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Meu Ontem e Hoje III
Amigos
falando um pouquinho de Portugal, este melhorou e se transformou
com o dinheiro vindo da união européia, as estradas
foram transformadas em grande vias, as pontes eram erguidas umas
atras das outras, as montanhas vencidas com planos de bravura, o
pais foi transformado em linda arquitectura, apenas as fossas de
serviço humano, continuam a ser uma bomba para a humanidade.
Os
lençóis de aguas aparecem quinados, sem existir uma
lei severa de protecção, os rico tem sempre uma saída
ou uma espera ate que a sombra entre na ultima morada.
Foi
isto que me foi dado observar nas inúmeras viagens que a
saudade do berço, o amor a família, a minha língua
e ao torrão me fez voar ate lá.
Mas
deixemos... ali nao era meu destino... aqui, sim nestas terras frias,
onde as noites são muito grandes ou muito pequeninas, noites
sem fim ou sol da meia noite...
Foi
aqui que o destino me tronche, para que uma família nascesse
através do mundo e se radicasse e se torna-se numa família
de muitas éticas.
Mas
foi numa vila mineira que singramos.
Chegamos
de frança como uma corrente humana, eu com três filhas
à minha volta minha esposa com uma filha de seis meses nos
braços e ainda com vómitos duma presumível
gravidez de mês e meio.
Em
Toronto depois das formalidades, e uma língua completamente
desconhecida para nos, tomamos avião para Sudbury, onde me
esperava meu sobrinho.
A
viagem de 170 quilómetros feita num (pontiac) do tempo, mas
vínhamos enlatados como sardinha, primeiros dias foram de
negrura e saudades da bendita França.
Era
o destino, o trabalho a mineiro, era diferente e duro; alem de tudo
ainda era mais duro com as lendas deuses e diabos que me assaltavam
a mente.
Meu
pensamento ficou livre quando amarrei deuses e diabos, os atei todos
pelo rabo atirando-os juntos, ao fundo do posso, num gesto de desespero
e medo.
O
lugar era propicio para criar família.
Nasceram
mais dois filhos no canada, elevando a família para seis
filhos eu e esposa, estes nascidos em três países e
dois continentes.
Nessa
Cidade Mineira de (Elliot Lake) vivemos uma vida tranquila, de trabalho
e descanso, de escola e televisão, os lagos eram muitos e
grandes, os peixes saltavam ao ouvir minhas estúpidas árias
alinhavadas das saudades da musica do berço.
Creio
que os peixes se cansavam de me ouvir, e então decidiam de
vir ao anzol para me calar, nunca avia truta do lago menos de, (basses)
e dourados a mesma coisa.
Peripécias
houveram tantas no meio do lago.
Uma
bela manha de sábado qualquer do mês de junho, ja lá
vão trinta anos, minha filha mais velha foi comigo pescar,
ela guiava para se habituar ao volante e também tinha lições
para tirar carta de conduzir.
Para
uma jovem tudo faz falta para aumentar conhecimento e estima própria,
o lago tinha vinte quilómetros de comprimento, estávamos
cerca do meio, quando a propale bateu em alguma coisa e partiu o
chia pino, o que sem ele o motor trabalhava mas nao tinha pulsam.
Então que fazer?
Nao
tinha chia pino de espera, que por acaso tinha esquecido na caixa
de ferramenta no carro, pedalamos ate a margem mais próxima,
e esperávamos alguém passa-se e nos reboca-se, duas
horas passaram nem viva alma, a propale tinha partido parte de uma
pena, mas com chia pino muito de vagar seria usável...
Então
como sempre, para grandes males grandes remédios, na floresta
que era densa em pinheiros e alvores de papel procurei um pauzinho
medindo o diâmetro do buraco do pino, mas com um pequenino
orifício por onde meter um anzol, que cortei a medida do
pino e assim improvisei um socorro, a pesca estava por fazer, mas
como tinha de vir de vagar com a propala ao (chic li manque) ainda
chegamos ao quais com três trutas de dois quilos cada.
Sempre
que falamos da pesca nos lembra do pauzinho e do anzol que nos trouxe
a salvos a terra.
Assim,
meus filhos todos aprenderam a sobreviver em terra de ninguém...um
anzol muitas vezes, da de comer a mintas bocas, aqui nesta terra
é quase o que faz falta para nao morrer a fome, e bom sentido
de orientação, mas se houver um pouco de arame para
fazer umas laçadas ao coelhos pode-se viver uma vida.
Dali
veio universidade uns atraz dos outros, casamentos, netos, viemos
avos, deixamos a cidade mineira para vir para junto dos filhos em
Toronto.
Por: Armando
C. Sousa
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