arrebentou com um cabo duma pá.

Carmina abraçou-se em Ornelas chorando, um misto de tristeza de raiva e alegria misturou-se com suas lágrimas... dizendo sempre era pai de meus filhos, algoz de minha vida e causador de tanta miséria.

Neste momento apenas queria depor uma flor como ultimo adeus; depois um homem para servir de pai de meus filhos.

Querida, amor!... Estou aqui, e te amarei com todas as minhas forcas visíveis e invisíveis, com a loucura que me invadiu quando tocou a campainha...

Carmina sorriu... Amor... leva-me depor uma flor na campa se souberes onde, depois vamos dormir em minha palhota... vai comer como eu como... sentires um nadinha o que sentimos, depois visitaremos o lugar que queria ver transformado em luz e pão...

Ornelas levantou-se e deu-lhe as mãos, para Carmina se levantar; este ajoelhou-se e estendendo a aliança que andava com ele desde manha disse.

Carmina, amor; por favor casa comigo, serás a luz de meus olhos, por ti farei todo o possível para minorar a pobreza...

Todo o teu sofrimento vamos procurar transformar-lho em pão saber e amor... dormirei onde tu dormes, comerei o que tu comes, mas tu amor; viverás como eu vivo.

Estes se abraçaram beijos estalaram mas o momento também era de esquecimento e dor... desceram e entram no jeep para ir depor a flor e enterrar a lembrança.

Neste momento Alcino esperava pelos resultados dos testes de saúde de Xavier entretanto nas lojas perto do colégio Balia e Anisa tinham uma multidão a sua volta.

Todos pasmados ouvido esta menina-prodígio tocando e cantado inéditas canções que saíam espontâneas de seu pensar...

Xavier passou com altas marcas de saúde e com a bola mostrava como fazer alguma trivela, seria também um futuro Pelé ou Eusébio...

Anisa seria uma vencedora nos Estúdios cinematográficos... seu saquinho teria muito amor para dar a sua mãe, a seu irmão, e quem sabe, ajudar a transformar aquela montanha em luz e pão...

Entretanto Carmina e Ornelas depois de depor a flor e a pedra para fechar a memória do passado; chegavam com o jeep... e entraram na palhota testemunha de tanta miséria passada e de tanto amor para com seus filhos.

Seria ali que os dois iniciariam um novo ciclo de vida e de amor...

Por: Armando C. Sousa