Verdade
era seu grande amigo de infância, seu amigo de correrias,
de caçadas, seu amigo de pesca, que frequentou a mesma
escola; embora Taky fosse um Inuita, e sua infância tenha
sido bastante atribulada, uma família de pescadores adoptou
esse rapaz, que sendo brilhante na escola, numa viagem ao norte
do hemisfério com seus pais adoptivos...
Taky
desapareceu por umas horas, seus pais adoptivos cheios de medo
de o ter perdido choravam, quando este imergiu do fundo dum Iglo
com uma cachopa dos seus 11 anos idade... a essa idade era habito
os casamentos dessa gente... a velhice dos Inuitas na época,
nunca ia alem dos 44 anos, então era preciso principiar
a viver cedo; a mocinha já era que confeccionava as vestes
de peles de urso e seus sapatos de pele de (Caribu) Render, curava
o peixe e trabalhava nos artefactos de pedra e pintura.
Então
também poderia viver os prazeres do sexo.
Taky
deixou-se cair nas artimanhas da moca, que tantas vezes tinha
acordado ao som dos gemidos de sua mãe debaixo das peles
que os aqueciam do frio muitas vezes a menos 50° célsius
apenas aquecidos pela candeia ardendo com a gordura da foca para
não fazer fumo.
Taky
pediu desculpas a seus pais adoptivos, e disse; nos conhecíamos,
nos separamos, tinha ela cinco anos, eu tinha oito, mas vivia
sempre as brincadeiras de criança que já queríamos
ser pais, hoje ela me arrastou, e não a quero deixar mais;
Só
vos pedia um foucão quero construir nosso Iglo.
Desde
essa altura José o tinha encontrado meia dúzia de
vezes, mas a cada vez estreitavam mais sua amizade.
Taky
desceu mais perto do povoado, para ver se pescava onde o gelo
era menos espesso, a comida estava a escassear, e o peixe era
muito pouco para manter a família, assim mesmo correndo
riscos de quebrar a lei, procurou caçar uma bebe foca toda
branquinha, daria comida e o melhor casaquinho para sua menina
de dois anos.
Taky conseguiu cubar o animal mas deu um estorcegão que
o impedia de caminha para seu moto neve.
Foi
nestas condições que foi socorrido pelo seu amigo,
e sua companheira Dulia...
Taky disse as focas comem todo o peixe, a pontos de não
ter-mos o suficiente para vender e viver da pesca... os Caribus
escassearam, as focas aumentaram consideravelmente, destruindo
os cardumes de peixe, que era nosso meio de viver... a cota de
caça de focas tem de ser maior, ou o peixe desaparece completamente
destes sítios.
Precisamos
de uma bom balanceamento do ambiente marinho; mas essa gente que
nada percebe, e é muita através do mundo; tem feito
uma campanha contra essa caça de cubar os bebes focas que
muito nos tem prejudicado.
Agora
estarei aleijado, não sei como alimentar minha família.
José
e Dulia ajudaram seu amigo ate a seu moto neve, pegaram na foca
e a colocaram no trenó; levaram seu amigo Taky a um posto
hospitalar para ser socorrido...que ficava perto de sua casa...
Encheram
o seu trenó atrelado com comestíveis necessários,
Dulia pela primeira vez manejava o moto neve pois Taky não
poderia usar forca no seu tornozelo por uma semana... era a páscoa
e José não se esqueceu das amêndoas para as
crianças de seu amigo, que ficaram loucas, coisa que nunca
tinham chupado.
Desde
esse dia Taky estava convidado a seu casamento que teria lugar
no primeiro feriado de Setembro... abertura planeada de seu café
restaurante.
Já
era bastante tarde quando José e Dulia chegaram para o
almoço, que afinal foi quase jantar.
Estes
dois pombinhos não sentiam a fome; o coração
transbordava de alegria de ter feito o possível a seu amigo;
Dulia sentiu-se feliz por ter encontrado uma quase criança
já com três crianças.
Sentiu
a diferença do palácio de neve onde dormiu pela
primeira vez com José e o iglo do amigo do seu bem-querer.
O
dia de páscoa foi de festa para toda a aldeia, nada faltava,
mesmo a temperatura amornou, talvez a alegria de beijar da cruz...
da ressurreição de Jesus.
Pelas
dez horas aterrou o helicóptero com Carolina e marido e
filhos, que vieram abrir a terra que traria prosperidade a aldeia,
e onde a família Carvalhal poderia viver junta e feliz;
o Padre Valentim lá estava e quase toda a aldeia partilhava
de tanta alegria.
Os
copos nunca estavam vazios, mas a multidão já cantava
e se cumprimentavam.
Dando o aleluia e o renascimento da amizade e da esperança.
A
terra que foi hoje heliporto será em Setembro o salão
do jantar de casamento de José e Dulia...esta beijou seu
anjo, abraçou os presentes, entrou no helicóptero
seguido para cumprir seu dever, deixando a tristeza estampada
em muitos rotos.
Setembro
chegara depressa para mais um capítulo do que foi seu destino.