Aldeia da Maria do Mar IX

Os Dois Servindo a Humanidade

 

Depois que ficaram sozinhos Tristao e Cloé, abraçaram-se, beijaram-se e disseram um para o outro, nosso destino está traçado, qualquer que seja o caminho que seguimos, é nosso destino.

Cloé mais uma vez pondo os seus braços ao redor da cinta de Tristao, disse, Tristao eu queria fazer a diferença, nesta gente da serra, dar-lhe o melhor conforto que nos for possível, quase parecido como o que recebi da nossa amiguinha Sereia, esse bondoso arcano do mar.

Amor, respondeu Tristao, tu serás rainha do nosso destino, a tua vontade será feita...

Os dois, logo preparam os cães para que estes mais uma temporada tomarem conta da cabana e olhando pelo rebanho.

Foi preparado um pequeno trenó e atrelado aos cornos do cornudo, o bode mais velho do rebanho mas o mais obediente... o trenó foi cheio com os melhores queijos da serra e das melhores peles e alguns jarros de leite do rebanho, e os três desceram serra abaixo procurado fazer bem aos mais necessitados... dois quilometro na decente encontraram um casebre muito arruinado.

Do lado virado ao nascente, encontravam-se dois velhinhos sentados ao sol na soleira da porta... Tristao e Cloé os cumprimentaram indagando se precisavam de alguma coisa... um grade sorriso aflorou na face já muito enrugada pelos anos, mas onde as rugas do sorriso estavam bem vincadas transformando este casal em pura simpatia.

Verdade, as rugas do sorriso são de longe as mais bonitas.

Estes pediram aos dois jovens para entrar e lhos ofereceram um chá de erva cidreira.

Única bebida que poderiam oferecer, depois com um grade suspiro, ainda temos esperanças, mas já lá vão tantos anos que não vimos nosso filho; depois que imigrou nunca mais tivemos noticias dele.

Agora temos o telhado que precisa de ser reparado, chove na nossa cama e não temos forças para a mudar... os dois tomaram o chá, depois Tristao foi reparar o telhado enquanto Cloé entregava pão e queijo e um bom jarro de leite do rebanho guardado pelos cães de Castro Laboreiro, esta raça de cães com sua goleira de espinhos desbarata uma alcatéia de lobos.

Estes dois jovens pediram uma fotografia de seu único filho, dizendo, nunca se sabe onde o poderemos encontrar...

Mais abaixo uma outra casinha, onde ouviram gemidos, retiraram o cravelho de pau e entraram, vendo uma pobre senhora, ja sem forcas... seria frio que apanhou, e estava debilitada sem nada para comer, estes dois jovens retiraram um naco de carne e queijo do trenó e fizeram uma bela refeição para a senhora idosa prometendo de voltar.

Os dois jovens, depois sentaram-se num penedo olhado a fotografia do filho dos dois velhotes.

Estes remarcaram que era o rosto dum rapaz simples, sem manhas da vida... ao olhar a foto deparam com a visão do arcano do mar, que sentada num galho dum velho pinheiro manso os observava.

Esta rui e disse, venho de ver o vosso país, esta ficando lindo; levei os golfinho e toda areia vulcânica que flutuava a volta foi soprada e formou uma bela praia.

Já tinha arbustos, as arvores de tâmaras já estavam crescidinhas, não quis coco na praia para não aleijar se caíssem.

Vi que estavas a ver a foto desse moço que tanta falta faz a esses pais... eu o trarei de volta; e tu Tristao, entregaras teu rebanho a esse jovem quando eu o encontrar.

Assim ele poderá vivera com seu pais; e poderá ser muito útil a toda a vizinhança.

Teu paraíso Cloé está-se a construir; será um sonho de amor e alegria nas vossas vidas; entretanto gozai a juventude, e vivei o amor a cada momento possível sem nunca escandalizares a sociedade, Tristão e Cloé deixaram o cornudo a comer as cristas silvestres e as flores amarelas da giesta e do mato; estes dois amorosos, abraçados adormeceram encima do penedo.

No sonho viram seu arcano que lhes dizia, um dia vamos à Praia Tifá que tua amiguinha Valtima morre de saudades tuas; tem curiosidade de saber como vais.

Assim podereis ver a procura que tem a alga vermelha cura de todo o cancro.

Quando acordaram já o sol descia e se escondia no mar.

Naquela noite Cloé disse hoje amor, vamos saber o que e pobreza e sem casa.

Dormiremos onde encontrar lugar... a noite desceu, não se via uma luz na serra.

Então da descende, encontraram uma gruta que tinha como porta um molho de giestas.

Muito a cautela, retiraram as giestas e entraram.

Ao fundo da gruta, viram uma boa dúzia de pirilampos que davam uma ténue clareza.

Havia palha que estava atada em colemos, talvez para estar seca e alguém se poder deitar, normalmente os pastores tem destes esconderijos de emergência.

O cornudo também estava dentro da gruta...de madrugada Tristao ouviu a remexer na porta de giestas. Logo se apercebeu que era lobo... então agarrou um varapau que sempre o acompanhava, empurrando as giesta, grita... é lobo (marau) chega aqui o Cu ao pau, e desanda com o vareiro no lombo do lobo, que desapareceu na escuridão do bosque...




Capítulo X - Rreunião de Família

Por: Armando C. Sousa