Alcino IV...

 

Carmina e a Anisa rodopiavam par ver seu novo vestido fazer balão, se juntavam e se cheiravam para sentir o belo cheiro da frescura que poucas vezes tiveram o prazer de sentir... entretanto Alcino e Balia lá ficaram com seu pensamentos... pensavam... porque haver tanta miséria...

Pensavam em si mesmos... da Igualdade de Aldibela... no descer das grandes cataratas sem fim... na aldeia indígena... e agora vivendo como animais na árvore... comendo o que eles comem, vivendo como eles vivem.

Mas ao mesmo tempo pensavam, nada é tão mau que não possa ser ainda pior...

Tinham duas coisas a seu favor... viajar nas assas do luar... e por um desejo no saquinho que o possam retirar usando-o a seu favor... Alcino sabia que não poderia salvar o mundo, mas que poderia dar exemplos que todos poderiam dar, tornando a vida mais suave...

Entretanto Alcino e Balia debruçaram-se no desejo que deveriam por e retira do saquinho que a fada madrinha deu para fazer bem ao mundo que suas vidas por coincidência fizerem parte do seu caminhar.

Entretanto Carmina pegou na esteira e foi à feira próxima da cidade para ver se poderia vende-la e comprar alguma farinha para matar a fome a ela e a seus dois filhos

Carmina apregoava a esteira de junco por apenas dez escudos... depois de muito apregoar... um senhor de meia-idade alto mas de triste semblante se aproximou e disse, eu não preciso, mas vou te comprar a esteira para te ajudar...

Carmina disse... se não precisas porque vais carregar isso para casa?... Um ar de riso ainda com mais tristeza foi a resposta... Carmina disse deixa, que eu sempre a irei vender...

O homem muito triste disse, pensei que precisarias de trabalho, e desde que minha esposa morreu minha casa e um desalinho... nunca tivemos filhos, mas nunca quisemos saber de quem seria a culpa... assim vivíamos nos amando... ela morreu com câncer de mama... já lá vão dois meses e hoje é a primeira vez que saio de casa.

Tinha necessidade de falar, de principiar a viver ou de morrer... as lágrimas corriam copiosamente...

Carmina virou a cabeça para esconder sua comoção...ele continuou- sou um deputado e professor de universidade... então pedi tempo para me recompor... achei-te tão airosa que resolvi falar para te pedir se queres trabalhar alguns dias por semana na minha casa.

Carmina respondeu; hoje quero vender a esteira para comprar farinha para casa

Deixa ficar tua direcção que te responderei em dias.

Este retirou um cartão o entregando a Carmina e disse, cheiras a uma mulher fresca... olhou-a com tristeza e partiu...
Carmina pensava, pensava olhando o cartão na mão... bateram-lhe no ombro e disseram talvez seja a medida para meu caramanchão, vou leva-la...

Pagou o combinado enrolou-a e partiu...

Carmina Comprou alguns grãos para farinha e partiu.

Carmina chegou a casa ao mesmo tempo que Xavier chegou da escola... Anisa tinha assado o peixe e feito um pouco de farinha amassada e cosida na água...

Comeram apressados e o Xavier estava ansioso, queria ver se haveria alguma coisa para ele no saquinho...

Carmina não cabia em si com o cartão na mão... tinha confiança em Alcino e gostaria de ter seu parecer.

Os três correram até a antiga fonte, onde Alcino e Balia os esperava.

Xavier aproximou-se e afagou o cabelo de Balia, com uma exclamação; Auooooooo... Que luxo...

Carmina mostrava o cartão a Alcino...este olhou-o lendo em seus olhos muita coisa, como perguntando que devo fazer?.. Alcino disse... será de grande proveito manter este homem por perto, talvez um dia precisaremos dele... da sua influencia e de seu saber...Carmina ansiosa... então parece-lhe que devo fazer uns dias de trabalho limpando sua casa?...

Alcino respondeu, todos deveremos fazer o nosso possível para merecer a vida e o carinho dos outros.

Xavier estava ansioso de lhe mostrar a sua bola de trapos e como era capaz de a tratar por tu... Alcino olhou-o e disse vamos ver o que o saquinho terá para ti... 6 fumo principiou saindo se transformando numa verdadeira bola de couro e de marca, acompanhando-a um par de chuteiras, meias e caneleiras...

Mas Alcino disse, nunca troques a glória pelo saber... a gloria pode terminar com um pontapé maldoso, e a dor da queda será muito maior que o prazer da glória...

Mas deves juntar sempre o útil ao agradável.

Alcino ficou encantado como Xavier maneava a bola mesmo a pé descalço... meus amigos apenas vos quero dizer, todos nos temos um saquinho mágico, isto se abrir-mos nosso coração à miséria e à dor.

Amigos hoje depois de meter o único desejo que posso retirar do saquinho voarei com o luar... mas meu coração não vos vai perder de vista...

E tu Carmina, faz o que tens de fazer para bem da humanidade, e fazeres o possível para teus filhos; e nao te esqueças que precisas viver também... com um abraço de adeus se separaram.


Por: Armando C. Sousa