Alcino II...

 


Alcino e Balia ficaram deveras entusiasmados com os desenvolvimentos dos acontecimentos... Era muito engraçada esta menina, e Alcino e Balia pensaram em a tornar num heroína da nação... Estes sabiam que se encontravam num pais africano, mas ainda não sabiam onde...

Alcino era possuidor do saquinho dos desejos, mas este só satisfazia os desejos se fossem ao próximo e desejos aceitáveis para o bem fazer à humanidade.

Estes dois amores, tantos anos protegidos pela fada madrinha, encontravam-se agora sozinhos nos braços do destino, sem eira nem beira, ao pé duma árvore gigante e um terreno mais baixo que anos antes deveria ser um lago, onde muitos animais selvagem viriam beber... o saquinho dos desejos para eles nada valia, então foram pescar no lago sem água; mas onde vissem bolhas de ar seria possível ser respiração de peixes... retirá-los e secar-lhos em cima das pedras que encontravam ate poderem construir um trapézio para a secagem como se seca o bacalhau...

Junto ao poço encontraram terra barrenta, mesmo não sendo de boa qualidade para olearia, serviu para que Alcino procura-se fazer-se de oleiro, tornando o barro em lindas peças que muito os iria ajudar na vida..

Anisa fez a papa mas desta vez de bom humor esperando que seu irmão chegasse... este chegou pousando os livros numa panela vazia voltada com o fundo para cima.

Xavier... sim era este seu nome, pegou no prato e estranhou... vendo sentar-se na soleira da porta, sitio confortável e preferido por todos.

Anisa ficou tão contente, esta poderia ler lindos trechos do livro... mas de momento caiu uma nata... dizia para entregar a tua mãe...

Esta dizia... Xavier e muito bom aluno, mas vem se alheando e chegando tarde para a escola...

Esta veio mostrar-lhe quando viu que a mãe já se enxergava ao longe...

Xavier, implorou a Anisa, que não mostrasse a mãe... que na verdade vinha brincando com uma bolha de um colega e chegando tarde, mas continuava sendo aluno brilhante.

Xavier disse, amo tanto a bola... e a bola faz tudo que eu tenha na cabeça para a bola fazer, os colegas ficam extasiados a ver-me manear a bola e eu fico orgulhoso... Anisa não digas a mãe não?...

Anisa vejo que se ultrapassarmos este negro período, iremos brilhar na vida e vamos fazer de nossa mãe uma rainha... verás Anisa... eu acredito que os livros nos farão correr em estradas, pisar campos de futebol, ou ate abrir as portas do parlamento e poder torcer o bico ao prego da corrupção que nos tem guiado a tanta fome.

Acredita que se nos acreditarem poderemos subir os degraus da fama, para receber os aplausos merecidos do nosso esforço.

Querida irmã, os livros cadernos e lápis serão nossos degraus na vida... esta lei negam-nos esses degraus às meninas.

Anisa; eu quer ser teu professou; ensinar-te o que aprendo...a menina Anisa riu-se e disse; eu já tenho um professor... Anisa contente principiou a dançar no terreiro em frente a sua mãe, tudo como se estivesse a sentir o esvoaçar do cisne ou do suam, ora de asa caída rodopiando, ou em curtos voos, levantando a vos num gemido morno como se viesse de entre nuvens de muitas cores que pairavam no lugar...

A pobreza não deixava aquela mãe abrir o sorriso; mas naquele dia abraçou os dois filhos ao vê-los com tanta alegria...

Carmínea era o nome de sua mãe ficou espantada e perguntou o porquê de tanto saber e tanta alegria.

Anisa disse eu não sei... mas creio que depois que o homem e mulher da árvore da antiga lagoa deixar cair do saquinho o fumo em minha cabeça, fiquei a saber ler e sentir-me mais alegre capaz de dançar... ele disse que amanhã vamos ter água límpida
A mãe amanhã bem comigo ver o meu milho? E ver o homem branco e a mulher de cabelos de ouro caindo aos pedacinhos...

Sim Anisa iremos cedo depois do Xavier sair para a escola,...Xavier olhou para Anisa pondo o dedo sobre a boca, mas esteve quase a cercasse pela mãe que ainda desconfiou do procedimento de Xavier...

Logo Anisa disse; Xavier, empresta-me teu livro para mostra a mãe como sei ler...

Anisa pegou no livro, e logo o abriu no trecho... (Chave que abre todas as portas...)

E fundida com papel e lápis na oficina da escola...

O professor será o fundidor, será polida com a alegria e gentileza e educação do aluno...

As lágrimas caíam sobre a face desta mulher, mas desta vez eram de alegria, ao ver que sua filha sabia ler e poderia um dia fazer a diferença, nesta terra cravejada de egoísmo, ignorância e guerra, outrora Moçambique.


Por: Armando C. Sousa