Aldeia Maria do Mar XV

A Ilha Invisível

Amigos leitores, depois de grande tempestade na minha vida, o barco quase abarrotando de dor e de apreensão; a mente fora dos eixos da sensatez; um amor nos braços que era minha vida, sem balança nas veias que pesassem o açúcar e a razão, agora melaço, mas mais logo vinagre ou água corria nas veias.

Fomos ate nossa terra, se fosse de morte, seria mais um acto do destino, mas esperava tudo fazer, o que era muito pouco devidos aos costumes e falta do necessário... quero dizer do verdadeiro saber como cozinhar verdadeiras ementas para diabéticos, e também da qualidade a que estava-mos habituados, mesmo assim fazíamos deslocações as aldeias no meio montanhoso para um almoço salutar.

Ali sim havia hortaliça e legumes e peixe...carne no mercado era dura como sola, sem ter por onde escolher.

Mas com grandes sacrifícios, conseguimos controlar o açucare numa média de 11.00 em um conjunto de sete dias, mas bom seria de 5 a 7.

Desculpai-me por vos fazer passar dores com meus problemas...

Alguns dias depois fomos procurar a paz, o sol e a brisa do mar, ver a dança das algas, o saltar dos golfinhos, seguir com os olhos a rota dos barcos pesqueiros.

Fomos ter a uma prainha no meio de penedos furados; ouvimos os segredos mudos das areias, nas conchas inculcadas nos penedos, sentimos o suor a ressudar de tantas vidas que foram ao encontro de novos mundos para o mundo.

Talvez por aqueles buracos nas pedras houveram olhos espreitando, suspirando auscultando o mar, com uma fé inquebrantável que nos dá a esperança de voltar a ver, aquele ser, que deixou um pedaço naquele coração despedaçado.

E assim pensando adormeci na areia resguardado do sol por um penedo.

Sonhei com certeza... pois estive brincando com minha grande amiga Tifa e dois enormes cavalos marinhos que nos levaram perto da ilha que o mar ergueu, subindo as profundezas em fogo mas invisível, rodeada de informes muralhas de água, que se transformavam em bruma deixando o sol penetrar na direcção de onde vinha, sendo impossível descortinar esse segredo para onde os cavalos marinhos nos cavalgaram.

Tifa me segredou, é ali que se encontram Tristao e Cloé, construindo o seu palácio com folhas de palmeiras como teto.

Era seu desejo estarem sozinhos depois da experiência naquele bar boémio... escolheram o disco enorme quase sem fim do mar para meditarem e estar mais perto do criador em pensamento.

Andavam num barco veleiro explorando o mar juntamente com sua amiguinha Valdina que tem grande aversão às guerras, sempre causadas pelo egoísmo do poder das religiões.

A mãe natureza no redemoinho de grande cano e nas ventoinhas do ar despedaçou o veleiro de recreio dos três protegidos de Tifa.

Valdina foi salva por um grupo de golfinhos que a conduziram a uma praia perto da Alexandria no Egipto, acordou dois dias depois; o feiticeiro do mar lhes enviou uma carta com uma fortuna em acções, que ela pode transformar a seu belo prazer.

Seu coração é muito nobre, procura uma inteligência para repartir com esta seus dias aqui nesta bola das maravilhas; um companheiro que possa moderar entre a ambição e as religiões, um cientista que seja capaz de transformar os vapores da agua salgada em combustível para não haver mais dependência no petróleo; assim os homens que vivem da ambição de possuir este combustível petrolífero fiquem arruinados, e seus poços sem valia.

Ver surgir uma nova Era onde o amor liberdade e igualdade seja a causa que se entranhe e emprenhe seu pensar e dever.

Tifa me segredou ainda... aquelas muralhas de água que escondem a ilha, são levantadas pela pressão vulcânica, que a ilha ao se formar deixou enormes túneis por onde escapa a pressão levantando a agua em muralhas, formando em bruma com a temperatura.

Me disse ainda, que Cloé estava lindíssima, seu olhar ainda mais meigo...sua expressão era só doçura, e Tristao, não a deixava fazer esforços desnecessários.

Disse que já tinha falado com o feiticeiro, e que seu palácio seria o palácio de Cloé, se os sinais de vida nova surgissem nestes dias, mas antes teriam de saber como construir sua felicidade numa cabana de folhas e lamparinas ardendo com o óleo duma baleia que deu a costa, e foi derretida num enorme vão duma rocha vulcânica.

O riacho de água morna seria seu jacuzzy.

As cores dos voos dos pássaros os faria esquecer o tempo, para viverem na expectativa de nova vida emergir de seu enorme amor.

A cada tarde depois do trabalho feito do dia, desciam nus e sem pudor à àquele riacho de agua morninha onde se refrescavam do cheiro do suor causado pelo trabalho do dia.

Valtina esperava o homem perfeito para acabar com as guerras entre religiões e acabar com o motivo do maior egoísmo...


Por: Armando C. Sousa
Próximo capítulo XVI (O Esperar de Nova Vida)