Foi o Destino
XVI

A Caçada

 

Verdade era seu grande amigo de infância, seu amigo de correrias, de caçadas, seu amigo de pesca, que frequentou a mesma escola; embora Taky fosse um Inuita, e sua infância tenha sido bastante atribulada, uma família de pescadores adoptou esse rapaz, que sendo brilhante na escola, numa viagem ao norte do hemisfério com seus pais adoptivos...

Taky desapareceu por umas horas, seus pais adoptivos cheios de medo de o ter perdido choravam, quando este imergiu do fundo dum Iglo com uma cachopa dos seus 11 anos idade... a essa idade era habito os casamentos dessa gente... a velhice dos Inuitas na época, nunca ia alem dos 44 anos, então era preciso principiar a viver cedo; a mocinha já era que confeccionava as vestes de peles de urso e seus sapatos de pele de (Caribu) Render, curava o peixe e trabalhava nos artefactos de pedra e pintura.

Então também poderia viver os prazeres do sexo.

Taky deixou-se cair nas artimanhas da moca, que tantas vezes tinha acordado ao som dos gemidos de sua mãe debaixo das peles que os aqueciam do frio muitas vezes a menos 50° célsius apenas aquecidos pela candeia ardendo com a gordura da foca para não fazer fumo.

Taky pediu desculpas a seus pais adoptivos, e disse; nos conhecíamos, nos separamos, tinha ela cinco anos, eu tinha oito, mas vivia sempre as brincadeiras de criança que já queríamos ser pais, hoje ela me arrastou, e não a quero deixar mais;

Só vos pedia um foucão quero construir nosso Iglo.

Desde essa altura José o tinha encontrado meia dúzia de vezes, mas a cada vez estreitavam mais sua amizade.

Taky desceu mais perto do povoado, para ver se pescava onde o gelo era menos espesso, a comida estava a escassear, e o peixe era muito pouco para manter a família, assim mesmo correndo riscos de quebrar a lei, procurou caçar uma bebe foca toda branquinha, daria comida e o melhor casaquinho para sua menina de dois anos.

Taky conseguiu cubar o animal mas deu um estorcegão que o impedia de caminha para seu moto neve.

Foi nestas condições que foi socorrido pelo seu amigo, e sua companheira Dulia...

Taky disse as focas comem todo o peixe, a pontos de não ter-mos o suficiente para vender e viver da pesca... os Caribus escassearam, as focas aumentaram consideravelmente, destruindo os cardumes de peixe, que era nosso meio de viver... a cota de caça de focas tem de ser maior, ou o peixe desaparece completamente destes sítios.

Precisamos de uma bom balanceamento do ambiente marinho; mas essa gente que nada percebe, e é muita através do mundo; tem feito uma campanha contra essa caça de cubar os bebes focas que muito nos tem prejudicado.

Agora estarei aleijado, não sei como alimentar minha família.

José e Dulia ajudaram seu amigo ate a seu moto neve, pegaram na foca e a colocaram no trenó; levaram seu amigo Taky a um posto hospitalar para ser socorrido...que ficava perto de sua casa...

Encheram o seu trenó atrelado com comestíveis necessários, Dulia pela primeira vez manejava o moto neve pois Taky não poderia usar forca no seu tornozelo por uma semana... era a páscoa e José não se esqueceu das amêndoas para as crianças de seu amigo, que ficaram loucas, coisa que nunca tinham chupado.

Desde esse dia Taky estava convidado a seu casamento que teria lugar no primeiro feriado de Setembro... abertura planeada de seu café restaurante.

Já era bastante tarde quando José e Dulia chegaram para o almoço, que afinal foi quase jantar.

Estes dois pombinhos não sentiam a fome; o coração transbordava de alegria de ter feito o possível a seu amigo; Dulia sentiu-se feliz por ter encontrado uma quase criança já com três crianças.

Sentiu a diferença do palácio de neve onde dormiu pela primeira vez com José e o iglo do amigo do seu bem-querer.

O dia de páscoa foi de festa para toda a aldeia, nada faltava, mesmo a temperatura amornou, talvez a alegria de beijar da cruz... da ressurreição de Jesus.

Pelas dez horas aterrou o helicóptero com Carolina e marido e filhos, que vieram abrir a terra que traria prosperidade a aldeia, e onde a família Carvalhal poderia viver junta e feliz; o Padre Valentim lá estava e quase toda a aldeia partilhava de tanta alegria.

Os copos nunca estavam vazios, mas a multidão já cantava e se cumprimentavam.

Dando o aleluia e o renascimento da amizade e da esperança.

A terra que foi hoje heliporto será em Setembro o salão do jantar de casamento de José e Dulia...esta beijou seu anjo, abraçou os presentes, entrou no helicóptero seguido para cumprir seu dever, deixando a tristeza estampada em muitos rotos.

Setembro chegara depressa para mais um capítulo do que foi seu destino.

Por: Armando C. Sousa
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