Alcino I...

 

Alcino foi uma personagem real da minha infância, dos meus tenros anos antes de entrar para a escola, mais velho que eu seis meses, entrou para a escola um ano antes de mim... foi meu guia nos meus princípios e minha defesa dos colegas mal educados.

Foi minha personagem nos contos da cobrinha dos olhos azuis... Aldibela da Fraga, e Alcino de Aldibela.

Esta minha personagem retirada do real para o irreal e como uma homenagem a nossa amizade de criança... as pessoas aquém queremos bem, arranjamos sempre um canino no nosso coração para caminharem com nos o resto da vida.

Alcino e Balia depois de ver a destruição total da aldeia que ele e as fadas construíram.

Ficou por dias muito abatido, seu rumo nem ideias, nem gente que poderia dar a ajuda que o seu saquinho dos desejos continha...deitados no penedo do paul j ala iam duas noites sem ter noção do viver.

Ao alvorecer ouviram um bater se asas e viram duas perdizes que voavam em voo curto e raso, a sua mente principiou a dar sigais de querer viver e saber...

Levantaram-se e logo encontraram um ninho com ovos... Balia sentia que mais alguém desejava comer, em si vivia alguém que se não podia defender, e mexia-se… talvez quisesse viver, então disse Alcino vamos viver, ver por ai o mundo de pobreza... se pudermos levar o ensino para poderem por pão na mesa.

Pegando nos pequenos ovinhos os furaram com um pico de mato arnal, e assim deram vida ao estômago que já ruía em vão...

Os dois se abraçaram, coraram, riram, fizeram amor muito docinho, mil afagos como a vida estivesse a principiar... prometeram pedir ao luar para os levar onde existisse a pobreza, mas alegria de viver... Adormeceram...

Já a lua vinha chegando Alucino alvoraçado dormindo... saltava e torcia, gritava... foi acordado por Balia.... este deu um ai de desafogado... tinha lutado com os cornos do diabo que queria arrebatar do seu de Balia seu Rebento... mas alucino tinha-o segurado pelos cornos ate os escachar e ouvir o diabo a gritar como um bebezinho...

O que ouvia Alucino era seu grande amor Balia com seu carinho...Alucino contou o que sonhava... os dois desataram a rir... agarraram as asas do luar que tinha descido baixinho, e foram para um sitio deserto, em qualquer parte em África onde apenas uma arvore viam erguida ao sol ardente... tudo ressequido menos alguns milheiros que resistiam ao calor...

Alcino pensou; seria o lugar como este que o queria ver geminar...ver o verde outra vez a surgir, ouvia perto crianças a cantar e a inocência do prazer, voltar a ouvir os pássaros...

Levantaram-se os dois, abaixo da árvore viram bolas de ar a sair da terra crestada e rachada.

Com um galho da árvore serviu para abrir a terra e um peixe saltou do buraco aberto, servindo mesmo cru, de sua refeição.

Ao longe viram um vulto pequenino que se aproximava... era a pretinha Anisa, que morava a cerca de três quilómetros... a cerca de trezentos metros desapareceu... pouco depois surgiu com a cabaça sobre a cabeça, vinha se aproximando... Alcino e Balia esconderam-se a trás da arvore para não meter medo a menina... esta se aproximou e com a cabaça depôs um pouco de água a cada milheiro.

Dizendo poderei também morrer, mas não quero que morra a semente da vida... estes me vão dar pão.

Alcino e Balia apareceram... a menina cerca de 6 anos estremeceu...

Este brincaram com a menina, mostrando-lhes um pequeno espelho... esta sorriu... pegou na mão de Balia e os três se encaminharam para o poço da água, existia muito pouca... muito barrenta e muitas moscas a tomar o fresco da mina...era desse lugar que carregava água para casa, mas a cada dia vinha dar de beber as plantas que conhecia.

Era pequenina, mas dando de beber ao milho sentia alegria... disse, gostaria de ir aprender na escola, mas sou rapariga, e não temos direito.

Alcino tirou do saquinho o desejo para que esta menina soubesse tanto como o irmão e disse a cada dia aqui te espero para te ensinar... quem sabe se serás uma inteligência.

E quando cresceres, poderás ser uma ministra, e te lembraras da pobreza... poderás fazer próspero o teu pais... entretanto amanha vou ver se podes ter água limpa perto da poça onde vais pegar a cada dia.

Anisa disse, tenho de ir fazer a papa para meu irmão...minha mãe foi fazer carvão para vender, meu pai nos deixou ficar... mas vou pedir os livros a meu irmão e o vou surpreender... vou saber ler.

Logo que Anisa se foi com a cabaça de água, Alcino retirou um bambu do saquinho.

Com a forca mágica do saco, enterrou o bambu construindo uma bomba de água, que sempre que fosse accionada a água corria límpida e cristalina...


Por: Armando C. Sousa