Alcino de Aldibela XII

Alegria e Inveja

 

Cada dia que a aldeia crescia com mais saúde; os mais velhos ensinavam os mais novos, sobre os segredos das ervas e frutos para bem da saúde.

Todas as coisas comestíveis tinham o seu termo e tempo que deveriam ser aplicadas para não fazerem mal, o pão de cada dia não deveria ser só pão’ nem tudo que parecia agua, era água.

A água deveria ser conhecida pelo cheiro, porque não tem cheiro... certas águas enlouquecem ou matam.

Os frutos que os pássaros picassem poderiam ser comidos, mas nem todos têm bom gosto.

Todas as carnes poderiam ser comidas, menos certos sapos... mas nem todos os órgãos deveriam entrar no sistema sanguíneo do homem ou mulher.

Toda a água poderia ser filtrada, mas nem toda deveria ser usada, porque continua quinada.

As mulheres com mais gosto pela vida, iam em bandos para as margens das aguas das grandes quedas e encontravam pedrinhas que as tornavam em lindos colares, usando-as em vez de pinturas.

Balia a adorada Rainha das grandes quedas; ensinava as crianças e moças certos cânticos que aprendera com as moças de Aldibela da Fraga.

A alegria era visível nos traços de risos das gentes de bom coração; mas nem tudo estava certo, a inveja mordia certos endivido-os...

Sempre perguntavam... o que será feito da nossa cultura milenar?...

E procuravam revoltar as gentes contra as ordens do rei e contra os ensinamentos de Alcino e Balia...

Alcino, por vezes tirava do saquinho, espelhos que distribuía pelas moças, estas se encantavam a olhar seus colares de pedras e duras sementes.

Um dia Alcino com um conjunto de homens resolveu ver o que havia para alem da montanha que fumegava... mas a lava que escorria por traz duma pequena montanha os fez desviar para o lado que corria a agua das grandes cataratas, então numa planície formada pela cinza do vulcão encontraram um sem fim de erva e muitas poucas árvores, mas as poucas que existiam eram amoreiras onde se criavam casulos de seda.

Tantos eram que a erva lhes servia de alimento aos bichinhos...

Estes foram recolhidos e enviados a Aldeia por quatro homens... Alcino retirou do saquinho uma roda, depois outra, um eixo; com bambus formaram um carrinho, e sem sacrifício usaram o primeiro transporte... estes casulos iriam confeccionar as vestes sedosas e coloridas dos indígenas do país das grandes quedas.

A expedição continuou, mas pouco tinham andado se detiveram; aquela erva servia de pasto a um bando de Zulus que pachorramente bebia num charco de água formado pela chuva.

Precisavam de um plano para os aprisionar; mas seria preciso mais gente para o fazer.

Estes voltaram à aldeia; todas as mãos hábeis teriam de trabalhar no mesmo plano, este consistia de fabricar cordas de sisal, precisavam de os apertar ate a charco e ali laçar o que poderem...

Esta foi a primeira parte do desenvolvimento, mesmo apesar dos que apenas queriam guardar a cultura... de andar de pénis coberto pelo bambu e as mulheres de vergonhas pintadas, e as mulheres mais velhas de peles ao peito que serviriam para figas.

Foi então que Alcino pediu ao saquinho um pouco de saber.

Enfim nunca ninguém está contente com o que tem… no meio desta gente havia alegria e muita inveja…

Alcino recebeu o fumo, que do saco saía; o derramou sobre a cabeça das mulheres da aldeia, estas se organizaram tecendo as cordas que serviriam para fazer a batida aos Zulus.

Que deveriam ser animais de abate e trabalho como nos nossos dias os bois...

Os homens continuavam a desbravar a terra... A carne das focas era deliciosa... a noite já acendiam iluminação... candeias ardiam com a gordura das focas...

Já principiava a ver-se peixe nas redondezas onde estas mergulhavam... as crianças dormiam como anjinhos nos colchões feitos de suas peles...

Mesmo assim, haveriam sempre maus dissentes roídos de inveja.

Balia ensinou a coser os casulos, e a bobinar os fios de seda que iriam cobrir em princípio a criancinha que Alcino e Balia ajudaram a vir ao mundo.

A missão seria grande, mas à noite Alcino e Balia adormeciam abraçados de satisfação.


(Próximo Capítulo XIII)

OBS: Leia (AQUI) os 3 primeiros capítulos deste conto

Por: Armando C. Sousa