No País da Neve VIII


Última Fronteira

 

Manhã do grande dia chegou, os passaportes estavam em dia, e não esquecemos que nossos heróis tinham dupla nacionalidade, Alípio Canadiana e Russa, Eomina Canadiana Afegã, na bagagem não se esqueceram de uma remessa de rebuçados de diversos sabores, algumas sementes de ervas de medicina caseira, com a intenção de as propagar se preciso fosse, e um livro de identificação de ervas que porventura por essas paragens poderiam existir.

Mas sobretudo, a magia que sempre tem feito amigos (pequenos espelhos e pentes).

O jipe militar esperava; arranjamentos da organização de médicos sem fronteiras e o governo Canadiano, nossos Heróis voariam ate (Kadaar) no Afeganistão, onde estão estacionadas as forcas Armadas Canadianas que por sinal esse avião iria pegar em mais dois soldados mortos vitimas das bombas traiçoeiras plantadas por esses fanáticos cultivadores de papoilas; dali seguiriam num pequeno avião de 40 lugares ate próximo da ultima fronteira.

No seu abraço e beijos a seus pais e amigos se ouvia um sussurro;

Oh! Não chores, voltarei!...

Com seus apetrechos no jipe um coração partido pela incerteza, mas uma vontade férrea de poder ajudar, mas com a certeza que existia, um grande amor do outro lado do coração capaz de arrancar penedos e remover montanhas, abraçados deitaram-se em cima de fardos de material que o avião transportava para as tropas Canadianas nessa região e assim adormeceram.

Acordaram com o avião aos solavancos e por vezes em queda que fazia arrepiar, não havia perigo felizmente; era apenas a atravessar uma forte turbulência.

O repouso no aeroporto não foi longo o tempo para um almoço.

Ali surgiu um desconhecido que se apresentou como adido a organização, e este lhes entregou uma carta e uma senha de encontro na ultima fronteira...

O avião aterrou numa clareira no meio duma floresta entre montanhas.

Um jipe de alta potência blindada esperava por os nossos heróis.

Toda a bagagem entrou no jipe e este seguiu por carreiros nunca imaginados num país civilizado, chegaram a passar no pino de montanhas com ribanceiras de mais de mil metros, um deslize e tudo terminaria em cinzas.

Eomina se aconchegava a Alípio e tremia.

Este perguntou, estás arrependida?... Esta respondeu mais determinada que nunca, mas isso não impede de eu ter medo e me arrepiar olhando para o abismo.

Chegaram ha ultima fronteira, onde poderia chegar a civilização.

Um barracão como se fosse um deposito onde se poderiam obter o sal e mulas.

Um homem se apresentou de trajos tribais e em bem mal inglês. Aqui a vossas mulas, devereis obter sal aqui e uma arma.

Mulas foram carregadas e atreladas as mulas que cavalgavam; foram horas de suplício e subindo encostas que nem o diabo seria capaz de as subir... assim foi até chegar a noite.

Pernoitaram numa gruta embutida na rocha.

Cansadíssimos ao amanhecer seguiram caminho em direcção a aldeia tribal pastorícia e comunitária.

Eomina seguindo o ditado, terra onde fores ter, faz como vires fazer, esta deitou o véu pela cabeça cobrindo-se, por precaução por vezes e preciso usar um pouco de hipocrisia.

Chegaram a aldeia, o que viram os deixou desterrado com tanta miséria e baixa estima.

As cabanas construídas de moda e ervas ou palha estavam todas destruídas com o terremoto de 8 de outubro de 2005.

Lá longe muito longe, já se via as montanhas cheias de neve no pico do K2 montanhas como do monte Everest, viviam em pequenas barracas feitas de peles de animais.

Velhos e crianças com os pés embrulhados em farrapos se arrastavam penosamente.

Ainda o pior e que toda a aldeia fedia.

Nossos heróis depois de armar suas barracas contra uma rocha de corte liso, explicaram como queriam um alpendre saído do alto da rocha, dizendo ali iriam tratar todos os necessitados.



Próximo capitulo IX

A Fonte da Juventude

Por: Armando C. Sousa