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As Guerras de Deus
Desde
o princípio dos princípios, logo que Deus fez todas
as coisas, viu que nem tudo estava prefeito, que havia muitos erros
de manufactura e por tanto tudo continuaria sem perfeição.
Ele
mesmo, Deus é Sr. de tudo, vivia na solidão, sem ter
com quem se divertir ou com quem brigar.
Então
perto dum reguinho onde ele pôs umas pedrinhas para poder
ouvir o som da água correndo para um grande lago a que chamou
o mar, dando lhe a cor do horizonte, com todos os reflexos dum espelho
de calmaria que o cegava de monotonia, ficou triste e pensativo,
então soprou, as águas quietas revoltaram-se contra
o sopro de Deus, tornando-se em ventos ciclónicos que ainda
hoje depois de bilhões de anos, continua engolindo tudo nas
suas goelas de dentes amarelecidos que Deus lhe criou, tornando
todos os elementos em canhões de guerra para defender a natureza,
que deus disse ser suprema.
Então
Deus amoitou os ventos e continuou na sua brincadeira para vencer
a monotonia.
Com uma mão cheia de barro e um pouco de água principiou
a amassar na sua primeira guerra contra a natureza, pois apertava
o barro ate o poder manear sem este partir.
Esta
mão cheia que sai da natureza maneou-a num boneco com quem
ele podia amassar fazer explodir a seu belo prazer para banir de
si a solidão.
Um
dia cheio deste brinquedo e porque viu que estava com peito muito
forte e barrigudo, cortou um pouco e baseado na primeira maquete
quis fazer uma coisa muito mais prefeita e bonita, dentes branquinhos
e olhos movediços, lubrificados com uma pontinha de óleo
puro de oliveira; Deus queria ter gosto em alisar sem apertar, encher
as mãos de sensação de prazer.
Depois
de dar vida aos seus bonequinhos adormeceu ouvindo a água
cantarolando junto a regato.
Os
bonecos de Deus acordaram para a vida, se olharam e se viram diferentes,
se tocaram em suas partes diferentes, e logo tremiam de prazer,
e quanto mais se tocavam mais se abraçavam, mais procurava
grande sensação.
Assim
nasceu o maior prazer, o rebentar da loucura, a transformação
do homem em amor dentro desse sublime vulcão.
Deus
acordou e tornou-se jaloso , ao ver os seus brinquedos abraçar
e beijar de alegria, um por cima do outro com grande folia.
Deus
logo os quis escravizar, dizendo estás abandonados e tendes
de trabalhar, nascerá o pecado que vos vai fazer guerrear.
Pouco
tempo depois, Caim matava seu irmão Abel acometido de inveja,
e isto logo nos primeiros brinquedos que Deus criou... os outros
irmãos e irmãs seguiram caminhos diferentes cada um
com seu Deus.
Sempre
que se encontraram, esses filhos do boneco de barro; no caminho
do progresso houveram guerras...
Deus
era de criar pão para dar de comer a seus filhos, mas afinal
cria governos em seu nome, que gastam tudo em balas para matar a
humanidade, como desde o principio.
O Deus católico não quer que derreta um pneu para
fazer camisinhas e dar ao povo de África, para se livrar
das AIDS; mas da forques aos padres para estes estar cobertos e
desflorar tantas mocinhas e mocinhos.
No
Iraque o Deus católico e o Deus do Islã se matam uns
aos outros; no Líbano o Deus judeu e os Islamitas, se guerreiam
e se destroem; em Caxemira, os buídas e Guris também.
E
tudo principiou com um boneco de barro mal feito, transformado na
mais bela maravilha do mundo, e morte da solidão.
Deus
ficou jaloso da alegria dos bonecos que foram criados para ele se
divertir...
Em
alternativa, Deus criou guerras.
E
assim Deus tem entretenimento para sempre, olhando por suas guerras.
Por: Armando
C. Sousa
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