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Da Meninice à Velhice VIII
A
Cura Estava no Medicamento
Amigos
leitores e familiares, na verdade esta e uma ferida que nunca cicatrizou,
desta maneira quanto mais lhe toco mais dai.
Existem
certos pormenores que só a pessoa que esteve comigo em certos
momentos o poderia contar com clareza.
Depois
daquela noite terrível de rezas e água benta, onde
os meus últimos tostões foram, e ainda fiquei empenhado
para pagar ao Padre e ao táxi, com mais de três meses
de trabalho.
Durante
a noite os sigais de mente perdida continuavam. Estávamos
a dormir num cantinho da casa de minha sogra, porque visto as circunstancias
me era impossível voltar a casa.
Então
de manhã muito cedo ministrei o dobro do medicamento para
ela repousar e fui ter com um amigo que conhecia um padre, que tinha
fama de muito bondoso e verdadeiro.
Não
deixo ficar o nome de meu amigo, mas na minha freguesia todos o
conhecem, era padeiro de profissão...
O
padre vivia num prédio murado com dois metros e meio de altura,
uma ramada a toda a volta do quintal, quase a altura das janelas
do seu quarto.
Tinha
dois grandes cães da serra muito ferozes.
Meu
amigo e eu subimos o muro junto a janela onde o padre dormia, eram
5 horas da manhã, os cães ladravam, o padre mete a
espingarda pela janela, nós encostados cada um de seu lado,
e meu amigo falou, Sr Abade... sou o padeiro de Ruivaes, precisava
de falar com o senhor Abade, ao mesmo tempo deitou a mão
ao cano da espingarda.
O
padre reconheceu a voz, dizendo pronto larga a arma e vamos falar.
Durante
uns dez minutos relatamos todo que se tinha passado com minha esposa...
O
padre disse, a religião católica como todas as religiões
no mundo, tiveram um principio, combatendo de quem tinham medo,
com o medo.
E
nós, se nos congregamos a volta desta nossa religião
com verdade, poderemos ter uma vida agradável, mas a verdade
é que para propagar esta religião, aumentaram o diabo
e os espíritos, para poder obter dos outros o que d’outra
maneira não o poderiam ter.
Não
preciso enganar ninguém, basta-me o pão de cada dia.
Mas
sobre diabos espíritos ou céu, vou vos confessar,
daqui para baixo ou daqui para cima nada sei; no entanto exerço
esta profissão para viver, eu não afirmo, apenas leio
o que os homens escreveram; Armando na minha mente não existe
diabos nem espíritos, creio que deves acreditar apenas no
medico.
Dentro
do poder que nossa religião confere ao marido, faz todo o
possível para que a mente de tua esposa corra por sãos
caminhos; retira-a das gentes crédulas em espíritos
ou diabos, as coisas que vemos são bem naturais, se formos
capazes de irmos ate às raízes...
Vai
outra vez com tua esposa ver a medica, pede-lhe para que ela durma
o mais possível nestes três dias.
Nunca
lhe dês café, com ele, ela vai ficar excitada, ou sua
mente vai imaginar as profundezas do inferno como o pintam, e, por
favor, nunca dizeis a alguém que estiveste falando comigo.
Leitores,
meu amigo tinha de ir distribuir o pão; vim para casa, a
esposa ainda dormia, mas estava a dar alguns estremeções;
minha sogra disse, principiou agora... esteve sempre a dormir com
tranqüilidade.
Deitei-me
sobre ela, e muito maciinho principiei a beijar-lhe o pescoço
e a orelha; ela virou-se para o outro lado, fiz igual, sua face
tornou-me mais airosa.
Mas
num momento, ergueu-se de repente, com seu olhar fundo e passivo;
nisto perguntou onde estava; onde estou eu?
Aproveitei
para lhes dizer, estiveste a dormir, talvez a sonhar!... estas na
cama de tuas irmãs, as meninas estão aqui também.
Virou-se
para o outro lado e grunhiu... então docemente pedia para
ela tomar o leite e dei-lhe dois doces... ela olhou e disse o que
e isto?... pacientemente lhe expliquei, estes doces foram feitos
por ti, tu es especialistas nestas doçarias de casa.
Minha
esposa ficou com o olhar outra vez muito fundo; virei-me soluçando,
sufocado meu coração, mais uma vez cismava no meu
futuro, nas minhas três meninas.
Mesmo
muito mais calma, ainda não tinha perguntado pelas filhas
uma única vez...
Fui
contar todo o sucedido e escutar a medica... então a medica
me entregou medicamento para que ela dormisse sem estar aos estremeções.
Ao
mesmo tempo o medicamento o de acalmar e no quarto dia apenas uma
pastilha.
O
mesmo que é receitado a uma pessoa que lhes morre o marido
ou irmão inesperadamente, e mais essa pastilha.
Depois
de tomar dois copos de leite com dois pães, pois estava com
fome, desde a sesta-feira que nada tinha comido, apenas bebido e
olhando de olhar muito vago, depois do medicamento, ficou dormindo,
eu sempre que podia murmurava a seu ouvido palavras doces, os nomes
das filhas, coisas passadas entre nos, falava como se ela me estivesse
escutando.
Ao
outro dia de manhã pus a menina mais velha na cama junto
a mãe, esta vinha chorando e perguntando pela mãe
a todo o momento.
Dizem
que é vergonha um homem chorar, mas os homens também
choram, e bem desesperados, sim, muitas vezes eu chorei.
Minha
esposa acordou com o chamar da filha e seus beijos, e pronunciou
o seu nome.
Saosinha,
malandra que me partiste a bacia... mas logo caiu outra vez com
olhar de pensando... pedi para retirar a menina e fiquei a sós
com a esposa, mas ela se virou, eu ficando a falar, a falar, a falar...
ao passar as mãos sobre ela senti que seus peitos reagiam.
Mas
preferi dar-lhe o almoço e trazer as outras duas meninas,
ela soube dizer o nome delas e as beijou muito mesmo muito, perguntando
onde estava.
Esta
não e minha casa!?... falamos sem tocar nas condições
que ela tinha estado, mas falamos, e ela disse estou cansada toma
conta das meninas e deixa-me dormir mais um pouco.
Respondi
sim, podes dormir depois de tomares esta pastilha e eu também
me deitarei contigo, tenho de ir trabalhar a noite.
Depois
de uma hora de dormir, senti que minha esposa estava a ganhar vida...
senti-a os bicos a crescer...
Ali
fizemos amor de loucura, ao sentir que minha esposa voltaria a ser
mulher.
A
seguir capitulo IX - (Acordou
Para a Realidade)
Por:
Armando C. Sousa
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