Uma carta

Ao meu grande amigo (Tempo)

 

Obrigado pôr estes quase 72 anos brincado contigo amigo. Tenho a maior esperança, que tudo tenha corrido bem para ti, espero que continues a trazer dias com o céu bem azulinho, mesmo que por entremeio tragas uns dias búzios com uma chuvinha e uns farrapinhos de neve, de que os garotos gostam tanto. Mas não te esqueças que uns dias de calor deixa a pele mais linda e saudável.

Sei que nada pudeste fazer por mim aqui neste sitio que eu vivo, mas esperaste por mim em Cuba, e te digo foste maravilhoso, tenho esperança que me esperes lá mais algumas vezes; agora espero que me tragas a primavera amigo, mas que abrandes um pouco o passo; passe o mais devagarinho possível... sim amigo Tempo... passei regular no meio desta neve que com teu tempo deitaste no meu draivuei e me custou a limpar, mas a verdade me fez fazer exícios.

Sabes uma coisa amigo Tempo, tu vais passando rápido por mim; ainda vai à bem pouco que foi Natal com sinos e muitos brinquedos, caixas de cerveja e as cartas de credito a abarrotar. Olha amigo, já ouço o barulho da Páscoa a chegar.

Creio que o amigo vai chegar com o verão e vai passar tão rápido, que o Senhor não vai chegar a meia missa para todos os pic-nics, e aqueles dias de praias e visitas aos amigos de além mar.

Mesmo as velhas moças , se passares assim rápido não poderão mostrar muitas vezes as suas saias garridas, ou mesmo tira-lhas para mostrar as brilhas branquinhas à areia, e ainda menos, por ao ar aqueles favos de mel bem cheinhos mostrando-os ao azul do céu.

Creio que as concertinas não terão tempo de encher os foles, e as cantigas por onde ficarão se andares assim depressa, sei lá de quantos amores de todas as idades deixarás desapontados e cheios de tristeza.

Sei meu amigo, que essas nuvens que o senhor vai trazer, sem deixar entrar o vento e o sol a tal (green house) de fumo e de calor, vai abafar muitos de nós, e talvez vai haver mais alguns apagões.

Amigo. creio que seria tempo de o senhor tirar umas férias, pois cerca de 72 anos que o vejo passar cada vez mais depressa, será que o senhor não cansa?... Porra amigo, pare um pouco para respirar... não gosta da minha idéia de mudar de andamento?... Se assim continuar a dança vai se acabar depressa.

Sr. Tempo, eu já fui obrigado a diminuir meu rítmo, creio que o senhor em vez de fazer tic... tac, deveria de mudar o rítmo para (papioparipapigrafo) sempre dava mais um pouco de viver.

Sr. Tempo, eu sei que o Sr. é muito bondoso, é o Sr. a cura de todas as coisa, de todas as invenções ou reinvenções, isto porque o aluno dá sempre um passo a mais que o professor, tudo porque não é o que o professor quer que o aluno veja, mas o que o aluno é capas de enxergar, quase sempre vê mais longe que a precária visão do professor.

Amigo tempo, seria possível fazer uma invenção capaz de eu poder embarcar e me fazer andar para traz no tempo até ao ano em que nasci?...

Bom amigo Tempo, agora fora de brincadeiras, creio que é tempo de te agradecer de me deixares fazer, e ver tanta coisa. Tu tinhas razão quando me disseste; Se tu aprenderes o caminho para a taberna, nunca mais aprendes outro caminho... e dizias; Se tu tomares o paladar da droga, terás de viver com ela, e eu em pouco tempo fujo de ti... Ficas sem tempo.

Meu amigo muito obrigado, por me mostrares a pobreza... Por tu me mostrares a chave que abre todas as portas, feita de livros lápis e papel, tendo como fundição a escola e o trabalho. Mostraste-me que o dinheiro e determinação era a carruagem que me levaria a todos os pontos do universo com honestidade. Verdade, sentei-me em diversos pontos da terra, olhando a imensidade do céu e pensando numa infinidade de fatores que para mim ficaram para traz do impossível de determinar. Apenas a hipocrisia será capaz de afirmar o que tenho ouvido, mas tenho esperança que o meu amigo Tempo dará à ciência o tempo para ela definir melhor as mentiras que tanto tem bombardeado minha mente.

Estive sentado no meio do mar extasiado, via o enorme disco de água verde, por vezes zangada, outras vezes mansinha se entrelaçar com o azul infinito do céu, seu diamantes a piscar e te agradecia por tanto me teres dado.

Amigo tempo, tu foste realmente generoso comigo, deixaste-me escrever para muitos, e pude usar todos os meios mais modernos, desde os jornais televisão e internet.

Parte do que escrevi, alguém o gravou na Livraria da ONESCO, ficará para ou vindouros poderem ler os pensamentos do Armando.

Foste generoso para comigo ao levares atravéz do mundo minhas poesias, por me dares por diretor de Jornal ,um dos menos hipócritas da nossa comunidade; assim pude denunciar as figuras que são o centro da podridão desta nossa geração, que são os maiores criminais deste mundo onde vivemos, esses foram presidentes, ministros e senhores que se consideram representantes do onipotente, que nesse sim acredito, mas nunca com os ensinamentos de quem como eu nada sabe.

Para manteres meu ego sentas-te me em jantares com primeiros ministros de duas nações, assim como com deputados ao governo; amigo Tempo, pude verificar que esses tinham um buraco no fundo das costas como o meu, e por ele eram governados.

deixaste-me ver as hipocrisias de alguns dos meus colegas de Imprensa, e os interesses dos seus reis, o querer cilindrar aqueles que os serviam, mas estes mais usavam a verdade que os seus próprios interesses.

Claro amigo, tu sabias que eu procurava usar a verdade, mas a verdade fere, essa faz doer.

E consegui inimigos que tinham vergonha de dizer que o eram, mas a verdade muitos de vós, viam coisas com os mesmos olhos que eu via, eu verdadeiramente escrevia para os que estavam presentes, porque os que não estavam qualquer mentira servia, e bastaria alguns de meus colegas, que tinham o condão de elevar as peneiras de tantos...

Amigo Tempo, muito obrigado pelo tempo que me deste servindo os jornais em especial o Nove Ilhas o que menos censurava as criticas e idéias para que os leitores estivessem a par das realidades.

Sei amigo, que estás a ficar curto para me deixares servir estes meus leitores e comunidade, espero estes últimos tic tacs de ti, para dizer adeus a meus leitores pois creio que o próximo Diretor deste Jornal, será todo abraços com a igualdade de certos Diretores.

Um grande abraço amigo Tempo, por tanto tempo que me destes para que nestes últimos nove anos poder escrever quase uma historia desta nossa comunidade.

Agora amigo Tempo, se um dia parares para mim, com teu tic tac, sinto-me realizado, com a certeza porém, de me sentir ainda saudável e poder contribuir mais ainda para com a sociedade.

Por: Armando C. Sousa