A Dor a Droga e o Sonho II

 

Estava longe na ponta do cais, nesse cantinho de paraíso que se chama Olhão.

Tifá a minha amiguinha Sereia, se aproximou para me dar um beijinho e me contar um segredo, abri os olhos era minha esposa que me dava mais um carinho.

Olhei para a perna, um cepo duro e inchado, negra que metia medo.

Fechei os olhos com dores, voltei ao mar, ali sentia a frescura doce do meu sonhar.

Os golfinhos muito perto a saltar, a Tifá sorria a contar-me em segredo que sua Irmã queria casar, mas não sabia onde ira buscar a outra metade de mulher que controla toda a humanidade da terra; e como poderia deixar vazio de amor o mar...

Tantos seres, já tinha o mar dragado, ao ouvir seu místico e mavioso cantar.

Dizendo... Armando, este salvei-o, indicando o jovem adormecido no barquinho: não quero que volte ao mar; mas quero que viva na honestidade de seu trabalhar, um dia encontrar uma moça e se poder casar.

Ate que te passe as dores Armando, encaminha-o no teu sonhar, não importa que seja a droga que esteja esta historia a ditar.

De momento vejo o mar a se encapelar, longe via montanhas de água com cristas amarelecidas; os golfinhos voltaram a desaparecer, a zangada também... ficou o barquinho nas cristas das ondas, este foi atirado pelo mar contas as falésias da praia da rocha; sim, Portimão, um pedaço do paraíso Algarvio; foi ali que fui acordar o mocetão, gritando com as dores que a droga não podia parar.

Junto estava um belhetinho que dizia, segues para cima o que vem para baixo a correr, e nesse caminho que encontraras dificuldades e grande prazer.

O moço seguiu um reguinho que descia da montanha de Monchique, comeu frutas pelo caminho que a natureza lhes deu, cansado junto a nascente de água adormeceu.

Acordou tarde alta e subiu o planalto onde encontrou muitas flores bem viçosas.

E vai para cortar uma para cheirar, e logo ouviu, não João, não me corte ou minha ama não poderá casar contigo.

João Picudo, ficou aterrorizado de ouvir as flores falar, mas ao mesmo tempo, cheio de alegria; teria com quem falar,... e perguntou, acariciando as lindas flores do caminho. Amiguinhas, podereis dizer-me onde poderia pernoitar?...

As flores lhe disseram, segue sempre este carreirinho de jardim que te levara a uma casa velhinha, onde guardam a filha da rainha, sua madrasta a tem presa e encantada, a obriga nas noites sem luar com sua cantarinha nos vir regar.

A princesa mourisca ali era guardada no poço que só poderia subir com corda de ouro cobre e prata entrançada.

Amigo leitor, não te rias de ainda estarmos no tempo de princesas e rainhas... no sonho tudo pode acontecer, mesmo fazer amor ou morrer...

João Picudo chegou junto da casa velhinha, sinistra morada esta, mas que este nunca teve medo do feio, da noite, ou do diabo.

Este estava cansado e entre mantas e farrapos se deitou junto ao poço que ficava dentro para a água não gelar.

Ali estava encantada a princesinha, mas João Picudo não sabia.

Altas horas um enorme trovão e relampejar, e no meio uma voz a berrar; vou voar, vou voar... João Picudo cheio de sono, diz no seu dormir, voa filho d’um corna até as asas te partir.

No meio dum relâmpago um penico de cobre cais a seus pés que o estava a queimar.

João Picudo pega, e o atira ao poço, que fez um fio ao cair, e João disse vai queimar o diabo.

Mas logo outra vez, eu vôo eu vôo... João... voa ou cai, mas deixa-me dormir filho dum mafarrico.

Desta vez cai um penico cheio de prata a ferver; João diz, vais para a água para te arrefecer, e zaz atira o bulhão que forma outro fiinho.

E outra vez eu vôo, eu vôo, este atira a macheada donde vinha a voz, e logo a bruxa caio com um penico cheio de ouro na mão.

Este tinha-lhe acertado com a machada no coração.

Era a bruxa rainha que no poço tinha encerrada a princesinha.

Este ouviu chorar na escuridão, foi ver, era a princesinha que tinha subido na corda de cobre ouro e prata de sua secular prisão, esta corda feita com os fios dos penicos...

A princesinha beijos o mocetão, em reconhecimento de sua acção.

Tirando todo o tesouro do fundo do poço, os dois agora namorados desapareceram do lugar, construíram um palácio em Sevilha, para onde foram morar.

Ali vão festejar o natal.

O Armando fora de drogas esta a melhorar, esperando convosco e com alegria o natal festejar, depois ir para junto do mar, encontrar a Tifá para mais histórias vos contar.


Feliz Natal!


Por: Armando C. Sousa