Foi o Destino

Capítulo VII

O Baptizado

 

José viu aquela mulher de Rugas risonhas a se abrirem ainda mais e erguer as mãos ao céu como tivesse recebido de Deus uma grande dádiva, ia para abrir a boca mas José fez sinal para se calar, Dulia já saia a porta…

Dulia virou-se para a mãe e disse precisamos de ajuda... a casa esta muito danificada e eu pouco dinheiro tenho para ajudar aos reparos.

José deitou-lhe o braço pelo ombro e disse amanhã vamos ver a companhia de seguro, entretanto minha mãe disse que estavas agasalhada.

As lágrimas já corriam no lindo rosto de Dulia e José Encostou a cara depondo um pequeno beijo, ao mesmo tempo lançou braço sobre D. Hilda, lhe dando um beijo na testa; esta a chorar o abraçou José, dizendo obrigado anjo do destino.

Regressaram a casa ao chegar havia música e dança na sala, haviam duas famílias que vieram desejar ano feliz, entre estes haviam dois esbeltos rapazes, que pendiam os olhos as duas irmãs de José, e sempre a dizer pai toca mais uma modinha vamos dançar.

O Senhor Carvalhal estava a fazer-se um pouco caro, quando D. Alzira entra na sala com o bombo que foi de seu pai, e disse vamos gira, venha a concertina... e toca de lançar duas cantigas de desafio ao marido. Deu uma pandeireta a D. Hilda e a festa principiou.

As famílias pais dos rapazes que já tinham bebido umas pinguinhas foram para a roda dançar uma virada ate ficarem as esbaforidas.

As moças vira ou não dançavam agarradiças, tu sabes bem para que...

Todos conversaram dos problemas da D Hilda e Dulia... e ficou combinado que Fátima a Irmã de José iria ser madrinha da pequenina filha de Dulia com o rapaz com quem tinha dançado.

Nomeio da conversa José chamou sua mãe e pediu conselho... se achava que Dulia o amaria que chegue para ele a pedir em casamento...

A mãe disse; vejo que ela esta perdida contigo... Esta rui-se e disse, terás mulher mesmo antes de casares se assim o entenderes... mas não digas a teu pais que eu te disse isso... mas as mulheres conhecem as mulheres... então José disse poderei pedir a sua mão usando o anel que foi do meu céu?...

A mãe disse, esse nunca o usará, é a chave da ferida que fechares se poderes fechar.

Mas tenho aqui o que foi de tua avó dado por teu avô... usaras este que eles vão olhar por ti e por teu destino... e entregou a José um antigo mas lindo anel de diamantes.

Este entrou na sala, pediu silencio... formou-se roda a sua volta... José pegou na mão de Dulia e a levou para o meio da sala... depois disse, Dulia... foi o destino que nos juntou, junto à estrada... fiquei encantado com teu olhar, e contigo principiou, outra vez meu viver, meu sonhar, o desejo daquele beijo que me deste demorado nasceu o amor por ti, preciso duma mulher... aceitaras tu de seres minha esposa?... as lágrimas caiam... pegou na mão de José e o levou onde se encontrava a filha nos braços de sua mãe...

Perguntou se poderes ser pai desta menina eu também seria muito mais que feliz em ser tua esposa.

José a toou nos braços e a beijou apaixonada mente... Mas D Alzira, foi ao meio dos dois deu um beijo a cada um e disse em brincalhão, isto não te dará o direito esta noite de ires dormir para teu quarto, nele dormira apenas tua namorada.

Ao outro dia José e Dulia foram falar como o padre a respeito do baptizado... este os reconheceu, depois estes lhes contaram o motivo de seu encontro e que estavam noivos Padre Valentino velhote mas sempre brincalhão com os jovens, disse.

Não vou falar do teu passado, mas a verdade tua narrada também já tem um filhos, vou fazer aqui umas cruzinhas e vos quando tiveres ocasião podereis fazer amor.

José, também malandro e com tanta confiança com o padre Valentino... disse.

Se sua cama não tivesse pulgas poderíamos usá-la agora... mas assim fica para a próxima. Pois eles viam os padres sempre a coçar.

Na véspera de reis foi realizado o baptizado de Felicidade, a filha de Dulia.

Madrinha Foi a Fátima irmã de José, padrinho foi o Tino Baleia, Vinha-lhe o nome pois era quase sempre ele que levava os turistas ver as baleias (balugas) a brincar nos bancos da Terra Nova...

Creio que este casal também gostava de dar beijinhos a escondida... mas desta vez a D. Alzira os apanhou na beijoca, e lhes disse meninos esperai pelo tempo de vos casar, não gosto de ver filhos sem pai... sei que e muito difícil esperar... mas e muito mais seguro... ora vê lá menino se tens juízo, ou nunca mais entras aqui...

Fátima levantou-se de junto de Tino Baleia... dizendo mãe tem razão, o nosso dia vira.

E foi servir bebidas aos convidados para o baptizado, que se juntaram em grupo para cantar os reis aos patrões da casa...

Viva lá Senhora Alzira
Patroa do Carvalhal
A ela ninguém lho tira
Mas ele e mais liberal.

Este deu um filho à moça
Esta lhe deu uma netinha
Espero ninguém a ouça
Quente na sua caminha.

Aqui cantamos os reis
Véspera do sei de Janeiro
Já nos deu tudo que tinha
Falta chouriço do fumeiro.

Vou deitar as despedidas
Por cima da lua e luar
Espero alegria sem medidas
No beijar e no abraçar.

Por: Armando C. Sousa
(Pode ser que volte)