Sonho...

Na Praia das Sereias

 

Janeiro estava a dez dias do fim quando tomamos o avião Para a República Dominicana, Hotel Serinis instancia de ferias tudo incluído.

Fui ao encontro dum paraíso terrestre nunca imaginável para quem nunca lá esteve, pinchei algumas vezes meu traseiro para ter certeza que não sonhava... Recordava-me do que fui em menino e homem antes de imigrar; não irei descrever, mas tudo ficara com vossa imaginação, pois sei, se o dissesse a meus familiares e amigos, me responderiam, já vimos melhor.

Logo no primeiro dia de praia, o ar batia como uma pena de cisne, levezinho, mas sentia os pelos de meu peito moverem como que se fosse uma deusa que os acariciava.

Temperatura tão suave entrava no meu peito como gotas de saúde que me iam tornando as pernas mais ágeis para percorrer a praia de lês a lês.

Muita mulher bem feita procurava dar aos pomos da vida aquelas gotas de saúde e raios que aquela parte de seu corpo tanto precisava.

Achava que me encontrava num lugar que o direito da mulher, e igual ao do homem, sem ignorar que não devem fazer uma parada de provocação, e na verdade as mulheres mais novas quando se levantavam de suas cadeiras sabiam ser femininas... apertavam o seu soutien, o mesmo não acontecia com certas baleias, que tendo o mesmo direito que eu de andar de peito nu, se exibiam de peitos caídos e abadalhocados percorrendo mesmo os bares da praia e piscinas.

Mas uma, entre muitas buliu com todas as minhas cordas.

Essa mulher de meia idade, de peitos grandes mais caídos, pedindo grande pacho de silicone se prostrou mesmo aonde as ondas mansinhas se vinham espreguiçar na areia.

De pé, virada para todos deitados nas suas cadeiras, sentindo-se como uma vénus da pouca vergonha, um pouco mais, se chegou um homem, bom tronco, junto a ela, ela se encosta.

E principia a roçar seus peitos.... mas na verdade estes não cresciam, pois quase davam para fazer fisgas... mas ela esfregava e agarrada, se deixou cair para traz numa onda mais alta.

Nada mais quis ver, vi que muitos se viraram nas suas cadeiras, deixando a loucura coberta pelas águas azuladas do mar das sereias.

Deitei-me e principiei a dormir e a sonhar...tinha alugado um barco de pedal e seguia para o ponto onde as ondas se tornavam branquinhas como grandes albatrozes a estender as suas longas asas nas águas naquele pedaço de paraíso, mas o porque o quis ver, pedalei passando a faixa de coral onde se erguiam as bandeiras de precaução.

Mesmo por traz donde se erguiam as cristas branquinhas existia um penedo como um cadeirão de costas para a praia, ali ancorei, nas águas com metro e meio de fundo...nesse penedo, estava sentada chorando a minha grande amiga Tifa a sereia.....saltei do barco para a abraçar e beijar, matando saudades, que se vêem mais dolorosas quando estou longe do mar.

Tifa chorava,... perguntei porque chorava, ela respondeu, centenas de anos e eu nunca vi o que se passou hoje, e te fez retirar daquele lado da praia... tu não vez, mas essa mulher.

Quer mais que brincadeira, que esta a partir as tradições desta praia que desce centenas de anos tem visto tantas sereias, mas sempre femininas, guardando seu pudor com os seus longos cabelos...

Armando poderás ver centenas de seios como aqueles que te amamentaram e serviram de consolo para dormires, seios como aqueles onde nasceram teus primeiros sonhos, onde o somo do amor te inebriou para fazeres vida; mas estes estão no mar a fazer escândalo... Armando acorda para assistires ao castigo.

Minha esposa me puxava os peleiros do peito e me dizia; acorda.

Mas acordei a sério ao som de gritos... essa mulher corria para fora da água com um peixe tipo saca, agarrado ao bico de uma mama que mais parecia um balam, quando a outra, era uma pele dependurada.

O homem corre aos gritos com um grande caranguejo cravado no seu passarão, coisa que apenas largaram quando o poder de vida lhes faltou, a água...

Os dois desapareceram para nunca mais voltarem e perturbar a praia das sereias.

Durante as duas semanas vi muitas mulheres que tratavam de seu corpo com quase total igualdade, mas respeitando o pudor feminino quando se deslocavam fora de suas cadeiras de praia instaladas na fina areia debaixo de centenas de coqueiros e guarda-sóis de praia com telhado de palmas, naquele lugar era bem um paraíso terrestre.

Por: Armando C. Sousa