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JUNHO de 2006
06-03
Deitado na cadeira comprida, com uma lourinha
na mão... para me saciar e esquecer do tempo, o sol tinha
descido, e já via lá no alto do infinito as duas primeiras
estrelas, que me piscavam como duas mocinhas, me desafiando para
uma noite de sonho...
Era como me estivesse a aguçar o apetite de uma juventude
envelhecida, mas que foi fugaz.
Para a beleza
debruçada sobre mim, sempre com moderação e
respeito...
Nunca viravas
as costas, mas também nunca escravizava...
Assim, quantas
vezes cheguei ao delírio, como recompensa da macieza que
usava para com a coisa mais sublime que o homem poderia encontrar
neste mundo quase cão... Para mim o sexo oposto foi sempre
meu grande amor, o entrar na profundeza do sublime, no meio da floresta
da vida...
Oh, o sentir
os lábios duma dessas flores a morder os meus, procurando
o toque de minha língua, é a loucura do prazer...
Mas mesmo no descer da saia, principiava o frenesi mágico
da paixão a visão dos primeiros pelos, ficava como
um cavalo, mas só a meiguice da mulher me poderia levar ao
píncaro de que o homem pode chegar.
Fechei os
olhos e a idealizar uma mulher que nunca vi, mas descrita por minha
mente e por a dela, com meus olhos fechados via a descer.
Que beleza nua sorrindo, pairava em minha frente mas me triturando
a minha mente, fora do meu alcance.
Sem a poder
atrair virei me de lado sempre a sonhar... agora senti que descia,
se sentava a meu lado e me descobria me voltado para cima, de olhos
fechados sempre sonhando, senti-me chegar ao paraíso, com
o balouçar acordei, estavas tu encima de mim gritando com
a loucura do prazer...
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