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Alcino XII...
Carmina
dizia entre os dentes;... estás a apegar-me a peçonha,
e em voz alta disse;
Ornelas
não te quero de volta de minha saia, eu mesma vou ver como
está esta casa... e tu não perguntes nada discreto
a esta criança.
Ela
te adora como homem, mas ainda mais por abrires o teu saquinho e
a deixares jogar com a caixa de música.
Ainda
mais por hoje tirares do saco esta guitarra que ela tanto adora.
Ornelas,
logo tenho um favor a pedir-te, e creio que com as tuas influências
poderás ser bem sucedido...
Agora
se tens umas tesouras de podar?... sai lá para fora e da
um jeito as roseiras que estão desprovidas de carinhos.
Ornelas;
nunca te esqueças que tudo nesta vida tem fome de carinhos,
se tu tratares das roseiras elas te vão reconhecer, e te
darão as mais belas flores com os mais sofisticados aromas
de rosas.
Carmina
segui na sua rota de limpeza... depois da cozinha, passou pela sala
principal, o pó se acumulava sentia-se que ali vivia alguém
sem vida, ou sem desejos de viver.
Esse
alguém, talvez um dia tenha sido um diamante trabalhado,
mas agora dizia Carmina, poderei eu ainda limpa-lho e brilhar junto
com ele?... veremos se tudo trabalhara como os meus desejos.
Retirou
as toalhas limpou o pó por todos os lados da sala, e dirigiu-se
para um quanto que era de banho e sanita.
Este
esta com argolas por todos os lados... só que as argolas
eram de sujidade.
Carmina habituada a muito menos, mas sabia que não era sujo
do tempo da esposa, e teve pena de ver o homem descer tão
baixo... assim Carmina sentia a peçonha a voltar, mas teria
de ser forte para poder ajudar.
A
gente que como ela viviam sem água e sem prospectos de melhora,
Carmina limpou o que pode naquele dia, e preparou um maná
que não se lembrava de comer... macarrão com estrugido
de tomate um pouco de chouriço e batata-doce...
Carmina chamou Ornelas para vir comer o que tinha para fazer...
para ela era um grande manjar...
Ho...
Ornelas veio com os braços a sangrar dos picos das rosas....
Carmina
o fez este sentar junto dela, de mansinho lhe limpou-lhe o sangue.
Segregando-lhe os braços, com o sumo duma uva o esfregou
e disse, vou fazer como faço a meus filhos,.. e sara logo....
Pegou nos braços um de cada vez e deu beijinhos nas picadelas...
esta olhou, arregalou os olhos e disse; primeiro terás de
dormir no chão duro como eu durmo...e se poderes saber onde
se encontra meu marido ainda melhor.
Alem
disso disse-te, que nunca com minha filha por perto...
Ornelas
um pouco envergonhado e triste disse... bom vou ver se encontro
uns amigos e logo talvez te possa dizer quando poderei passar pelo
teu lugar...
Ornelas
pediu pelos dados da cédula de nascença do marido
e do certificado de casamento.
Carmina
já ia preparada com os documentos, e de pronto meteu a mão
ao ceio e o tirou de dentro dum saquinho onde guardada seus magros
tostões.
Os
entregou a Ornelas, dizendo com um sorriso maroto... pondo-lhe suas
mãos sobre os Braços... te pagarei por estes serviços
pelo preço que queiras... riu e seguiu continuando a rir.
As
horas passaram-se e Ornelas sem voltar.. então Carmina fechou
a porta e o portão e seguiu para casa.
Gostaria
de ter olhos para seguir e ver todos os nossos protagonistas...
mas
como só podemos seguir um de cada vez vamos ver o Senhor
Lambu conversando com o chefe da Policia que trata se assuntos de
segurança...
Este
dizia-lhe... tenho muita pena mas não o poder informar agora,
mas mandarei os meus melhores detectives seguir e investigar onde
se encontra,.. vivo ou morto Senhor Ornelas... darei conta dele...
Depois
de terminar o café, os dois se separaram... Ornelas seguiu
para o ministério da agricultura; pena o ter de dizer um
dos mais pobres da nação... agricultura era coisa
que quase não existe em África, esta está nas
mãos de alguns colonos riquíssimos e sem vergonha...
muitas das vezes roubam as terras e desviam as águas dos
mais pobres... mas era o ministério que poderia fazer alguma
coisa pela pobreza da terra quase deserto de que Carmina lhes falara...
este
ouviu atentamente o colega e disse vou por um jeep a disposição
e levaremos se for possível o engenheiro das obras publicas...
mas o que te traz tanto interessado nestas coisas?...Fernando meu
amigo... tu sabes que morreu meu sonho, e eu encontrei um diamante
por lapidar, preciso desse diamante para viver.
Ajuda-me
Fernando grande amigo...
Entretanto
Xavier tinha chegado a casa com a grande noticia que poderia seguir
para o colégio aprender no que estivesse interessado e fazer
parte da equipa de futebol... mas precisava de permissão
de sua mãe...
Esta
apenas disse; Xavier, pede a Alcino, ele tratara de tudo como ninguém
e não te deixa ser ludibriado...
Como
milagre, Alcino Apareceu na Palhota... Palácio de Carmina
e filhos...agora sentia um ar de confiança, de amor pela
vida... Mais que nunca, acreditava que todos temos um saquinho,
mas apenas muito poucos o usam a favor da humanidade... ela usaria
o seu a favor de toda a região, e amaria que seus filhos,
criados quase sem pai focem uma forca motriz a incentivar um pais
cheio de riqueza a pertencer a meia dúzia de egoístas
usando o chicote, para obter submissão...
Mas
Carmina agora pensava naquele palácio em precisão
da magia e do sorriso duma mulher...
E
perguntava a sua consciência... poderei eu dar assim um pai
Anisa?...
Poderei
eu modificar para melhor o viver do povo desta região?...
Poderei
eu ter um saquinho donde poderei tirar o bem e o amor?... veremos
quando Ornelas Dormir pelo menos uma vez onde eu dormirei hoje...
Por:
Armando C. Sousa
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