|
A Cotovia da Minha Rua
"Histórias em poucas linhas"
Sentava-me
na varanda no fim da tarde olhando a rua com mais movimento depois
que as crianças chegavam da escola.
Havia
uma já espigadinha que me chamava mais a atenção
pela maneira sem cerimónias como se treinava ou passava o
tempo na erva de seu jardim.
Tal
vez dez anos mas de riso muito aberto e com enorme delicadeza me
dava sempre os bons dias.
Creio
que se preparava para apresentação na escola... com
o seu gravador, lhes dava musica e compasso para ouvi-la cantar
nos seus passos de dança, com piruetas e as pernas se abriam
ao máximo como se fosse uma profissional de ginástica...
Cada
dia que terminava pegava no seu aparelho, de sorriso aberto me assinava
com sua mãozita em gestos ondulosos de adeus e entrava dentro
de casa.
Haviam
diversos que andavam na rua e paravam a ver aquela cerejinha no
seu pintar a fazer malabarismo com seu corpo como borracha mas onde
não se notavam ossos.
Para
mm, essa cotovia era um espectáculo; adorava essa criança,
que me fazia lembrar as minhas quatro filhas quando crianças
e frequentavam a escola.
Dias
passaram que deixei de ver essa menina; sentia saudades, era o meu
espectáculo de todos os dias.
Vi
um dia que ela muito triste fugia de se encontrar com meus olhos...
No meio de tudo isto, havia alguma coisa estranha; parecia-me ver
preto no seu lado da orelha esquerda;
Quis saber mas então ela mais depressa fugiu para dentro
de casa.
Fiquei
intrigado com o sucedido, mas achei que ela tinha a sua razão
para fugir dos homens; mas eu que a vi quase nascer e crescer sentia
por ela um amor e respeito de como fosse uma filha, daria tudo para
vê-la feliz como o foi tantos anos.
Um
dia peguei no carro para apreciar seu trajecto da escola para casa.
Logo
que ela deixou as amigas, vi um homem sair do nada e a chamar; a
cotovia da rua deitou a correr fugindo.
O
homem fez um esforço para agarrar a mocinha...
Parei
o carro e risquei no telefone o 911, explicado o sucedido... não
houve dificuldade em ser preso o homem, conhecido bem da policia.
A
minha cotovia da rua tinha sido forcada pelo pedófilo e ameaçada
de morte.
Esta
confessou o que lhe tinha sucedido, depois de reconhecer o homem
na polícia como seu estuporo e ladrão de sua alegria
O escritor nada tem a ver com esta história...
Por:
Armando C. Sousa
|