Meu Ontem e Hoje II

 

Amigos, falava eu no terceiro ano escolar, levava canada de criar bicho, pois o ditado era feito ao mesmo tempo, que o exercício de matemática dos da quarta classe.

Eu tinha sempre os problemas deles feitos, mas meu ditado errado.

Aprendíamos geografia e história, mas leve, os da quarta classe, esses aprendiam a valer, sabiam de cor todas as capitais do mundo , onde pertenciam os países, e quais os países que tinham mais colónias, faziam-nos acreditar que mandar na vontade de outra gente era uma gloria.

Para mais tarde eu realizar que era um roubo que Portugal fazia a outras gentes.

Afinal não podia emigrar para essas colónias sem passaporte, e viagem de ida e volta paga.
Compreendi depois que estes usavam chicote e pagavam menos de dez por cento aos trabalhadores naturais da terra, eram mesmo criminais.

Com idade de 10 a guerra se alastrava a todo o mundo, os homens torpedos japoneses estavam vencendo os povos capitalistas.

Então o mundo tremeu com a deflagração da bomba atómica em duas cidades Japonesas.

A fome e pestes vitimavam o povo Europeu, tudo era racionado, mesmo o sabão, tornando o egoísmo em mais capitalistas com o mercado negro.

10 anos, mas as mãos estavam calejadas de fabricar todos os cantinhos de terra do quintal, o milho era debulhado com uma tampa de caixa de pomada, secava em lençóis com a gente a vigiar para os pássaros o não comer.

Mas meus jovens amigos, hoje tereis de aprender muito mais, a ciência precisa de vosso esforço para ires muito mais alem, e não caíres na ratoeira capitalista, que está envenenando mar terra e ar, e trazendo toda a humanidade escrava de seu poderio bélico.

Será uma nova luta em nome da ciência; outrora era um descobrimento e conquista dessas terras.

Hoje será a conquista do espaço sideral.

Aos treze anos já pintava os peleiros do bigode com o famoso lápis de pau, lavava os dentes com carvão moído; chegava brilhantina ao cabelo aos domingos.

Ia a cada fim de semana a casa Camilo Castelo branco pedir livros. E li uma boa remessa da biblioteca desse grande romancista e cronista.

Posso dizer que foi ali semeada a semente que me tornou poeta e escritor amador
Não tinha sapatos não ia a igreja, uma vez levei uma grande lapada por ir descalço,
Mas sabia que minha mãe definhava para sobreviver com a febre tifóide de meu irmãos
E os furúnculos de minha Irmã e seus olhos avermelhados e colados de matéria.
Mesmo assim ao domingo uma viola e estava o largo em festa.

Assim principiava os namoros, que faziam um banquinho de pedra perto da porta no caminho, claro nem sempre passava gente, e assim se roubava um beijinho.

Em falta da viola ou concertina os moços faziam uma grande roda e mesmos os casados iam para ela cantar, cerca da noites apareciam os já cheios de vinho a cair e a dizer malcriadez.

A guerra terminou mas a vida demorou anos a melhorar, debaixo da mão ditadora salazarista... aí todos tinham medo da PIDE... e dos BUFOS, o que na maiorias eram os padres da freguesia.

Meus colegas foram presos eram apenas três anos mais velhos que eu... não ia a igreja porque o padre era mau, mulherengo e mandava em todos os namoros.

Alem disso obrigou minha mãe sem poder a pagar indulto e bulas e décima a igreja... não tínhamos carne para comer, mas para ele tinha de haver o dinheiro ou ser excomungados... pagava-se bem para ter fé, e ele cheio de mulheres e vinho.

Esse sistema das bulas desapareceu e dos indultos também, mas esse padres abusar das crianças e das mulheres beata continua... o padres são defendidos por essas senhoras que não querem viver na verdade.

Para se poder viver seria preciso imigrar, não ganhávamos.... éramos felizes se podássemos passear a 100 quilómetros de distancia uma vez por anos e ainda não ficar a dever... mas seria preciso um milagre.

Crianças a chorar sem pão foi o motivo de imigrar e posso dizer que A França com seu plano Marshall foi a salvação de Portugal.

A transformação foi radical, meus filhos e esposa nunca mais choraram por falta de pao.

Um ano mais tarde tinha carta de condução Francesa minha família reunida.

Tinha motocicleta e carro, outros tantos como eu viemos a Portugal de carro, e creio que dai nasceu a chama da revolta dos cravos... dessa maneira os militar viram que existia alguma coisa errada no pais, Capitães e não poder manter um carro, era o cumulo dos cúmulos, e o dinheiro a ser gasto com guerras coloniais.

Assim a realidade e um pouquinho de inveja foi o rastilho do 25 de abril, no meu pensar.

Fui a Portugal dois anos depois da revolução, tanta porcaria pelas ruas, os prédios cheios de (sologons) mal criados, o mercado negro do dinheiro imperava no Pais.

Pagavam o dobro do valor para por os dólares no estrangeiro, tinham agentes que faziam o negocio para os governantes dessa época.

Motivo porque estais vendo governantes dessa época milionários, nada tinham e vereis o que poderiam fazer com o ordenado...quase nada.

Mas seja como for, não deixo de reconhecer valentia aos capitães e sargentos da revolução dos cravos que tornou o país mais liberalizado.

(Continuaremos na próxima semana)
Por: Armando C. Sousa