No País da Neve IV

 

Eomina tremia, as palavras saiam tremidas, e quase ocas, as lágrimas principiavam a escorregar na sua face, o paladar de lagrimas que nunca tinha sentido com razão, tinham agora o sabor a amor, um tremor de medo entrava eu seu pensar, mas ao mesmo tempo uma esperança que chegasse depressa o catedrático professor Dr.

Esta depois de descer um pouco as calças e levantar a camisa de Alípio passava sua mão pelo lugar dorido, Alípio parecia sentir alivio ao toque das mãos daquela beleza que o destino a pôs no seu caminho, queria corresponder, mas cada vez as dores eram mais agudas... os olhos embranqueceram de delírio, Eomina mais tremia.

Ouviu-se um grito... O Dr. Esta aquiiiiiiiiiiii!!!

Sem demora, este apalpou o abdome do jovem estudante de medicina, e logo sentenciou, apendicite nas piores condições, creio que rebentou... mas não temos tempo de o transportar para o hospital e fazer uma ressonância ou operar por laparoscopia.

Tem de ser agora com o que temos...e não temos um Dr. Para ministrar anestesia formado em Anestesiologia... apenas eu... Eomina Sr.a Dr.a, e rui... neste momento tu vais ter oportunidade de usar o bisturi na marca que eu fizer no abdome deste paciente... mas lembra-te que a vida deste jovem homem esta nas tuas mãos e nas minhas.

Depois de Eomina olhar Alípio nos olhos e enxugar alguma lágrimas que teimosamente desciam o rosto, enfiou as luvas que uma colega estendia.

A anestesia foi ministrada e agora controlada pelo Dr. Professor catedrático.

A incisão foi feita no lugar marcado, e logo um cheiro nauseante inundou o ambiente.

Estava confirmada que a apêndice tinha rebentado perigosamente, dependia da inflamação grave ou não da sobrevivência deste enfermo.

Todo o ventre de Alípio foi aliviado de todos os resíduos estranhos com o máximo cuidado, a pedido de Eomina o Professor veio examinar o doente, e dizer o que deveria ser feito neste caso muito perigoso para a vida de Alípio.

Todo o trabalho foi feito e instalado um tubo de drenagem, para o corpo atirar fora toda a existência de resíduos nocivos.

A operação terminou com um êxito e grande alivio de Eomina e do Professor... sua carreira estava em jogo, mas seria muito mais importante uma vida que sua carreira.

Depois de duas horas foi transferido para o hospital, e nesse meio tempo Eomina conseguiu todos os dados na fixa de Alípio, para poder telefonar a seus pais, contando-lhe todo o passado, dizendo as próximas 24 horas serão cruciais.

Eomina não lhe deixou a cabeceira apesar de as enfermeiras nunca deixar Alípio sozinho.

Ao outro dia cedo os pais e irmãos estavam à cabeceira de Alípio, medicado, mas sem dores, pouco poderiam fazer.

Eomina tranqüilizou-os, dizendo estarei junta a ele todos os momentos que me for possível, e logo que esteja melhor lhes trarei seus deveres, para que esteja ao corrente das aulas.

O restabelecimento decorreu no tempo normal, ao fim de cinco dias Alípio voltava as aulas universitárias; Eomina ajudava-o sempre que podia, sem se esquecer das obrigações universitárias, agora ainda mais; era considerada uma heroína no meio estudantil.

Esta foi recomendada pelo reitor da universidade para receber uma bolsa de estudos ate ao fim de seus estudos académicos.

As luzes de mil e uma cores viam-se já por toda a cidade; nos armazéns as musica natalícias soavam por todo o lado.

Natal estava a chegar; isto nada queria dizer a Eomina, desde sua infância criada sem crença, os deuses andavam baralhados, com escravidão, egoísmo, mentiras, drogas e guerras;

Motivo porque seus pais fugiram do Afeganistão; esta se considerava como procurando ainda o deus do amor e da verdade.

Alípio também criado numa religião que não praticava, considerava natal apenas como umas ferias escolares que não deveriam ser perdidas.

Natal de seus pais era celebrado a sete de janeiro, mas que não era celebrado.

Nas férias deste natal Eomina e suas famílias foram convidadas para jantar juntos pelos pais de Alípio, desta maneira celebrando o sucesso da primeira operação pelas mãos de Eomina e pelo rápido restabelecimento da saúde de Alípio.


Fim do Capítulo IV

A seguir (O jantar)

Por: Armando C. Sousa