No País da Neve II

 

O teu nome e Russo, respondeu Eomina... Alípio deixa que te chame pelo teu nome; te confesso, o Embaixador russo no Afeganistão foi o que salvou a minha família de cair nas mãos da religião fundamentalista do Islão, e me retirar o prazer de ser mulher completa, Eomina tremia, lá fora a neve continuava a cair; maquinas ainda não tinham passado para retirar aquele mundo branco de neve, Alípio pegou no saco de dormir abriu e deitou sobre Eomina e se aconchegou a ela, para a aquecer com seu corpo.

Eomina reagiu com um beijo na face e balbuciou um muito obrigado deitando sua mão no tronco de Alípio que estremeceu, nunca tinha sentido sensação igual; era preciso se controlar, mas como? com um imã tão forte que o atraia para aquele corpo de uma deusa viva, meiga e virgem, pura como um botão branquinho que se queria abrir.

Suas vestes estavam quase secas dependuradas numa cadeira encima do fogão; neste momento o roncar forte de maquinas que passavam, luzes que piscavam... mais máquinas mas desta vez o piscar das luzes da policia; os dois ficaram quase abraçados esperando que a policia entra-se e talvez os autua-se por entrada forcada em propriedade alheia, o coração batia acelerado dos dois seres humanos, que o destino os quis juntar nesta noite de forte tempestade de neve, naquelas paragens.

Alípio e Eomina semi nus apenas enrolados num cobertor ligeiro, e um saco de dormir, coração a bater entre o querer, o pudor e o medo, olhado para suas vestes penduradas na cadeira encima do fogão que ia aquecendo o ambiente.

Eomina apertou Alípio, com um beijo a medo na boca, foi-se desprendendo do sonho que a ia tornando louca, ao mesmo tempo uma luz da porta iluminava o ambiente, era a Polícia que vinha ver o motivo dos dois carros no espaço do restaurante.

A Polícia tomou conta da ocorrência, pondo no reporte emergência de sobrevivência ditou a entrada forçando a porta. os carros estavam blocados pelo montão de neve deixado pelas máquinas de limpeza.

A polícia depois de se certificar que os dois jovens estavam bem, nada de anormal, apenas as circunstâncias da neve esteve nomeio desta situação, mas que os dois estavam de acordo em esperar que suas roupas secassem para depois seguir viagem já que as estradas estavam ficando transitáveis.

A polícia telefonou aos pais expondo as circunstâncias que os dois jovens tiveram este reencontro, mas que em breve seguiriam viagem, que não tivessem preocupações.

A polícia telefonou para que a limpeza da neve retira-se o monte de neve que deixaram em frente dos carros dos jovens juntos pelo destino, perguntou se estes desejavam mais alguma coisa, estes responderam, logo que as suas vestes estivessem secas, seguiriam viagem para a universidade de sul do Ontario.

A polícia deu boa noite e boa viagem e se retiraram deixando os jovens a seu belo prazer.

Eomina apalpou os seus trajes, chegou-os a sua cara e de duma só vez deixou cair o cobertor que escondia suas formas de beleza de mulher, cobertor a seus pés quase nua, ficado apenas com as calcinhas que tinha guardado vestidas, seu corpo reflectia-se na parede desenhado pela luz tênue da vela, Alípio trincava os dentes, seus olhos disseram tanta coisa... seu coração pulada de desejo ardente, mas era preciso ser homem, porque estas situações surgiriam talvez muitas vezes na sua vida de medico, e seria preciso controlar seu impulso.

Assim o cobertor de Alípio caiu, as sombras reflectidas na parede, mudas mas significativas, incendiaram os olhos dos dois que ardiam de paixão, Eomina lançou os olhos voltando as costas, os dois se vestiram e se abraçaram num beijo louco, prometendo honestidade até um dia que o destino o determinasse.

Estes sabiam que as estradas estavam traiçoeiras com a neve e gelo, assim Alípio prometeu seguir o carro de Eomina até seu destino.

Cinco horas mais tarde entravam na Cidade de London, as luzes do carro de Eomina davam sinal de encosto e paragem, os dois saíram do carro, e Eomina lançou um abarco sobre Alípio, dizendo com seus olhos lacrimejando, agora deixa-me, quero meu tempo para os estudos para poder servir a humanidade... beijou-o demoradamente... deixamos o destino decidir nossa vida, creio que ele nos vai reencontrar, Eomina entrou no carro e partiu, deixando Alípio a olhar o carro desaparecer na brancura da neve que se amontoava nos passeios da curva da rua.

Alípio chegou a seu apartamento, deitou-se pensando se tudo teria sido um sonho, e beliscava-se para ver se estava acordado.



(A Seguir: O Reencontro
)

Por: Armando C. Sousa