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A Bela e o Violino Viotti
(Parte I)
Lá
longe, do outro lado do mar, onde a terra principia com muitos penedos,
por entremeio deles, areias branquinha, com uma espécie de
lagos de água salgada que fica das marés; as áreas
formadas por conchinhas quebradas pelas ondas do mar e que fizeram
o alimento de tanta espuma e tantos habitantes daquele abismo quase
sem fundo que vem fascinando a mente das raças humanas deste
universo que nos dá vida e nos engole.
A mãe natureza foi muito meiga e pródiga para aquela
montanha lusa donde se pode ouvir como num sussurro, os sons de
encanto que continuam a povoar nossa mente.
Num dos pequenos vales pouco a baixo do pico existia mesmo antes
dos Romanos povoarem essa península, uma fonte de águas
quentes e muito frias que se podem denominar de milagrosas.
Ali, o ar que soprava do mediterrâneo era morno e criador,
antes da primavera era delicioso sentir o perfume das amendoeiras
que enchiam o vele e montanhas circunvizinhas que desciam até
ao mar entre o contraste do amarelo das mimosas, o enverdecer dos
castanheiros e o florir de suas lamparinas amarelas, formando um
tudo de beleza cor e cheiro que inebriava fazendo o viver delicioso
no meio de seres humanos cheios de beleza e arte, e malícia;
ali naquelas termas se juntavam as mais belas princesas de todos
os canto da península ibérica.
Naquele dia morno e solarengo, Tico desceu com seu violino Viotti
para experimentar o movimento de seus dedos que tinham passado os
primeiros tratamentos da água milagrosa do reumatismo, sentado
no banco de pedra à sombra e perfume da Camélia, ao
som de seus acorde viu se juntar muita gente que ali se encontrava
em tratamento. Os pés levantaram-se e Tico ficou nas nuvens
ao sentir um beijo quente e apaixonado da mais bela menina que o
rodeava, o ar faltou-lhe e quase não sabia responder ao pedido
de o poder acompanhar com sua flauta.
Enfim aceitou... os dedos de Tico retiravam notas que extasiavam
juntamente com o som da flauta que faziam os pássaros suspenderem-se
no ar e escutar, mesmo o vento parou para que o bosque não
falasse, apenas pairava no ar os acordes e o perfume das amendoeiras.
a princesinha abraçou-se no pescoço do Tico confessando
que estaria para sempre junto do seu grande amor, a música,
o homem e o seu violino Viotti.
Estavam nas termas de Monchique, o ar morno convidativo a descer
às areias branquinhas ou à sombra dos pinheirais das
falésias, ir escutar o mar, ou quem sabe ouvir o cantar de
encanto das sereias; sentado na areia resguardado do sol Algarvio
pela sombra de um penedo, seus dedos voltavam a retirar do violino
música de encanto, Tico agora desafiara e acompanhava o som
melodioso do mar; os gritos estridentes e sussurros, o som encantador
do vento e da espuma, o assobiar das algas deitadas na areia, musica
que fazia a mente sonhar, Tico adormeceu ao som melodioso do mar
de seus dedos movendo magicamente em seu violino vittoli.
Sonhou ou enlouqueceu, via três sereias sentadas em penedos
em frente, o seu canto era um caminhar para um paraíso nunca
sonhado, aquelas três sereias belíssimas gémeas,
filhas do Rei das profundezas Ião Aculá e da Rainha
Aquália, suas belezas eram de endoidecer os mortais; Hará
Mida e a beleza de cabelos ruivos Tifa, chamavam Tico para se aproximar,
fazendo gestos para jogar o violino, Tico como atraído por
uma forca eléctrica se aproximava do penedo das três
belezas sereias, como num conto de fadas estas principiaram o magnético
cantar numa dança embaladas pelas ondas e espuma aplaudidas
pelo encanto das algas.
Neste momento Tico foi agarrado pelas mãos de sua bela apaixonada
que tinha seguido seus passos e o instinto de seu coração;
Bela acordou Tico do encanto magnético das sereias, enchendo-o
de beijos apaixonantes, encostando seus peitos ao peito de Tico
desnudado, estas delicias da Bela que roçavam o tule de seu
robe deixando Tico em delírio e paixão da carne.
Bela foi agarrada brutalmente por umas mãos; a quem ela chamou
Sr. Meu pai largue-me que me magoa.
Bela como castigo foi levada para uma torre dum palácio onde
tantas vezes as ondas batiam enfurecidas pela maldade humana, Castelo,
não longe da boca do inferno onde as sereias estupefactas
assistiam ao desenrolar dessa cena de amor e violência.
Tico foi preso por dois soldados, que acompanhavam o pai de Bela,
que não era outro senão o Rei dos Algarves.
O rei foi informado por uma concubina real, a atração
que a princesa sentia pelo homem e pelo violino Viotti.
Assim o rei para se ver livre de Tico o condenou ao degredo numa
ilha que só as sereias poderiam ser encantadas pela música
de seu violino; sua filha ficaria livre para ser trocada por diamantes
e sangue real.
As sereias viam aquela beleza no alto da torre soprando a sua flauta
donde saiam gemidos que entravam pela porta do coração
fazendo-o sangrar.
Tifá tinha partido a perguntar ao bruxo dos mares se as sereias
poderiam amar humanos; este lhe respondeu, podereis amar com o coração,
mesmo acariciar com as mãos ou beijar com na boca, mas nunca
podereis desfrutar das delicias da carne; estas coisas estão
apenas reservadas a vossos príncipes.
Esta sereia então prometeu amar com o coração
e ajudar a juntar as delícias da carne a esses dois amantes
terrenos.
(Fim
da 1ª parte)
Por: Armando
C. Sousa
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