Foi o Destino
XVII


Estamos aproximar-nos do fim de Junho, as escolas estão com os últimos dias de ensino e exames, a criançada espera um verão maravilhoso e ferias das mais imprevisíveis.

José a cada dia, de mapas nas mãos procura ver que os pormenores da obra que seu pai quer erguer para aproximar mais a família, esteja todo de acordo com os projectos do arquitecto e engenheiros.

Esqueci-me de vos dizer que José tinha passado mais de um ano estudando como ler e escrever planos de construção.

O acidente com sua primeira namorada retirou-lhe todo o incentivo da escola, depois a traineira de seu pai, o trabalho nas areias de petróleo, o furo, foi o encontro do destino, o amor outra vez a nascer; amarras de família, e os desejos de seu pai estavam sendo construídos de vento em popa, nas mãos de José em papel estavam os pormenores que iriam sair das mãos dos artistas empregados na obra.

O primeiro piso estaria completo com placa justo na noite de S. João...mas a grande noitada seria no sábado, mas na noite de S. João haveria vinho e dança nas proximidades do que vai ser Café Restaurante da Família Carvalhal e como no contrato haverá aposentos para os patrões de Dulia, que se encontravam, ansiosos de ver a festa da chegadas das baleias, muito pertinho dos estuários.

O aeroporto situava-se a 75 quilómetros do local, perto mesmo... mas a autarquia propôs construir um (helidromo) campo de pouso de helicópteros, que seria asfaltado mesmo esta semana.

O povo da aldeia olhava contente com o desenvolvimento.

As pequenas alamedas e canteiros cheias de flores, quase que se abarcavam o riacho que se tornava num lagozinho, onde já tinham plantado peixes multicores, já dava um tom de garridice as gentes que vinham das aldeias vizinhas, constou que haveria rusga de pois do trabalho findo do primeiro piso...

Os pescadores posarem a disposição meia Dulia de caixas de sardinha,...haveria bacalhau fresco para assar e sopa de das guerras e cabeça... cabeça para a sopa o rabo para a brasa.

O padre Valentim quis se juntar aos seus paroquianos oferecendo um barril de cerveja... receita que o padre aprendeu no seminário...

Mal o ramo principiou a subir para cima do piso os foguetes vindos de Portugal subiam ao ar, alertando ainda mais o povo...a autarquia acendeu pela primeira vez a iluminação das alamedas e canteiros, o lago também estava eliminado e lindo...

O barril do vinho e da cerveja do padre Valentim, veio dar ao lugar a alegria de outros tempos... a alegria das campanhas bacalhoeiras, da chegada a aldeia dos barcos Portugueses para assintais aos festejos do santos populares e a mistura com as mocas do lugar...Belos tempos, dizia o Senhor Carvalhal...

José de comunicava com sua namorada a cada dia... mas nesse dia não havia meio de a encontrar ao telefone.

Eram cerca de meia-noite, já todos dançavam ao som da concertina do Senhor Carvalhal.

Fátima não perdia um bocadinho de se esconder com o Tino das Baleias...

José muito satisfeito enchia as canecas e vigiava aqueles que bebiam um pouco a mais. E logo lhes dizia na próxima hora não serás mais servido...

A Mãe de Dulia também lá estava com a menina que estava um riqueza... era mesmo uma boneca princesinha... admiração e alegria do arraial...Todos cantavam modas do S. João a noitada anunciada para o próximo sábado, de improviso mudou o dia para festejar a grande obra da aldeia piscatória.

A temperatura estava amena, acima dos vinte e dois célsius.

O telefone tocou... José ofegante atendeu...era sua amada Dulia que falava com muita emoção... se desculpando e ao mesmo tempo dizendo; estamos no aeroporto, já a seguir para o helicóptero... em meia hora estaremos a chegar...

Estamos todos equipados com barracas para acampar e nos guardar do relento da noite...

Amoreeeeeeeeee dizia Dulia ao telefone; esta noite poderemos dormir agarradinhos... e o tempo aproxima-se do nosso casamento... eles já tem criada; já poderei ficar em casa de minha mãe.

Mas Carolina marido e filhos querem passar uns dias acampados, depois querem ir fazer uma visita a Israel... terra de seus antepassados.

Tino baleia e a irmã Fátima tomaram conta das canecas; os BBQ trabalhavam a todo o fogo, houve um vizinho que estava para cozer a fornada e a tornou em bolo quentinho que fazia a delícia com as sardinhas e o bacalhau fresco assado.

De momento uma luz se viu surgir a sair da montanha que apenas José estava atento de a ver surgir, e logo um som esquisito ta, ta, ta, ta, ta... era o helicóptero com seu amor e seu amigos... o homem que talvez iria transformar aquela aldeia piscatória, em um local turístico.

Muitos correram em direcção do heliporto; queriam ver a primeira aterragem, desta infra-estrutura, não ainda baptizada; um sonho do presidente da Câmara.

O padre Valentim apresentou-se aos visitantes e deu a sugestão que armassem as barracas dentro da igreja, o Senhor Carvalhal ofereceu-lhes o seu quarto... mas estes estavam determinados a dormir ao ar livre, e acamparam nas alamedas junto ao lago artificial onde agora já alguém se lembrou de fazerem um pequeno campo para campismo.

A alegria de Dulia e sua filha foi enorme... esta foi abraçada por muita gente da aldeia que muito estimava à família Carvalhal...

Enquanto muita gente se divertia naquele ambiente festivo; Dulia A Filha e José se escapavam para casa de sua mãe que já dormia nos aposentos do Sr. e Sra. Carvalhal.

A menina dormia com os anjos no céu bercinho de (avoni) madeira estrangeira construído pelo José.

Mas os nossos pombinhos já rompiam a madrugada quando caíram a dormir.

 

Por: Armando C. Sousa
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