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O Que Sou e o Que Poderei Ouvir
Hoje
nas últimas horas do terceiro quarto, estou feliz, por ter
cozinhado para toda a família; ver filhos e netos todos alegres,
não me reconhecer imprudente, ou tarado.
Apenas
desejando que seja um marco na minha vida e vidas dos vindouros
de meu sangue... se vos disser que houve espanto, será mais
uma verdade.
À
minha idade fui um pouco atrevido, mas nem de longe me confere o
nome de hipócrita; claro que usei a oportunidade para ter
meus filhos e netos debaixo do mesmo tecto e poder gargalhar com
eles.
Odeio
a tristeza, odeio ser pessimista, odeio a severidade, mesmo dentro
da justeza.
Verdade que odeio o fanatismo, mas amo o saber, e tão pouco
sei.
O
que odeio ainda mais, é a solidão, odeio a gente esconder-se
da realidade.
Se
por vezes alguém me considera atrevido, talvez o não
seja... apenas dizer o que faz parte da verdade.
Amo
oferecer o que me sobeja; não para insultar, mas para ver
alguém feliz; amo dividir uma boa gargalhada, e vestir com
a moda, acompanhando a evolução, mas a verdade é
que minha mente nunca mais vai acompanhar a nova tecnologia; os
meus passos estão sendo mais lentos.
Adoro
conversar sobre qualquer assunto para aprender, por vezes sofro
por não ser cauteloso nas minhas maneiras de expor e pensar.
Tantas
vezes se torna complicado o abrir a mão à cautela,
o impulso masculino ainda vive dentro de mim.
Apenas
uma coisa que mastigo e cobiço, e tão pouco como,
verdade cobiço toda a mulher jeitosa; e pode ser madura;
mas apenas como a fruta que tenho, e sempre gostosa.
Sei que serei considerado de urso, ou num almoço como estes
juntos aos filhos.
Os
netos poderão me considerar barrigudo, mas o melhor vovô
do mundo.
Num
almoço como este, a minha satisfação e enorme;
fui regado a beijos e abraços de todo o tamanho, meus netos
me deram balões, amêndoas, castanhas piladas.
Senti-me
enormemente feliz por o meu bolo de adversário ser confeccionado
pelo segundo neto, 17 anos.... Pássaro raríssimo na
juventude de hoje.
De
meus amigos virtuais tive comprimentos de ilustres poetas, e poetizas,
mas dos que menos esperava... obrigado poetas, amigos virtuais.
Desejos
para o meu último quarto do século...
Que
a verdade nunca morra as mãos da mentira, que a miséria
seja enterrada a sete palmos de fartura, que quem usa hipocrisia
para se fazer notado, fique de boca aberta.
Ao reconhecer como e pequenino.
Que
o amor e o desejo deitem mãos e nunca se separem... que o
fim de cada ser nunca traga dor, todos os abraços e beijos
tragam felicidades.
Por:
Armando C. Sousa
Em - 05/04/2008
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