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O Medo
O medo é apenas uma palavra mágica,
que tem a força e o condão de se associar com as crendices,
com os boatos, as lendas e sobretudo as feitiçarias bruxas
lobisomens diabo e todas estas coisas associadas á magia
negra, verdadeira ou não.
Creio que
não há nada de diabólico ou feitiço
sem o medo; tudo que acontece são factos bem naturais associados
ao medo, e o mesmo associado ás histórias dos portelas
de cão, das sete pontes, das sete fontes, dos gatos pretos,
e sobretudo dos defumadores; que diziam servir para afugentar os
espíritos; doenças que o Dr, não acertava com
o medicamento, feitiçarias ou lá o que é, amor
não correspondido e mil e uma histórias mais...
Com 14 ou
15 anos de idade associava-me com outra juventude, á noite
juntavam-se para contar historias desse gênero, os de Espírito
mais fraco e mais crédulo iam revivar-lhas sempre que se
encontrassem sozinhos em sítios menos povoados a altas horas
da noite; eu também fazia parte desses crédulos, até
que isto que vou contar aconteceu...
Tinha eu
á volta de 17 ou 18 anos o verão tinha sido longo
e seco, e para atenuar a falta de energia nas indústrias
têxteis do Vale do Ave, onde trabalhava, era preciso repartir
pelas indústrias a energia a determinadas horas; as horas
onde trabalhava eram das 5 da manhã ao meio dia; precisando
de sair de casa uma hora mais cedo para percorrer 6 quilômetros
a pé e de tamancos; a noite estava escura, caminho estreito
e ladeado de grandes pinheirais, eu lá seguia assobiando
para me esquecer das histórias de bruxas e lobisomens, quando
de repente senti qualquer coisa queimar me um Pé, ao dar
um escorregão por cima de uma pedra...
Então
senti um cheiro forte a alecrim, alho, arruda e funcho; os ingredientes
principais junto com brasas; nesse momento o meu cabelo ficou mais
teso que os cabelos de porco espinho, a gorra não a sentia
em cima da cabeça, as pernas tremiam suor frio me corria
em todo o corpo, a boca abriu-se para dar um grito estrondoso, mas
logo se fechou ao meu pensamento me trazer á realidade, talvez
um mais crédulo de que eu e mais estúpido.
Agora com
forças redobradas, e com mais confiança, segui o meu
caminho, talvez tivesse andado duzentos metros, logo me veio á
cabeça que tinha de passar ao cemitério e que era
já ali a mais 150 metros, minha histamina redobrada mas ao
mesmo tempo pensava, porquê hoje sexta-feira e dia 13?...
Quando comecei
a ouvir um barulho dentro do campo de milho que rodeava o cemitério,
zeeet, zzzeet, zzeeeet de momento por entre duas pedras que serviam
de vedação saiu qualquer coisa que passou entre minhas
pernas, e logo a seguir outra maior, o meu pensamento abriu-se espontaneamente,
isto não é mais que um coelho e uma raposa ou cão,
e logo a seguir ouvi chie, chie, talvez o coelho morrendo na boca
do animal...
Seguidamente,
a cinqüenta metro do cemitério, ouvia geet, geet, sem
mais, subi a cima do murozito e logo vi que era água a cair
dentro de um tanque vazio, pois a água já não
fazia falta para regar, tudo isto se passou porque eu tinha associado
o medo á crença, agora era outro homem, o meu pensamento
falando comigo, dizia, tu és mais forte que o diabo; não
temas ele não existe para ti, e assim pensando segui meu
caminho.
Mas agora
a dois passos do cemitério onde os espíritos da noite
me estariam espreitando, eram estas crendices que aterrorizarão
o mundo aldeão, que se associava ás ladainhas e orações
que os padres rezam no fim da missa pelo menos do domingo; oração
mais ou menos assim; rezamos um pai nosso pelas almas do purgatório
e para que Deus nos livre dos espíritos malignos que vagueiam
pelo mundo para perdição das almas.
Os padres
do meu tempo, tem muitas contas a dar a Deus, mas ao verdadeiro
e não a essas estatuetas que se passeiam aí ao domingo...
saí desta experiência mais homem e convencido que todos
os fenômenos tem uma explicação natural, mas
devemos procura-la, no momento em vez de fugirmos dando ouvidos
as crenças do diabo, todos estamos sujeitos a ficarmos de
Espírito fraco, mas não devemos pedir conselho ao
fanatismo associado com o interesse do dinheiro, mas sim a Drs.
Jornalistas, ou homens da ciência, reparai que aqueles que
dizem que andaram meio mundo pare te ajudar, nada tem, não
foram capazes de se ajudarem a si próprios, se as crendices
de criança estivessem ainda em minha cabeça.
Como poderia
eu trabalhar 11 anos a1200 metros abaixo da face da terra, muitas
vezes só, ouvindo o estalar da pedra com a pressão,
dos canos de 40 centímetros com o ar, e muitas vezes a bateria
da luz que era a dos nossos olhos morta; escuridão total,
lembrando-nos que estávamos muito perto do inferno de acordo
com as crenças dos optortunistas...
Quanto a
mim o interesse do dinheiro ligado á religião que
eu conheço faz aumentar a superstição e a ignorância
da vida real,; ainda não vai á muito tempo que os
jornais reportarão um caso associado com as crenças
e a ignorância, a vida de uma criança foi o preço
dessas venselheiras com crenças diabólicas... diversas
histórias como esta se passarão com explicações
bem naturais e simples nestes meus 66 anos de vida.
Por: Armando
C. Sousa
15/09/1998
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