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Contas de Lá Longe...
Foi
com enorme prazer que minha mente respondeu a chamada dos gritos
que dilaceravam, o culto do dever, chamada de saudade do torrão
que meus olhos ainda não tinham visto... meu coração
arrastava-me para levar comigo minha esposa para fazer tratamento
termal, num sitio que vem encantando a humanidade e dando alivio
a tantas dores...
Termas
de Monchique, termas que vem da Lusotanidade onde as gentes reais
se retiravam para obter os benefícios das aguas que nascem
dos penedos da montanha do mesmo nome.
Para falar-vos da beleza de sua fauna florestal e de suas ervas
medicamentosas, não tenho capacidade, apenas meus olhos enriqueceram
minha mente, entre conversas com gente simples mas afável
do lugar, que me contavam lindas lendas mouriscas.
Para
falar-vos como a gente ama a terra onde nasce, e para voz compreenderes,
terias de fazer uma viagem a esses sítios, deixares encantar
teus olhos para veres, e sentires por ti mesmo... uma casa se constrói
nos sítios mais íngremes, mas terreno de família,
e ali se forma uma aldeia. A vila de Monchique encrostada nas rabinas
da montanha do mesmo nome mostra seu quê de antiguidade, ali
podes ver uma nora de nosso tempo, ainda tirando água com
seus canecos... mas também onde as gentes se conhecem e se
encontram para dois dedos de conversa e um bagaço de medrunho
ou figo... muito no alto ficam as ruínas do convento donde
um dia Teresa de Albuquerque viu embarcar seu grande amor Simão,
para o degredo...Personagens do Amor de Perdição...
romance escrito por Camilo Castelo Branco.
A
temperatura esteve amena para a minha estadia na Praia da Rocha
e para minhas volta pela serra e restaurantes ...mesmo junto ao
mar as marisqueiras, que se tornaram predilectas para nosso almoço
quando possível...quando meu corpo descia para sentir o escorregar
da areia macia e brilhante abaixo das falésias de mais de
70 metros, o sol aquecia, e as mesmas falésias retinham a
aragem mais quente vindas do lado de África, dando um não
sei quê de bem estar.
As
flores de todas as cores, as belas laranjas deliciosas como desde
muitos anos não tinha comido e (maganorios) ficando maduros
davam vida ao espírito mais abatido pelos longos dias friorentos
dum longo inverno Canadiano.
As
ruas eram uma beleza...bem estruturadas e cheias de verdura e flores,
logo se via que eram dum Portugal renascido das cinzas depois da
revolução dos cravos... 25 de abril 1974.
Li alguma parte, Algarve esta a venda...mas eu creio que parte dele,
já não e Português, esta vendido, e com o Algarve
estão vendendo a língua... numa das minhas viagem
fora do Algarve, tive de implorar para dar as informações
em língua Portuguesa, os guias estão mais interessados
em servir em língua Inglesa e Alemã.
Clube
Praia da Rocha onde me instalei, o acústico deixa muito a
desejar, a privacidade não existe nestas condições,
e a cama mal me podia virar de tão (estreitinha) para relações
amorosas, precisava de juntar as duas camas, com a nossa idade já
não podemos fazer ginástica.
Mas
a beleza dos arredores, piscina, jardim bares restaurante, e mesmo
os empregados estavam sempre prontos para ajudar, não a posso
negar... tudo maravilhoso... na semana pascal ficou tudo super lutado...restaurantes
eram demais a solicitar fregueses, mas creio que estão matando
a galinha de ovos de oro com sua maneira explicativa....mas em todo
o caso mais vale dar ao gato que ao rato. O Algarve é maravilhoso.
A viagem para mim e muito cansativa, em aviões onde vamos
como sardinha na lata, e longas horas... não voltarei, mas
se voltar... farei viagem para o Porto e depois de dois dias no
Porto viajarei de carro para um dos lugares mais maravilhosos no
mundo Algarve.
Por: Armando
C. Sousa
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