A Dor a Droga e o Sonho

 

O dia estava lindo, temperatura de verão de são Martinho, sentia-me disposto a ceder a todos os sentimentos da esposa.

No passeio matinal vimos no armazém uma render, motivo natalício.

Esta era d do jardim, mas motorizada em movimentos. muitas luzes, mas precisaria de ainda de mais para ser mais brilhante. A esposa pediu, vamos enfeitar a casa mais este anos, quem sabe se será o ultimo natal, de termos o prazer vermos a alegria nos olhos das crianças a remirar as luzes e efeitos de nossa casa.

O sentirmos em conjunto a alegria desta quadra festiva, foi sempre a mais bela dos anos.

O coração alegra-se em família, e todos os humanos, os sentimentos como irmãos.

A grande estrela que bilha em cima da nossa casinha todos os anos foi enfeitada, as luzes todas brilhavam, com alegria a levantei para depois instalar todas as luzes e ficar tudo trabalhando harmoniosamente, dando ao mundo a alegria de mais um feliz Natal.

Lancei a escada para instalar as luzes no telhado, sentia-me alegre, o primeiro lanço estava pronto viro-me para descer, ao contrario do que deveria fazer, lanço o passo, senti que falhei, me ia estatelar, dei força ao músculo para ver se resistia... não... a esta minha idade não podia; senti o pé bater o músculo como serras a o cortar, depois o (bumbum) a bater, o quadril a doer, vi o céu a escurecer, estrelas iam e vinham na escuridão da dor.

Senti que fui bem pago pelo meu sentimento de amor, nada tinha partido... levantei-me quase sem sentido, mas levantei para chamar alguém para me levar ao hospital.

Ali me estrebuchava com dores sem ter cama, a cada movimento o músculo rompia.

Tudo porque queria dar e ter um natal de alegria.

Depois de mal tratado no hospital, sem cama, dum lado para o outro, sem poder andar, sentia tanta dor, que fazia caras feias para não gritar.

As filhas me trouxeram no carro, quase de rasto subi para a cama pedindo para me cobriu a perna com gelo, para o frio acalmar a dor.

Chegou a droga para me fazer esquecer a dor, senti ver estrelas, mas desta vez com cor.
Sem dormir, fiquei a sonhar; umas vezes com grandes dragões que me queriam despedaçar; d’outras vezes a água o azul e brandura do mar.

Minha mente me levou a um cantinho de Portugal onde a temperatura era amena; disse minha mente?.. Mentira, era a droga que estava a trabalhar, e a mente por a droga emprestada, me deixava repousar.

Então via neste sonho de drogado, minha amiga Tifá, a sereia, esta chegava numa linda zangada feita de algas marinhas de muitas cores, enfeitada de bugios e pérolas, muitas fadas sentadas em conchas... estas vestidas com nada, cobertas pela longa cabeleira: era de sonho, em que a droga me tornava; dois cavalos marinhos, bastantes golfinhos puxavam a zangada, em cima desta uma barquinha, com alguém inanimada.

Era a Tifa que a praia trazia, esse alguém que havia salvado.

Esta o depôs devagarinho na areia, dizendo, encaminha-o para o trabalho, eu lhe dou o condão de compreender e falar todas as línguas, mesmos as línguas dos maus espíritos e das flores, mas que não volta ao mar... não podemos, mas por homens belos como este morremos de amores.

Tu armando, acorda deste sonho para te drogar, e poderes resistir a dor que dilacera teu ser, voltas para esta historia continuar, que te farei sonhar diversas, ate sarar esse músculo dilacerado pelo trambolhão; vejo que tens a perna preta como um carvão.

Mas logo saíram dragões do mar, procurando me comer, eu não podia correr, acordei do sonho drogado a gemer.

Pedi para a perna de gelo cobrir, tomar outra pastilha e ficar a sonhar sem dormir.

Na próxima vamos seguir o rasto do desconhecido que chegou na zangada.


Por: Armando C. Sousa