| Timor
O
Crocodilo que veio a ser Timor
Como
em todas as terras existem lendas que vem desde que a terra começou
a ser habitada, e como não podia deixar de ser, Timor é
fértil em lendas; mas como é um País, com muitas
línguas e dialetos, as lendas podem fazer diferença
duma parte á outra do País.
O povo Timorense é muito orgulhoso da lenda que diz e o CROCODILO
veio TIMOR.
Isto já lá vão muitos milênios, ouvia-se
dizer que houve um pequenino crocodilo que vivia em pouco espaço
; mas os seus sonhos eram grandes.
O
charco lameiro é sem duvida o lugar mais difícil para
viver; água baixa e estagnada, era sempre visto por estranhos.
Ele
bem subia aos lados, mas nunca encontrava nada que o tentasse a
comer. Por esta razão ele estava doente e cheio de estar
no charco lameiro; mas o crocodilo não tinha outro lugar
para viver… Passaram milhares de anos e o crocodilo gostava
de dizer o que o mantinha, vivendo;
Ele fazia perguntas a si mesmo; e como fosse outro ele, respondia
as suas perguntas;
Mesmo
assim falando para si mesmo, dizia, tantos anos a falar para mim
mesmo, estou ficando sem nada para dizer;
Ali
não havia muitos peixes ou outros animais para fazer uma
refeição capas de encher a barriga.
Ainda
se eu pudesse apanhar um porquito ou cabra mesmo se fosse um cão
qualquer coisa que tenha bom sabor sem ser duro como rocha.
Estou
doente de viver com tão pouco ; num lugar destes; dizia o
crocodilo com desespero.
Tem paciência… Tem paciência; dizia seu pensamento,
que era o seu companheiro de imaginação. Mas o crocodilo
não podia viver só de paciência; dizia, isto
há limites para tudo, mesmo para resistir á fome.
O
crocodilo começou a ficar fraco e de espírito baixo
os olhos começaram a ficar pesados e quase não os
podia abrir; ele mal podia levantar a cabeça e abrir a boca,
eu tenho de sair daqui e ir procurar comida talvez mais longe .
Com
grande esforço subiu a ladeira; através da lama e
chegou ao areal andou, andou, não via sombra em parte alguma
o sol alto aquecia a areia , sem forças ali ficou deixando-se
assar em vida pelo sol ardente.
Naquele
momento um moço que por ali passava, ele mesmo a suar perguntou
que se passa crocodilo ?… Estás perdido?… Tens
as pernas partidas? Caiu o céu encima de ti?
Não…
Não tenho as pernas partidas; mas não tenho forças
para ir mais longe, estou tão fraco que já não
posso fugir a este calor que me mata.
O
moço respondeu, se tu quere,s eu poderei ajudar-te foi direito
ao crocodilo, e zaz, pegou nele ás costas e levou-o até
á beira do charco onde o crocodilo vivia.
O
moço não deu por isso ,é que o crocodilo abriu
os olhos brilhantes como diamantes; abriu a boca passou a língua
pelos dentes como uma serra bem afiada.
Este moço deveria o melhor prato da minha vida; com uma chibatada
do meu rabo depois era só engolir logo a sua consciência
dizia; não, não sejas ingrato.
Ao mesmo tempo o outro macaquinho dizia; tu precisas de comer, mas
a consciência dizia; eu sei mas é uma grande vergonha
atraiçoar o primeiro amigo que tiveste.
O outro macaquinho dizia; então esperas morrer de fome sem
fazeres nada?…
Então quando o rapaz o pôs no charco da água
o crocodilo sorriu; abriu e fechou os olhos abanou o rabo e disse.
Obrigado, muito obrigado, tu és o primeiro amigo que eu tive,
não te posso dar nada; mas se tu ainda não viste nada
para alem destes charcos e lameiros e se um dia quiseres atravessar
isto e ir ver o mar.
Muito
gostaria porque é esse o meu sonho, ver o que há para
alem do mar.
Tu disseste sonho?... Eu também sonho nisso, , respondeu
o crocodilo.
Separaram-se;
o moço nunca reparou que o crocodilo esteve tentado a dar-lhe
uma volta nos seus intestinos; a fome era negra.
Os
tempos passaram, até que um dia o moço voltou.
Mal conhecia o crocodilo; as queimaduras tinham sarado, e estava
gordo; não passava fome de certeza.
O
moço diz, escuta crocodilo; meus sonhos continuam e preciso
satisfaze-los.
Promessa
é promessa, responde o crocodilo. Olha! Eu tenho encontrado
tanta, tanta comida que quase esqueci meus sonhos; fizeste bem vires
para me lembrar, tu queres ir já através de mar?..
É
só o que eu quero crocodilo, ir ver as maravilha da natureza,
mesmo o fundo deve ser lindíssimo.
Não percamos mais tempo; amigo! Vamos lá; a alegria
que sentiam era enorme…
O moço sentou-se nas costas do crocodilo como se ele fosse
um barco e lá foram eles direitinhos ao mar.
O mar era tamanho! Tão grande, Tão rico; que beleza
sem par, por vezes tão meiguinho.
Os
dois ficaram pasmados; eles olhavam e nunca viam o fim dia e noite
dia e noite, nunca pararam; viram ilhas grandes e pequenas, umas
com grandes montanhas, grandes e pequenas arvores, lindos pássaros
de mie umas cores, nuvens e nevoeiros cobriam outras, ouviram o
grunhido das baleias e o guinchar dos golfinhos, eles já
não sabiam o que seria mais bonito, se o movimento das águas
ou o cintilar e movimento das estrelas o vai e vem do luar ou o
espelho causado pelos reflexos do sol de quem eles iam sempre atrás,
até que um dia o crocodilo ficou cansado, dizendo ao moço,
o meu sonho acabou; eu não posso ir mais longe.
Pois
olha o meu nunca acabara; o rapaz ainda estava falando quando de
repente o crocodilo começou a crescer a crescer a crescer
mas parecendo-se sempre com o que era, tornando-se em montes, e
grandes montanhas, florestas e ribeiros que se tornavam em rios,
e os graeiros de cheiro que trazia espalhou-os dando vieram grandes
árvores com muita gente livre como os passarinhos até
que lá chegaram os.
É
por isso que Timor, tem a forma de crocodilo.
Isto era o que eu ouvia quando criança e que os acontecimentos
recentes vieram desperta o meu inconsciente adormecido por mais
de meia centena de anos.
Por: Armando C. Sousa
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