Alcino de Aldibela VII

Os Efeitos do Sonho

 

Perdão; sei que estou em falta com meus leitores; mas o anjo que já formatou para meus escritos mais de 1.300 contos e poesias, tem andado sub-carregada com trabalhos inquietudes e tristezas; assim me tenho deixado arrastar na mesma bola de neve; sem vontade de escrever.

Leitores, creio que bem vos lembrais que Alcino e seu grande amor de esposa.

A jovem e lindíssima Balia, filha do Sr. De Vermoim foram surpreendidos e presos pelos guerreiros indígenas que viviam de maneira muito primitiva, sem as mais pequenas invenções ou conforto.

As mulheres mais idosas, todas pintadas para encobrir as peles que restavam dos peitos, as mais novas eram quase naturais, alem do fio de tinta na cinta e muita tatuagem na cara conforme sua idade.

Os homens com mil e um ornamentos nos beiços, nas orelhas e sobrancelhas; nos genitais, com um elo de bambu, que impedia de ser notados os seus desejos.

Estes viviam da caça e da pesca, as flechas envenenadas eram atiradas com o sopro e o peixe eram fisgados com as lanças de bambu.

De resto moviam a cada passo para lugares onde existisse caca e fruto com bananas.

Então Alcino bem seguro por quatro indígenas, foi amarrado a um posto com o sisal de palmeiras de coco.

Balia foi levada a um palanque onde se encontrava, um homem muito forte e a sua volta toda a qualidade de fruto servido por duas jovens sem tatus ou pintura na sinta.

Estas eram a natural de mulher com cor de cobre.

O rei veio pôr-lhe as mãos sobre o cabelo louro e suas vestes de seda, esta bruscamente lhe retirou as mãos, dizendo-lhe na sua língua, esmigalho-te o que tens se me humilhas.

Este mandou que esta fosse livre, e depôs dois guerreiros com lança, um de cada lado.

Depois de liberta, pondo-se a escutar o feiticeiro, que dizia que ia matar o diabo branco... dizendo que depois poderia ser deus de seu povo.

Então Balia lembrou-se das palavras das palavras da madrinha de Alcino... que ela teria poder de compreender, mas teria de ser forte para libertar seu amado.

Levantou as mãos e em vos fortíssima, dirigiu-se ao povo; dizendo... ajoelhai... eu sou a Deusa da catarata... todos tem de obedecer, ou haverá consequências.

Neste momento muitos se ajoelharam menos um grupo que se encontrava junto do feiticeiro que já se encaminhava com lança de bambu e saco de bruxarias.

Balia neste momento, viu o perigo que corria seu amado, deitou mãos das lanças dos guerreiros que a guardavam, foi com tal forca que estes bateram com a cabeça um no outro e desmaiaram.

Esta era uma hábil atleta em esgrima e certeira com a lança... lembrando-se dos torneios, atirou uma lança que atravessou uma orelha do feiticeiro deixando a sangrar.

Com a outra lança atravessou o arraial fazendo da lança um varapau deu cacetada em todos que desobedeceram as ordens de ajoelhar.

Agora todos tremiam acreditando nas palavras da deusa... menos o feiticeiro... homem maldoso e esperto, queria todo o poder para si... só não o tinha porque o rei era homem muito forte e sempre cortava suas investidas.

Balia se aproximou, e o desafiou, que traiçoeiramente atira os carvões e poses do feitiço aos olhos de Balia, felizmente foi atingida apenas num olho, e com a ponta da lança deu-lhe por debaixo da barbela, que o deixou a sua mercê no chão.

Esta mandou que o feiticeiro fosse agarrado e o trouxesse aos pés do rei.

Dizendo, tu és o rei, eu apenas sou a deusa das cataratas, e aquele que veio comigo e o magico que vos vai ensinar como viver.

Tu o rei, tens direito a uma rainha, mas só a uma... todos te obedecerão o que o não fizer podes castigar, mas lembra-te que deves obedecer a teu deus...

Eu sou a deusa, mas acima de mim existe o deus dos trovões e do fogo que pode castigar todos que desobedeçam.

Agora Rei te digo; este homem e peçonha mentiroso, traiçoeiro, é esperto, só que o seu saber o usa no mal... é egoísta demais para estares confortável.

O rei disse aqui todos são livres de obedecer a seu rei e seu Deus, quem não quiser obedecer pode seguir, e deixar de pertencer a esta nação.

Eu obedecerei a nossa deusa, apenas haverá uma rainha e como eu respeitarei minha rainha, todos os homens terão de respeitar a mulher que escolheram...

Ninguém se casara sem que a mulher traga a cinta pintada que quer dizer que a mulher já lhes chegou a fertilidade...


Próximo capítulo VIII

OBS: Leia (AQUI) os 3 primeiros capítulos deste conto

Por: Armando C. Sousa