Verão é Felicidade

Já estou cansado, este é já o quinto saco de folha que apanhei duma árvore que não está no meu terreno, mas faz parte, enquanto a Câmara quiser.

Leitores, mesmo varri a rua, mas o raio da folha tem (piteira) comigo, está voando para o meu terreiro a dos meus vizinhos, mas é folha.

De verão, não tinha este azedume, até gostava de me sentar debaixo da arvore, com a mangueira na mão e dar
de beber às flores que tinha nos canteiros, vasos na frente e atrás da casa, certas vezes ficava com a cabeça sarapintada de amoras, da cagadela dos passarinhos; mas era verão que tanto felicidade me dá.

Digo-vos que não gosto deste outono sombrio e molhado, esta humidade que me entra nos ossos e põe as juntas todas enferrujadas, é nos tornozelos, nos joelhos, no fundo da espinha, nos ombros pescoço, tenho andado a pensar como o poderei retirar esta sensação de dor da cabeça causada por este maldito tumor no ouvido direito, que teimou em deixar de ouvir.

Dizer-vos que gosto de ou vir a musica de Natal, as luzes de mil cores, as vitrinas cheias de coisas bonitas e cristalizadas, as novidades electrónicas de fazer um pai e uma mãe loucos com a pedincharias das crianças; sim gosto de tudo isso, muito satisfeito porque sei que neste terceiro milénio, as crianças sabem muito bem que não existe pai Natal nem menino Jesus; foi uma grande mentira que durante séculos dominou a mente frágil dos pais, as crianças hoje sabem tanta coisa, que eu penso que meu dicionário já não tem significado para eles; eu desde à muito que perdi o combóio do aprender, e o vagam do saber lentamente se vai esvaziando.

Alguns netos já pegam no telescópio e vão brincar com as estrela, outros no microscópio para ver o microorganismos da terra, que são vida da nossa vida.

Claro que vos quero dizer que não gosto do frio nem de ver neve a cair, primeiro porque a tenho de retirar do meu terreiro que é grande, depois as ruas são uma (calamidade) desde que entregaram a limpeza a (contractos).

Certas ruas mais pequenas ficam dias sem ser limpas; tanta gente a fazer das rimas de neve a garagem para seus carros.

Os acidentes acontecem; as pessoas ficam em apuros sem carros e as segurança a subirem mais altas que os foguetões siuks.

Verdade que não posso fazer vir o verão ao meu encontro, com os seu belos (pic nics) cheios de sabor, cheios de alegria, cheios de folclore e quantas vezes de gozo, muita musica e cerveja; há... mas a sardinhada e o pão de milho.

Depois as praias... ai as praias... com aquelas sereias peladinhas, a cerveja enterrada na areia bem funda, para não perder a frescura, aquelas frutas quase ao sair da arvore; aquela pele bronzeada duma loira qualquer; Oh que saudades de ti verão, que me deixaste e não sei se voltarás para mi.

Verão, eu te amo tanto, vou ver se arranjo uns cobres e vou a teu encontro por uma semana ou duas, tu sabes a felicidade que sinto procurando beijinhos de todas as cores.

Verão, pátio privado, cadeira comprida, o rolar nele com a esposa é a melhor felicidade da vida.

Para mi o verão, flores, crianças a brincar, a graça das mulheres inclinadas ao amor, os desejos que tenho de ver o inédito e o concretizar formam o único paraíso que para mim existe, viver o verão, é minha felicidade.



Por: Armando C. Sousa