Alcino de Aldibela X

O Parto

 

O dia amanheceu risonho e quente... Alcino e Balia acordaram ainda abarcados, e riram-se ao lembrar-se do sonho.

Ainda suavam nos ouvidos as palavras da fada... o que cresce em ti será a rainha deste Pais... Falaram que o Feiticeiro morreu... e não fazer mais vinho...

Preparam-se e foram a fonte que tinham preparado, tomaram banho e voltaram com uma cabaça de água fresquinha...

Antes de serem presos pelos indígenas tinham posto no borralho de uma fogueira cerca de dúzia e meia de ovos que encontraram na floresta.

Acordaram os guerreiros que ainda dormiam, com o efeito do vinho...

Foram tratados com água fresca e ovos duros...

Coisa surpreendente ao acordar, tiveram os nossos heróis de Aldibela... o milho semeado já tinha grandes espigas... de certeza já faria uma delicia assado ou cosido.

As cenouras estavam grandes como beterrabas.

O animal que tinham preso que lhe deram o nome de Zulu... por ser esquisita a sua forma... tinha corpo de vaca, mas com pelos de ovelha com cornos nos ombros mais, pescoço e cabeça de girafa... este tinha os obres cheios...

Estes tinham preparado um lugar para o poder urdir em caso de ser bravio...

Mas este era muito dócil... mesmo mansinho se deixou tocar e acariciar.

Duas cabaças foram cheias com o leite do Zulu e as transportaram.

Então fazendo uma carruagem com bambus carregaram o corpo cadáver do feiticeiro, e o levaram para a Aldeia, para entregá-lo ao Rei... para que toda a gente visse que era 4m homem cheio de hipocrisia e ódio... o Rei poder demonstrar como exemplo.

Houve um homem que acompanhava o feiticeiro que se arrependeu, e voltou para pedir perdão ao Rei e contar o que se passou...

O rei o ouviu dizendo... teu castigo por teres desobedecido será... durante duas luas se fores visto a tocar em mulheres ou perto delas serás condenado a morrer...

No fim de teu castigo terás direito a mulher que te perdoar publicamente.

Nessa manha... Alcino e Balia estavam dispostos a fazer daquela gente; humanos fiéis servos da sociedade.

Depois de tudo preparado... de ter examinado muitos dos bambus da zangada e ver que existia diferentes sementes lã e agulhas para tricote, e agulhas de peles... estes seguiram para o acampamento indígena.

O dia estava lindo, entraram dentro da floresta quase impenetrável de bambus seguindo o corte que tinham feito, foram ter as águas vaporosas e quentes onde nos primeiros dias se deliciaram e dali o carreiro era mais largo ate a Aldeia...

Nas águas haviam dois perus que se deliciavam a nadar e debicavam nos lírios amarelos das margens...

Alcino Fez sinal e duas flechas de repuxo saíram certeiras... a aldeia hoje teria festa, com tanta delicia.

Estavam perto quando ouviram gritos de desespero e dor... Alcino e Balia correram para o local dos gritos ao ver uma mulher a marrada a um coqueiro...

Estava com as dores de parir, era dessa maneira que a mulher teria de enfrentar.

O prazer de ser mãe... presa e sentada num enorme coco...esperando que seu rebento viesse a luz caído numa folha de bananeira...

Balia correu para a mulher, desamarrou-a, deitou sua capa no chão sentando a mulher

Que dava a impressão ser ainda bastante jovem... talvez nos pouco mais de vinte anos.

Todos pararam, os homens da tribo conheciam os hábitos, e procuraram por alguém escondido que apenas apareceria depois do parto...

Mas se houvesse alguém tinha desaparecido depois de ver a Princesa das cataratas.

Assistir a esta mulher com todo o carinho, que em poucos minutos levavas aos braços de Alcino Um maravilhoso bebe enquanto assistia esta mulher; que agora já sorria de tanta alegria, dizendo o Rei vai ficar contente.

Sem duvida aquele bebe era filho do rei...

O rei, nesse bebe, poderia ver sua imagem...

Mas coitadinho filho de um rei... nu sem nada o cobrir... Ho... se minha madrinha aqui estivesse não deixaria isto acontecer deste jeito, haveriam panos e baetas para o trazer sempre enxuto...

Uma voz se ouviu... Alucino... estarei sempre no teu pensar e no teu coração... teus desejos serão ordens para esta criança... mas os homens e mulheres tens de os ensinar tu, encontra os meios; transformando tudo em realidades da vida...procura que esta gente nunca seja educado em crenças...

Ensina-lhes que com o trabalho, e seriedade poderão obter tudo na vida.

Tudo estará na tua mão, poderás ensinares direito esta gente... nunca te arrependas de procurar castigo para os invejosos e mal dissentes... terás no rei o mais serio seguidor de teus exemplos, e as mulheres adoram Balia.

Tudo que faz falta a esta criança estará atrás do penedo. Alcino lembra-te que os animais terão de servir o homem em toda a maneira do viver... serão muito mais úteis que os peixes... uma pele de foca é para esta criança... mas muitas mais terei de caçar porque estas são demais, e consomem mas de cinco quilos de peixe cada uma por dia.

Lembra-te sempre de mim Alcino, e tu e Balia sereis sempre bem sucedidos...


(Próximo Capítulo XI)

OBS: Leia (AQUI) os 3 primeiros capítulos deste conto

Por: Armando C. Sousa