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Maria do Mar
Muitos
anos atrás lá longe naquela faixa de terra que me
viu nascer, a cada sol que nascia sem ser encoberto pelas nuvens
entrava pela única janela daquela quase barraquinha encostada
ao penedo grande que resguardava do vento norte e zimbre do mar.
Esta
barraquinha foi construída pelas mãos fortes e pele
queimada do João do mar e amigos, nome que lhe vinha de seu
pai pescador nas fainas do bacalhau, onde passava metade de sua
vida, e mais três quartos da mesma vida na pesca da sardinha,
o povo lhe chamavam o Tapume do Mar.
João
cresceu com seu pai olhando as estrelas que o guiavam na pesca da
sardinha, e ainda novo seguia na campanha do bacalhau na Terra nova...
ou como se diz em Inglês New Fund Land, mas sempre que chegavam
da faina as moças do lugar organizavam bailes para cortejar
os rapazes que 6 meses desapareciam imigrados do mar, tinham como
pátria o navio, e como lugar o seu barco dorei e seus anzóis,
encantados pelas notas que poderiam ganhar como embarcadiços.
Todo
aquele tempo no mar depois de estender seus anzóis que tinham
preparado com iscas de doze sardinhas que recebiam; cortadas em
muitos bocados, para aumentarem mais a chance de encherem o barco
de pescado; estes pescadores se deitavam no fundo do barco esperando
que as sereias ou as mossas da terra os viessem levantar do sono,
para os levar para loucos e inimagináveis prazeres onde os
lábios das sereias vermelhos e grossos se tornavam no único
sexo que João amava da sereia e único que conhecia,
a beleza e meiguice desses arcanos do mar eram as criaturas mais
desejáveis no sonho.
Outras vezes vinham as moças da terra ao sonho, corriam por
entre o centeio, onde os rapazes procuravam ver e sentir o mistério
que existia ao cimo das pernas, naquele sitio onde existia o infinito
da vida; por onde vida nascia e a loucura do prazer morria por estantes.
Numa
dessas corridas verdadeiras, Maria, que era louca por João
do Mar, se deixou cair entre as palhas amarelecidas e macias do
centeio, esperando o desconhecido com que João do mar também
sempre sonhava; esta queria ser a Maria do Mar esposa de João
e ir viver para a barraquinha virada ao sul, livre do vento norte
do mar, e receber as caricias do sol da manhã, e ver o mesmo
descer no disco infinito daquele mar que a enfeitiçava, ao
ouvir as historias de sonho de seu João que tanto adorava,
desde aquelas corridas de criança no meio do milho ou centeio,
aqueles sonhos loucos com as sereias quando este adormecia no fundo
do seu dorei esperando que o bacalhau mordesse o isco, ou ver e
acariciar onde terminariam suas belas pernas, fonte da vida.
Maria
e João estavam loucos de prazer, Maria sentia suas entranhas
abrir em dor e prazer, como um botão abrindo em flor, os
dois rolavam, fazendo mil promessas de amor; ela seria a Maria esposa
de João do Mar.
Os
preparativos do casamento iniciaram-se, e havia azafama na aldeia
pescatória, barcos se engalanavam, os amigos levariam os
dois noivos a se unir, iriam todos em procissão fazer votos
há rainha do mar, esboço rupreste gravado no penedo
da gruta, talvez cinzelado pelas águas ondas e espuma, pelo
sol ou o vento, mas o esboço era uma imagem bem visível
duma sereia, a quém os pescadoras adoravam e temiam a considerando
Rainha do Mar; ali João e Maria do Mar juraram fidelidade
que apenas poderia ser quebrada pelo sonhos, a dormir a mente teria
liberdade de quebrar promessas e satisfazer o desconhecido da mente
dos poros de suor, o gustativo do pensar viajando num alem desconhecido
dum viver de prazer que apenas a morte pode explicar.
Poucos
dias depois João partia para a Campanha do bacalhau, deixando
Maria do Mar fervendo do prazer louco a que se habituara naqueles
poucos dias de amor.
Maria
satisfazia todas as loucuras que João sonhara com as sereias,
amor que esperava ser para a vida.
Na
noite, antes de João partir para a campanha do bacalhau,
foram os dois visitar a rainha do mar, e perante aquele esboço
e promessas adormeceram.... vieram os sonhos lindos e cheios de
prazer.
Maria
sonhando... encontrava-se deitada no penedo que abrigava sua casinha
do vento do mar norte, enquanto esperava por seu amado... a ela
chegou um lindo e fogoso cavalo Marinho, este desafiou Maria a ir
ver as maravilhas do mar. Os corais, as conchas com pérolas
negras, pequeninos bugios de diamantes e o verdadeiro prazer, o
encontro com seu João do Mar, tudo isto antes de acordar.
Maria
concordou, entrou nua no mar e montou no cavalo marinho que principiou
a cavalgar nas ondas: Ho... o prazer de saltar no cavalo era indescritível,
este principiou a crescer seu sexo no dorso, e a penetrar em Maria,
levando-a ao delírio do prazer da loucura voluptuosa do querer
mais e mais; Maria depois do adorar a Rainha, e do seu adormecer...
vivia apenas no sonho que também é viver.
João
no seu sonho de loucura, estava no seu barco a pescar, as sereias
com ele a fazer amor, estas o levaram para a praia onda as moças
do lugar o encontraram nu principiando uma brincadeira louca quando
ele não tinha mais para dar, aflito o fez acordar, Maria
acordada também envergonhada de todo seu vaie vem...
Maria
confessou seu sonho ao seu marido João... dizendo, vivendo
amor, eu te adoro de meu coração, e não te
quero perder contigo quero sempre viver... João confessou
onde esteve e a aflição que o fez acordar, dizendo,
Querida não, não te vou deixar, podemos ser pobres
mas juntos na nossa casinha... os dois viveram das ostras e da sardinha.
Um
dia, os dois mergulhando na cave do penedo da rainha, entraram numa
galeria onde sonharam ter visto clareza do dia, foram dar a uma
quase ilha dentro da cave, ali as ostras eram grandes e diferentes,
muitas continham pérolas negras e cor do vinho, os dois abriram
o suficiente para fazer um colar que era uma riqueza.
Maria
e João do mar se orgulhavam de seu segredo, e do único
colar que já mais tinham visto nos mercados por onde passavam.
Um
dia veio uma Rainha passar e ver a beleza daquele lugar, ela viu
Maria com seu colar nunca visto igual, logo o quis comprar, Maria
não o queria vender, mas tinha medo de seu poder, lhe propôs
um preço para a Rainha não aceitar...
Disse,
senhora: este colar é único: aqui precisamos de casas
para os pescadores, e uma estalagem para os visitores, não
temos outra coisa a oferecer...
A
rainha sorriu e mandou erguer uma vila, ao lado do penedo uma boa
estalagem que lhes foi dado o nome Estalagem Maria do Mar.
Junto
ao mar Maria E João explorando a estalagem viveram muito
felizes sem nunca ter ciúmes dos sonhos, mas sabendo que
sonhar é também em muitos sonhos um verdadeiro viver,
estes sabem que o momento pode encaminha todo o ser humano para
o prazer, assim quiseram, viver a vida juntinhos, e de seu amor
nasceram seu filhinhos todos baptizados na gruta da deusa do mar.
Maria e João do mar, sabem que a mente que criou as sereias
tem muitas historias para contar, das fadas andinas e arcanos do
espaço e do mar.
Se quiseres amigos e amigas eu mesmo um dia voltarei para vos escrever,
se vos gostais de passar tempo a me ler.
Por: Armando
C. Sousa
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