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Nós Na Garganta
Estou gasto
com a meada da vida emaranhada no meu pensar adormecido... Verdade,
certas noites no meu dormir e na incerteza do sono e no inconsciente
do que se passa, sinto-me esganado com nós cegos na garganta
que ali ficam presos, e me não querem deixar voltar ha vida.
Amigos
nestas ocasiões desespero...
O
meu medo deve ser o não poder voltar a acordar.
No
sono, faço um enorme esforço para encontrar o fio
dessa meada cor da vida, e procuro retirar o nó entalado
na garganta.
Acordando
fico com medo que aquele fio tecido de sonhos se possa desfazer
na mão e o nó fique... assim a mente arrebente sem
eu poder chamar.
E
no meio da noite esbaforido, poder dizer; amoreeeeeeeeeee!!!...
Meia
volta na cama, e inconsciente sinto meus cabelos molhados, viro
o travesseiro para não cheirar o esgoto que faz o pouco cabelo
com uma macieza morna e um lodo vivo, saído de mim.
Sim, de mim sai um rio, sinto uma corrente de água passar
por minhas mãos... a cama e os lençóis molhados
por onde passa esse rio, nascente do medo do meu corpo adormecido.
Mais
meia volta, continuo-o fazendo um esforço, puxando pelo fio
da memória enrolado no rio nascendo da mente.
Sinto
o céu a aproximar-se e a luz de meus olhos tornando-se preta,
a garganta sem poder dar o berro do acordo.
Um
último esforço, o fio não partiu e arrancou
esse nó que não me deixava acordar...
O
ramo da árvore a meu lado já abanava com o condor
saltitando procurando descer sobre meus olhos.
O
grito saiu no meio da noite, creio que meu coração
tinha relentado, mesmo quase parado, deixando-me satisfeito por
ainda viver, mas ao mesmo tempo pensando, se não rebentasse
o nó, o grito pelo amoreeeeeeeeeee, não partisse,
seria o meu ultimo e eterno adormecer.
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