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Alcino III...
Encostado
ao tronco da árvore, Alcino punha a cabeça entre as
mãos e pensava... pensava nas voltas que a vida dá...
Balia deitada no seu regaço talvez dava desanco à
vida que no seu ventre saltava...
Alcino
pensava no poder que tinha tido desde que encontrou a cobrinha dos
olhos azuis; a felicidade que viu em tantos rostos estampada com
as acções das fadas e da magia de sua madrinha: elas
eram o condão do bem, da igualdade, da prosperidade; eram
o flagelo do egoísmo, da inveja e da superioridade.
Seu
reino foi destrocado depois de milhões de anos ter servido
a natureza.
Verdade
que tudo tem um fim; nós com nossas acções
também estamos a preparar o fim deste paraíso...
Alcino
pensava que não poderia ficar muito tempo naquele lugar deserto,
onde toda a gente sofria incluindo os animais, que não se
viam nos arredores.
Alcino
baixou-se e beijou aquele amor, animação de sua vida;
ali estava uma deusa do amor no seu regaço adormecida.
Sabia
que só poderia viajar nas asas do luar... e o saquinho só
poderia por e retirar um desejo... mas moderadamente poderia fazer
bem a outrem com a magia do saquinho.
Agora apenas esperava Anisa para esta menina poder tomar um banho
de água límpida... e a agua perdida ir regar um talho
de nabiças com a semente que retiros do saquinho, depois
talvez fosse viajar quando chegasse o luar.
Alcino
tinha visto que a salvação daquele terreno ressequido
seria um paredão em açude no fim da montanha, para
salvar toda as aguas das invernias, e manter o terreno fértil
no tempo de seca, para que o lago tivesse sempre agua e manter a
vida aquática e os animais de que se poderia ver diversas
carcaças por aquele deserto ressequido.
Carmina
disse... teremos de acabar hoje a esteira com os juncos que restam...
Xavier esse será teu trabalho depois dos deveres escolares...
Xavier
foi abraçar a mãe, pedindo… mãe; deixa-me
ir contigo ver o Homem branco e a mulher de cabelos de ouro... serei
sempre bom aluno.
A
mãe disse; poderás, ao chegares da escola e com a
grande cabaça trazeres água para casa.
Xavier ficou um pouco amuado, mas compreendia que sua mãe
tinha razão... estava ciente que na escola se funde a chave
que abre todas as portas... disse; mãe diz ao homem que me
espere, talvez tenha fumo para mim.
Carmina
riu... chamando-lhe invejoso...
Alcino
como um chimpanzé tinha feito na árvore uma cama de
ramos onde passaram a noite...estava na hora do banho e do almoço...Balia
junto a bomba da água toda nua, era como uma deusa de beleza
a caminho de ser mãe...
Alcino
embelecido fazia a água sair da bomba de bambu, e se encaminhado
para o talho das nabiças, que em breve iram despontar...
estes depois do banho estavam a preparar uns ovos de tartaruga que
encantaram em terra bulida acima da árvore.
Anisa
correu à frente da mãe para ser a primeira a dar os
bons dias, beijar Balia e Alcino e anunciar sua mãe Carmina.
Alcino
e Balia riram...e olharam para a mulher que chegava, um pouco envergonhada,
mas sua tez alem de esmirrada pelo trabalho e talvez fome, apresentava
um ar nobre e ainda com muitos traços de beleza, mas escondidos
pela poeira entranhada nos poros.
Carmina afagou a barriga de Balia, com as lágrimas a escorrer...
talvez lembrando-se do homem que desapareceu de sua vida.
Alcino
encaminhou-as para a bomba de bambu dizendo, refresquem o corpo,
creio que alguém poderá ver a pureza de vossos pensamentos.
Alcino
do saquinho retiros roupa fresca e a entregou a Carmina, e um lindo
vestido para Anisa... com calcinhas que esta nunca tinha sentido
em seu corpinho de anjo alegre...
As
duas se refrescaram nuca tinham sentido água tão clarinha
retirar dos seus poros apenas limpos pelo suor... o cheiro do sabão
que lhes foi entregue com os vestuários, era de um cheiro
tão suave que criava amor pela vida.
Alcino
falou a Carmina do seu projecto de captar as águas a montanha,
dizendo este deserto pode ser dos terrenos mais prósperos
da redondeza.
Mostrando-lhe
como pescar na terra, dizendo este e grande segredo, não
deveis retirar mais que um peixe por dia; isto para quando houver
águas haver vida no lago.
Anisa
ainda falou de seu irmão Xavier que tanto queria ver o homem
do saquinho e a mulher de cabelos de ouro...
Alcino
disse, espero aqui por teu irmão, muito antes do luar chegar...
esta rodava e queria dançar fazendo roda com seu vestido
novo...
Alcino
disse vem com teu irmão, quero ver essa maravilhosa dança
do suam num lago sem água.
Anisa
ainda perguntou... Senhor, porque Deus não fez muitos saquinhos
como o teu?... Haveria menos pobreza.
Alcino
disse; sim, Deus fez muitos saquinhos vazios, o povo os enche, para
os barrigudos dos padres e bispos retirar tudo de dentro, para eles.
Por:
Armando C. Sousa
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