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No Último Quarto
De
Vida
Meus
amigos e familiares; estou já a entrar no último quarto,
que o sol aquecera a água tornada em moluscos sanguíneos
que me ajudam a pensar
75
anos e nunca soube como entra o pensamento.
Nunca
soube porque inteligências usam tudo a favor do mal descaradamente
Outros
usam o mal vestidos de ovelhas mansas, iludindo o resto de um povo
Que
foi marcado pelo medo, e este medo usa a palavra esperança
para o cobrir
O
mundo do medo, inventou tantas palavras que as não sabem
explicar
E
portanto as procuram usar a seu modo, porque sabem que uma maioria
esta embutido nessas palavras e as usam como naturais...
Nestes
meus 75 anos de vida perguntei muitas vezes o que e essa alma de
que toda a gente católica fala?...onde foi vista?... Como
e ela?...em verdade, sem usar o medo
Onde
se situa em nos essa alma?...a verdade e que valeu insultos desses
que se dizem poetas, mas teriam dificuldade de o ser sem essas palavras...
Nunca
recebi uma resposta válida.
A
mais aproximada resposta, foi a dum padre que lhes foi retirada
a gola...
Alma,
e o ser onde nos nasce o pensar, como o vento que se sente e não
se vê.
Como
electricidade, que te pode electrocutar sem a veres, e te ilumina...
isto e obra de deus e não tem mais explicação.
Ou
por outra palavra, a alma te deixa mais sossegado para não
entrares na loucura da morte e desesperares...
Terminando,
acredito num ser superior cheio de perfeição nos seus
detalhes, nisto que nossos olhos vêem e não conseguem
compreender... dizendo; daqui para cima ou daqui para baixo, quase
nada sei
Tornando,
disse antigamente era fácil de explicar a tese da existência
de deus e os milagres...tornando a ignorância mais ignorante...
hoje e muito difícil com a inteligência dos homens.
Estes
fazem os cegos verem, os mortos viverem, as imagens aparecem a milhares
de quilómetros de distância, o que antigamente dizíamos
que as sentíamos quando estávamos na graça
de deus... que chamávamos milagres...
Hoje
temos tinta invisível, cores das mais ricas invisíveis,
o som e rico e igual a volta do universo... coisas nunca imagináveis.
Uma
grande parte continua a dizer, este e o poder de deus... bom eu
digo talvez seja...
Mas
então porque esse deus continua a ser tão cruel?...
Foi
com os que viveram 100 anos atrás... porque e tão
cruel com três bilhões de mulheres ainda escravizadas
pelos homens neste momento...
Da
minha parte, creio que o melhor ensinamento e a honestidade entre
homens e mulheres.
A
honestidade entre trabalho e trabalhador, entre patrão e
subordinado.
Entre
a lei e o gentio, a verdade nunca poder ser recriminada... porque
só a mentira esta contra a verdade.
Vais
perguntar se sou perfeito... não, não existe perfeição
neste humano universo.
Mas
quase com 75 nunca conheci cadeia...apenas umas conversas com a
polícia de trânsito; irregularidade minhas e deles.
Fiz
sempre meu possível para dar pão aos filhos, e lhes
mostrar um pouco o mundo, sempre com a colaboração
de minha esposa de 49 anos...
Pássaros
raríssimos, nós somos neste vale de lágrimas
e traição.
No
dia que vai anteceder aos meus 75 anos que nasci do nada, ou de
um pouco do leite da cabrinha branca de minha mãe, umas batatas
e uns feijões; enfim vim da natureza.
Como
ia dizendo estarei no meio de minha família directa aqui
no Canada; filhos filhas genros e netos.
Para
eles vou cozinhar pela última vez creio, a não ser
que minha esposa melhor e me possa ajudar; quero sentir mais uma
vez seu calor, a alegria de filhos sentados a minha mesa, que este
dia seja um motivo; possam falar do último almoço
a que o pai e vovô foram o cozinheiro.
Que
este exemplo sirva no futuro de união entre família.
Pois
estas reuniões tem mais calor, mais amor e podem demonstrar
que a solidão e nosso maior inimigo.
Esperando
que todos os que entrem no ultimo quarto de vida deixem como exemplo
à juventude.
Que
sabemos cozinhar, e que os mantivemos desde a nascença, foi
nossa geração que foi a lua, foi nossa geração
que explorou o urânio e inventou a tinta invisível,
o computador, imagens a tempo real.
Já
não falando da penicilina que foi o milagre do tempo.
Afinal
somos nos que vamos sentir a dor quando nossas mãos trémulas
já não poderem fazer a comida e meter para a boca,
as pernas já não tiverem forcas, a mente já
não der aos olhos o conhecimento que tinham, na voz o cheiro
e no ouvido, não falando no tacto.
E
muitas vezes tornaremos num vegetal sem aquilo que tantos chamam
alma, o sentir, o sonhar e aquela parte secreta donde nos vem o
pensar.
Tudo
termina numa escuridão e voltarmos a ser microrganismo, erva
vegetais bichinhos e animais.
Até
voltarmos em atóis cósmicos ao seio do vulcão
humano, esperando pela explosão do amor e do desejo.
Por:
Armando C. Sousa
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