Crenças Milagres e Ciências

 

Amigos leitores, esta crónica e baseada em verdadeiras nozes caídas da minha nogueira.

Vocês meus amigos tereis oportunidade de ver a quem pertenceu o milagre, o que eu considero os passos naturais de meu destino ou meu fado.

Depois de enfrentar difíceis dias com a depressão após parto de minha esposa, de ter de conviver com a crença e a ciência, com a depressão louca ou diabo... na minha opinião a ciência conseguiu que minha esposa voltasse ao juízo normal.

Mas tive de usar de hipocrisia, fingindo que acreditava em todas as rezas, e o encharcar de água minha esposa quase nua, água que diziam benzida, a água fazia minha esposa abrir a boca com a ferocidade que atiravam para os peitos e vagina.

Era um padre desfocado.

Com os medicamentos que eu acreditava, minha esposa foi melhorando... mas a médica me tinha dito.

Para fazer que acreditava, ou tudo recairia sobre mim.

A esposa melhorou, mas acreditava num grande crucifixo que sempre trazia com ela.

Tive de imigrar para poder fazer face a vida e a retirar daquele ninho que só se falava de crenças e bruxedos aterrorizando as mentes mais crédulas e fracas.

Eu queria-a comigo mas difícil foi encontrar apartamento... França estava a se reconstruir de pois da segunda guerra mundial ao abrigo do plano marechal.

Meses depois lhe enviem carta de chamada, tinha conseguido uma velha cozinha e um quarto como apartamento.

O difícil foi fazer que os papéis tivessem pernas... o que minha esposa teve de passar para serem deliberados... todos os impregnados e presidente tinham de ter as mãos untadas para retirar os papéis do jarro.

Minha esposa por sua vitória de poder se juntar a mim, coisa que eu vim tratar das finalidades de imigrar... prometeu seu cabelos a Irmã Alexandrina de Balazar...

Cortou os cabelos, fez uma preme, ao outro dia foi a junta de imigração, que a reprovou por não ver o suficiente e não ter óculos.

Verdade que sabia que ela não via perfeitamente... mas por falta de meios nunca a levei ao especialista... mas os pais já tinham dado uns olhos de prata a Santa Luzia... promessa que chegaria para lhes dar uns óculos.

Mas o mal estava feito, seria preciso remedia-lo.

Havia uma criada, de gente rica vizinha que se dizia maravilhas do que conseguia com seus conhecimentos.

Minha esposa precisava de um especialista que demorava meses a conseguir consulta.

Então fomos pedir a essa criada para interceder por nos, que teríamos de partir em três dias ou os papéis da imigração, cancelados...

Esta compadecida escutou-nos e escreveu uma carta para entregar a criada do Dr. Joel Horta, membro do parlamento que estava em ferias no Porto...

Ao outro dia estava-mos a bater há porta eram nove horas... a criada veio lhe entregamos a carta, esta deu um ar de riso e disse vou acordar o senhor Dr.

15 Minutos depois estávamos no consultório dentro de sua casa, coisa que não era usado por muito tempo.

Este disse, vê muito mal, mas vai passar a imigração.

Veremos se tudo pode ser feito hoje... com esta carta vai ao oculista ao lado da estação da trindade nesta direcção... depois de ter os colos se tiver tempo passe por a imigração e lhes entregue esta carta.

Antes das três horas da tarde, minha esposa tinha seus óculos e dizia... ai que mundo lindo, tantas cores bonitas... eu não sabia como era ver... agarrou-me e beijou-me, dizendo tu tens o melhor coração que já vi.

Passamos pelas Imigração... estes entregaram o passaporte de olhos arregalados para a carta... este era a passagem para entrar no cominho da Felicidade.

Ao outro dia dez de Junho de 1965, eu esposas e três filhas de 2, 3, e 4 anos de idade deixava-mos o ninho das crenças, para entrarmos num mundo de trabalho e de pão.

Quero dizer, foi a ciência que deu meios para minha esposa poder tomar o lugar de mulher e mãe, e não os cabelos oferecidos a irmã Alexandrina.

Mais uma vez vou abanar a nogueira... mais nozes sobre os olhos.

Por: Armando C. Sousa